Doença renal crônica também atinge crianças   - Hospital Sabará
Doença renal crônica também atinge crianças  
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Doença renal crônica também atinge crianças  

Doença renal crônica também atinge criança

Quando pensamos no adoecimento dos rins é comum associarmos como um problema dos idosos ou de adultos. Sim, o problema é relativamente raro em crianças. Publicações científicas de 2008, apontavam a incidência anual de Doença Renal Crônica Terminal (DRCT) nas crianças entre 5 e 15 pacientes por milhão na população infantil. No entanto, quando a doença atinge os pequenos, especialmente em estágios avançados, pode trazer consequências extremamente graves.   

A Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) alerta que a doença renal crônica nas crianças afeta o crescimento, o desenvolvimento cerebral e a expectativa de vida. E, infelizmente por ser uma doença silenciosa e com sintomas pouco específicos, o diagnóstico, na maioria das vezes, é tardio e incompleto. Por isso, a entidade também chama a atenção para a importância da detecção precoce, pois quando diagnosticada no início é possível retardar a progressão da doença através de medidas terapêuticas apropriadas. Vamos conhecer, então, um pouco mais como prevenir essa condição ? 

No texto de hoje, vamos falar sobre quais situações se deve ficar de olho para o risco de desenvolvimento da doença renal em crianças, formas de tratamento e também como algumas atitudes e hábitos podem contribuir para a prevenção. 

Por que o funcionamento dos rins é tão essencial?

Antes de discutirmos os fatores de risco entre outras questões da doença renal crônica na infância, vamos entender qual o papel dos rins no funcionamento do nosso organismo. Com a forma parecida com um feijão, porém medindo entre 10 e 13 cm, os rins estão localizados em ambos os lados da coluna vertebral, atrás das últimas costelas.

Os rins são responsáveis por garantir o equilíbrio interno do nosso corpo, pois são eles que realizam a filtragem do sangue para retirar as impurezas e excesso de substâncias como ureia, amônia e ácido úrico, que são resíduos  do processo do metabolismo corporal. Livre desses componentes, o sangue retorna ao organismo levando os nutrientes benefícios e, posteriormente, o líquido e substâncias não absorvidas são eliminados em forma de urina. 

 

Dessa forma, os rins também controlam o volume de água no organismo, evitando inchaços. Além disso, produzem hormônios que ajudam no controle da pressão arterial, na renovação das células do sangue e na absorção de nutrientes dos alimentos que comemos. Os rins ainda são responsáveis pela ativação da vitamina D, substância importante para promoção da mineralização óssea e do crescimento.    

 

Causas frequentes de doença renal em crianças   

A doença renal crônica se configura quando há uma alteração da função dos rins por um período maior de três meses. Se diabetes e hipertensão arterial estão entre as principais causas para o desenvolvimento da doença em adultos, já no caso das crianças as malformações congênitas no sistema urinário e doenças renais hereditárias estão entre os diagnósticos mais frequentes. 

Além dessas situações, a Dra. Ana Paula Brecheret, nefrologista pediátrica do Sabará Hospital Infantil, explica que a Doença Renal Crônica é sempre secundária a uma questão de saúde anterior. “Pode ser uma infecção urinária de repetição, um rim que não se formou direito, uma glomerulopatia que vem de repente ou uma criança que chegue com uma infecção muito grave e aí fez um choque séptico [infecção que compromete a maior parte do órgãos] e estragou o rim. Sempre vem de alguma coisa”, explica Brecheret . 

Em relação à infecção urinária, a SBN alerta: “No Brasil e no mundo, de cada 10 crianças que são tratadas com diálise ou transplante, 5 são portadoras de alguma doença cuja primeira manifestação foi infecção urinária”. Por isso, é importante o acompanhamento médico com uma investigação mais detalhada após o episódio.

É justamente essa atenção com os distúrbios que possam provocar a lesão renal que pode auxiliar no cuidado precoce. “O problema da doença renal é que ela é silenciosa, ela não dá muitos sintomas. Se você tem uma criança que tem alguma alteração nos rins, você tem que ficar de olho pra ver se o rim não vai perder função. Porque sozinho você não vai saber, a hora que já deu sintoma é que o rim já foi comprometido”, alerta Brecheret. De acordo com a SBN, a pessoa pode perder até 90% da função renal sem perceber. 

