Centros de Excelência e Serviços / Programa Avançado de Tratamento da Insuficiência Intestinal

Trombose de acessos venosos

Quase todas as crianças em insuficiência intestinal irão utilizar um cateter venoso central em algum momento de seu tratamento, podendo ser apenas nas fases iniciais de estabilização e suporte nutricional ou de forma prolongada e por tempo indeterminado, enquanto desenvolvem adaptação intestinal, podendo reduzir o tempo de uso ou mesmo suspender a nutrição parenteral com o tempo.

A administração da nutrição parenteral utiliza veias de grosso calibre, e devemos lembrar que possuímos seis principais veias para esse fim, são elas: veias jugulares direita e esquerda, veias subclávias direita e esquerda e veias femorais direita e esquerda, sendo que as femorais são menos utilizadas devido ao seu maior risco infeccioso.

Entendendo isso, todas as medidas para otimizar o acesso vascular devem ser tomadas, desde o planejamento cuidadoso dos acessos, individualizado para cada caso, colocação de cateter realizada por equipe experiente, com correto posicionamento do mesmo e adequada exteriorização do cateter, facilitando seu uso e curativos.

É importante também que o manuseio rotineiro do cateter siga os protocolos da equipe, independentemente da pessoa encarregada por manuseá-lo. O bom uso do cateter aumenta sua longevidade, reduz o risco infeccioso e permite a preservação dos acessos venosos.

A trombose destas veias é uma ameaça real à continuidade do tratamento. A criança deve ser submetida a ultrassonografia ou angiotomografia para avaliar se as veias têm trombose ou não. Quando a trombose for identificada, na maioria das vezes, iniciará medicações anticoagulantes, que permanecerão por tempo indefinido. No geral, receberá uma injeção subcutânea diariamente para prevenir a progressão da trombose. Naqueles casos em que múltiplas tromboses ocorrerem, com perda progressiva de acessos, e sem previsão de retirada da nutrição parenteral em curto prazo, a criança poderá ser avaliada para transplante de intestino.

Autor: Dra. Maria Paula Coelho - CRM: 98555

Atualizado em: 21/9/2018