Dia mundial do rim: saúde para todos e em todo lugar

Maria Cristina de Andrade em nome do:

Departamento de Nefrologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Pediatria

 

Marcelo de Sousa Tavares em nome do:

Departamento de Nefrologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Nefrologia

 

Idealizado em 2006 pela Sociedade Internacional de Nefrologia (ISN) e pela “International Federation of Kidney Foundations” (IFKF), o Dia Mundial do Rim (DMR) tem como objetivo reduzir o impacto da doença renal em todo o mundo, sendo comemorado na segunda quinta-feira do mês de março.

Muitas são as funções dos rins, dentre elas: regular a pressão arterial, eliminar as toxinas do corpo, controlar a quantidade de sal e água do organismo, além de produzir hormônios que evitam a anemia e as doenças ósseas.

A doença renal crônica costuma ser silenciosa em seus estágios iniciais, ou seja, não há sintomas ou eles são poucos e inespecíficos. Por este motivo, o diagnóstico pode ocorrer tardiamente, quando a função renal se encontra já bastante comprometida, muitas vezes em estágio avançado, sendo neste caso necessário tratamento dialítico ou transplante renal. Desta forma, prevenção e diagnóstico precoce da doença renal crônica são essenciais.

 

Campanha

Neste ano, 2020, o Dia Mundial do Rim tem como objetivo levar a melhor conscientização sobre o aumento crescente da incidência de doenças renais em todo o mundo, e proporcionar saúde renal para todos, em todos os lugares. Especificamente, a campanha de 2020 destaca a importância de intervenções preventivas para evitar o início e a progressão da doença renal.

 

Prevenção

Nos casos de crianças e adolescentes, especialmente, as medidas preventivas devem ser primárias, ou seja, no sentido de evitar o aparecimento de doença renal. O pediatra e outros profissionais devem trabalhar com objetivo primário de eliminar ou reduzir a exposição a fatores de risco para doença renal crônica.

Principalmente no caso das crianças, deve-se evitar dietas não saudáveis, que podem levar a sobrepeso e obesidade, com consequente risco de hipertensão arterial e síndrome metabólica. O pediatra e outros profissionais de saúde, além de pais e educadores, devem incentivar aleitamento materno, atividade física regular, e evitar consumo e contato com fumo e drogas lícitas e ilícitas.

Além disso, devem ser pesquisadas anormalidades estruturais dos rins e do trato urinário que já podem ser observadas na ultrassonografia morfológica gestacional do feto, além de evitar o uso de drogas nefrotóxicas, tanto para o recém-nascido, crianças e gestantes.

Mesmo com a divulgação da importância do pronto diagnóstico e necessidade de acompanhamento, muitas crianças são diagnosticadas como portadoras de problemas renais somente quando a função dos rins já está bem comprometida. No Brasil e no mundo, de cada 10 crianças que são tratadas com diálise ou transplante, 5 são portadoras de alguma doença cuja primeira manifestação foi infecção urinária.

As intervenções primárias preventivas podem incluir triagem para pacientes com maior risco de doença renal crônica, com o auxílio de exames de urina e sangue.  São considerados grupos de risco, por exemplo: recém nascidos de baixo peso e prematuros, presença de displasia ou hipoplasia renal, história de tumores e traumas medulares, glomerulopatias, entre outros.

Em crianças e adolescentes com doença renal pré-existente, a prevenção secundária, incluindo a normalização da pressão arterial, o controle glicêmico e do peso, são os principais objetivos da educação e das intervenções clínicas.

As crianças acima de 3 anos e adolescentes saudáveis devem ter seus níveis tensionais arteriais aferidos por profissionais de saúde ou pediatras nas consultas anuais de rotina, com técnica adequada e devem ser classificados a partir de tabelas que levem em consideração o sexo, a idade e a estatura.  Aquelas diagnosticadas como hipertensas ou como portadoras de pressão arterial elevada, devem ser acompanhadas regularmente e ser orientadas em relação às medidas não farmacológicas (orientação alimentar e prática de exercícios, além de redução de peso quando necessário), ou mesmo quando necessária, a introdução de terapia medicamentosa.

Em pacientes com DRC avançada, torna-se necessário o manejo de comorbidades como uremia e doenças cardiovasculares.

Em 2020, no Dia Mundial do Rim pede-se a todos que defendam medidas concretas para promover e avançar na prevenção de doenças renais.

 

Autor: Dra. Maria Cristina Andrade - CRM: 55067

Atualizado em: 12/3/2020