Pressão arterial alta danifica os rins 

Como vimos, uma das funções dos rins é controlar a pressão arterial. Portanto, um dos indicativos de problemas nesses órgãos pode ser a hipertensão. Porém, a relação dos rins com esse fator é ainda mais estreita, pois assim como o comprometimento da função renal causa elevação da pressão, o quadro hipertensivo causado por outras questões, como obesidade ou doenças cardiovasculares, pode levar à insuficiência renal.

Isso acontece porque a pressão arterial acima do ideal provoca lesões nos vasos sanguíneos, deixando-os mais espessos e rígidos, o que afeta a capacidade dos rins de filtrar o sangue e eliminar as substâncias prejudiciais adequadamente.  

Dessa forma, a doutora Brecheret destaca que o controle da pressão arterial é um dos principais procedimentos para evitar a progressão da doença renal. Ela explica que, diferentemente dos adultos em que o valor considerado ideal está entre 12×8, no caso das crianças, há parâmetros específicos: “O valor normal da criança é de acordo com a idade, o sexo e a estatura. Então, toda a avaliação, o laudo, é diferente do adulto”.

No entanto, medir a pressão arterial das crianças em consultório não é simples, pois elas estão sempre em movimento, o que pode impactar nos valores. Além disso, a situação de estar na frente do médico pode gerar certa ansiedade e também interferir no resultado. 

Para ter uma avaliação mais precisa e menos estressante para os pequenos, o Sabará Hospital Infantil realiza a Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA). Trata-se de um exame seguro, que através da instalação de um aparelho no paciente, fazemos o acompanhamento da pressão arterial durante um dia inteiro, inclusive no momento do sono. O exame pode ser solicitado por um nefrologista e, aqui no Sabará, é realizado em crianças a partir de um ano de idade, com toda a segurança que a avaliação requer. 

Caso deseje consultar um dos nossos especialistas, é possível fazer consultas via telemedicina. Para tirar dúvidas ou agendar atendimentos presenciais, é só entrar em contato com o nosso Canal de Apoio aos Pais (CAP) pelo whatsapp (11) 97068 1924.

 

Biópsia renal    ​

Em alguns casos de pacientes com problemas nos rins, especialmente em estágio inicial, pode ser fundamental realizar a biópsia renal para estabelecer um diagnóstico mais preciso. A Dra. Brecheret explica que a análise fornece informações sobre a evolução do paciente e também auxilia a determinar a abordagem do tratamento. “Por exemplo, se é uma síndrome nefrótica você consegue saber qual o tipo de síndrome. A biópsia, geralmente, é para avaliar, para fazer um diagnóstico e ajudar no tratamento ou para avaliar o prognóstico, que é qual a chance dessa doença ir mal ou bem, e às vezes para direcionar o tratamento”, conta.

A síndrome nefrótica é caracterizada pela perda maciça de proteínas pela urina, tais como albumina, transferrina, gamaglobulinas e microglobulinas. Essa eliminação exagerada leva à falta de proteínas no sangue, o que gera várias complicações, entre elas o inchaço da criança. As causas da síndrome nefrótica são variadas, desde transmissão hereditária, doenças infecciosas como hepatite e AIDS, entre outros fatores. 

Para além do diagnóstico, pode-se indicar a biópsia após o transplante renal. O procedimento é útil para acompanhar a evolução do rim implantado no organismo da criança, auxiliando os médicos a entender o quadro geral da saúde do paciente depois da cirurgia

Formas de tratamentos da Doença Renal Crônica  

Como a lesão renal é progressiva e irreversível, quando é detectado que a função desse sistema foi comprometida, é preciso recorrer a algum procedimento que substitua o trabalho dos rins. Uma das formas de tratamento é a diálise, processo que remove as substâncias nocivas, por meio de uma máquina de filtragem do sangue (hemodiálise) ou através de outros métodos específicos. O paciente pode realizar sessões três vezes por semana, diariamente ou em outros intervalos – a frequência varia de acordo com a abordagem escolhida e também com o quadro de cada paciente.     

