Doenças da primavera

Com o fim do inverno e a chegada da primavera, começa a temporada das doenças relacionadas à estação, como rinite alérgica, asma, conjuntivite alérgica e catapora.

As alergias, em geral, pioram nas mudanças de estação por causa de alterações climáticas como baixa umidade relativa do ar, variação de temperatura e níveis de poluição. “Na primavera podemos ter o impacto de partículas, como os pólens de gramíneas e árvores, dispersas no ar, piorando alergias respiratórias”, explica a Dra. Fátima Rodrigues Fernandes, coordenadora do departamento de Alergia e Imunologia do Sabará Hospital Infantil. A principal maneira de prevenir, nesses casos, é deixando os ambientes limpos, arejados, livres de ácaros e poeira. Evitar exposição a plantas em fase de polinização também pode ajudar.

 

Asma

Nesta época, o pólen de flores e gramíneas é carregado pelo vento e pode funcionar como um alérgeno nas crises de asma.

A asma é uma doença crônica que não tem cura. Os brônquios ficam inflamados, principalmente quando entram em contato com um fator desencadeante (poeira, pólens, ácaros, poluição, fumaça de cigarro, ar frio ou exercício físico), dificultando a respiração.

Sintomas

  • Falta de ar
  • Chiado ou aperto no peito
  • Tosse

Tratamento

O tratamento depende do paciente, geralmente envolve broncodilatadores e o uso de corticoide inalado para melhora da inflamação dos brônquios. Hoje existem medicamentos chamados imunobiológicos para os casos mais graves.

Prevenção

  • Evitar ambientes fechados, pouco ensolarados e sem ventilação;
  • Arejar a casa;
  • Lavar roupas de cama com frequência e reforçar cuidados com a limpeza da casa;
  • Evitar exposição à fumaça de cigarro, poeira e outros fatores identificados como desencadeadores de crises;
  • Manter vacinação em dia;
  • Praticar exercícios físicos regularmente e de forma controlada.

 

Rinite alérgica

A doença parece um resfriado, com a diferença que o paciente sente coceira no nariz, nos olhos ou na garganta e os sintomas são mais persistentes do que um resfriado comum. Ela é a alergia mais comum nas crianças, atingindo cerca de 30% delas. A rinite alérgica é desencadeada por fatores como ácaros, pólens e caspas (epitélio) de animais. A variação climática, a poluição e o tempo seco pioram os sintomas.

Normalmente, a criança com rinite é geneticamente predisposta: se um dos pais for alérgico, a criança tem 30% de chance de também ser. Se os dois pais foram alérgicos, a criança tem 80% de chance de ser.

Sintomas

  • Coriza
  • Espirro
  • Coceira nasal, ocular ou de garganta

Tratamento

O tratamento depende dos sintomas: se eles acontecem apenas nas crises ou se são bastante frequentes. Para tratar crises, são utilizados anti-histamínicos. Em casos mais persistentes é necessário tratar de forma contínua com corticóide nasal. Mas estes medicamentos dependerão da idade da criança. Como medida de prevenção, deve ser feita lavagem nasal com solução fisiológica.

Prevenção

  • Tirar do ambiente objetos que acumulam poeira, como bichos de pelúcia;
  • Aspirar o colchão ou utilizar uma capa impermeável;
  • Não usar travesseiro de pluma (origem animal);
  • Não higienizar o ambiente com produtos de cheiro forte;
  • Usar aspirador de pó com filtro adequado ou pano úmido em vez de varrer a casa (que levanta a poeira);
  • Fazer lavagem nasal diariamente;
  • Não deixar o animal no quarto da criança alérgica;
  • Ventilar os ambientes abrindo as janelas.

 

Conjuntivite alérgica

A conjuntivite é a inflamação da membrana que cobre o olho. Ela pode acontecer por diversos motivos, como uma infecção viral, bacteriana, irritação química ou ainda uma reação alérgica. A conjuntivite alérgica pode ter como fator desencadeante poeira, ácaros, caspas de animais e pólens, por isso acontece com frequência na primavera. Frequentemente está relacionada à rinite alérgica. Ao contrário das conjuntivites virais e bacterianas, a alérgica não é transmissível.

Sintomas

  • Coceira
  • Olhos vermelhos
  • Lacrimejamento
  • Inchaço nos olhos
  • Sensibilidade à luz

Tratamento

Geralmente é feito por colírios, mas é muito importante consultar um especialista para o diagnóstico correto do tipo de conjuntivite.

Prevenção

  • Evite produtos de limpeza de cheiro forte;
  • Encape travesseiros e colchões com tecidos impermeáveis;
  • Troque as roupas de cama com frequência;
  • Não deixe animais no quarto da criança alérgica;
  • Evite fumar próximo à criança ou nos locais onde ela fica.

 

Catapora

Não se sabe exatamente porque a Varicela (ou catapora) acontece com maior frequência na primavera. Ao contrário das doenças citadas anteriormente, esta não é alérgica, ela é causada por um vírus (Varicela-Zoster) e é muito contagiosa. O risco de transmissão da catapora só acaba quando todas as lesões de pele estão na fase da crosta.

Sintomas

  • Pequenas bolhas e erupções vermelhas na pele
  • Coceira
  • Febre alta

Tratamento

O tratamento da catapora se dá por meio de recomendações médicas que aliviam os sintomas durante o ciclo da doença, como antitérmicos e analgésicos. Os pais devem seguir as instruções do pediatra e dentre elas está a restrição ao uso do ácido acetilsalicílico (AAS).

É recomendado que se evite coçar e tirar as crostas. Para aliviar a coceira, compressas de água fria e banhos frios ajudam.

Prevenção

A melhor forma de se prevenir da doença é tomar a vacina contra o vírus. A vacina da catapora faz parte do calendário nacional de imunização e, portanto, está disponível na rede pública para todas as crianças a partir de 1 ano de idade. 

A criança não vacinada que teve contato com outra criança com catapora ou com suspeita da doença, não deve ir à escola, shoppings e parques com objetivo de evitar maior contágio, pois a doença começa a ser transmitida dois dias antes do aparecimento dos primeiros sintomas. É muito importante evitar o contato do paciente com varicela de pessoas que estão com algum problema de imunidade.

Autor: Mariana Setubal

Atualizado em: 03/9/2019