Aqui no Sabará Hospital Infantil optamos pela diálise peritoneal, tipo de procedimento que pode ser realizado em domicílio. Uma maneira de levarmos um pouco mais de conforto ao paciente e a família, já que evita as locomoções frequentes até a unidade de diálise. Nesse caso, introduzimos no abdômen da criança, por meio de uma pequena cirurgia, um cateter permanente que, por ser flexível, não costuma incomodar. Esse dispositivo será encaixado posteriormente em bolsas de filtragem, mas antes da criança começar a realizar esse processo em casa, os familiares recebem capacitação e validação de uma enfermeira especializada em nefrologia pediátrica. Também é feito um acompanhamento regular via telemedicina para saber como está a adaptação com a terapia, reorientações sobre o cuidado com o cateter e uma avaliação mais geral do estado do pequeno para verificar a necessidade de envolver outros membros da equipe multiprofissional.    

Durante o tratamento da Doença Renal Crônica há uma série de cuidados e controles que se deve adotar a fim de evitar complicações, entre eles a restrição alimentar. O paciente renal crônico deve seguir uma dieta adequada com o seu estágio da doença, mas, no geral, deve evitar sal, proteínas e alimentos ricos em potássio e fósforo, como derivados de leite, carnes e refrigerantes à base de cola. O objetivo é reduzir o acúmulo no organismo das substâncias que normalmente são eliminadas pelos rins, já que sem a atuação deles esse descarte fica prejudicado. 

Sobre a restrição alimentar, a Dra. Brecheret ressalta o quanto o tratamento das crianças exige um acompanhamento ainda mais especializado. “As dificuldades são maiores em criança porque o corpo está em formação. E a gente tem que tratar uma doença muito grave tentando manter uma infância normal e um crescimento e desenvolvimento mais próximo do normal possível”, aponta.  

Para dar suporte às necessidades dos pacientes, atendemos as crianças no nosso Centro de Excelência, que conta com mais de 32 especialidades pediátricas. Entre os profissionais disponíveis estão nefrologistas, nutricionista, cardiologistas e psicólogos, que forma uma rede de apoio multidisciplinar adequada ao quadro de cada criança.  

 

Transplante renal: terapia substitutiva   

Outra opção de tratamento para pacientes que sofrem de doença renal crônica é o transplante renal. Considerada a melhor terapia de substituição das funções dos rins, o procedimento melhora a qualidade de vida do paciente, pois após a cirurgia não necessita mais da diálise, trazendo  mais liberdade à sua rotina diária. No transplante, o paciente recebe um rim saudável de uma pessoa viva ou de um doador falecido. Em ambos os casos são feitos exames para verificar o bom funcionamento do rim doado e se o doador não possui nenhuma doença que possa ser transmitida ao receptor.

Para receber um rim de doador falecido, o paciente precisa estar inscrito no Cadastro Técnico Único, e os critérios de seleção do receptor incluem gravidade, compatibilidade e tempo de espera em lista.   

O Centro de Transplante do Sabará Hospital Infantil é formado por uma equipe altamente especializada em Nefrologia Pediátrica. O grupo é comandado pelo Dr. José Osmar Medina Pestana, maior referência do país em transplantes renais. Além disso, temos um centro cirúrgico equipado com a mais moderna tecnologia e material instrumental e, ainda, contamos com o respaldo de uma UTI pediátrica. 

Noah foi uma das crianças que passou pela nossa equipe e pudemos ver sua história ser transformada. Ele nasceu com insuficiência renal, e ao longo de 3 anos passou por muitos tratamentos até chegar o dia do tão sonhado transplante. Contamos essa história no Youtube Saúde da Infância, confira lá! 

 

Prevenindo os problemas renais 

Há casos em que a doença renal crônica se apresenta de forma hereditária ou por algum problema de malformação dos órgãos, mas ela também pode ser desenvolvida devido a alguns hábitos. Já alertamos por aqui o quanto o controle da pressão arterial é fundamental para se prevenir o adoecimento dos rins. O mesmo vale para a diabetes, pois o aumento da glicemia no sangue também danifica os vasos sanguíneos, dificultando a filtragem do sangue. Por isso, adotar um modo de vida saudável ajuda na prevenção da doença. Fique atento à algumas dicas para se adotar desde cedo com as crianças: 

* Façam exercícios físicos regularmente;

* Tenham hábitos alimentares saudáveis;

* Controlem a pressão arterial;

* Controlem a glicemia;

*Controlem o colesterol;

*Mantenham um peso corporal saudável. 

Por se tratar de uma doença silenciosa, a SBN ainda recomenda que crianças acima de três anos e adolescentes tenham a pressão arterial aferida durantes as consultas anuais de rotina com o pediatra, além de indicar a realização de exames de rastreio, como dosagem de creatinina no sangue e o exame de urina. 

 

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