Dengue: alerta para cuidados com as crianças

Aumento dos casos comprovam necessidade de intensificar ações de combate ao mosquito Aedes aegypti

 

Segundo dados divulgados recentemente pelo Ministério da Saúde, o número de casos prováveis de dengue (casos suspeitos) no Brasil mais que dobrou, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Até o início do mês de fevereiro, foi apontado aumento de 149% em todo o país. Cerca de 60% dos casos suspeitos concentram-se na Região Sudeste, principalmente nos estados de São Paulo e Minas Gerais.

 

No estado de São Paulo verificou-se um aumento de cerca de 600% no número de pacientes com diagnóstico confirmado de dengue: foram 1.782 casos nos dois primeiros meses do ano de 2018 e 12.455 em 2019 (dados até 15/02/19). Os casos estão concentrados principalmente em municípios do norte e noroeste do estado (Andradina, Araraquara, Bauru e São José do Rio Preto). No município de São Paulo foram confirmados 229 casos de dengue em 2019. Aqui no Sabará foram coletados nestes dois meses 57 exames diagnósticos para dengue, sem nenhum caso positivo. Considerando que o número de casos de dengue costuma atingir o pico no mês de abril, ainda podemos prever aumento no número de casos suspeitos.

 

A transmissão da dengue é feita por meio da picada do mosquito Aedes aegypti, assim, é essencial controlar a proliferação deste mosquito, principalmente nas áreas peri-domiciliares. Embora o verão seja a estação mais propícia para proliferação do mosquito, é essencial fazer do combate uma rotina em qualquer época do ano. Os dados epidemiológicos atuais demonstram a necessidade de reforçar ações de combate e eliminação dos focos em todas as regiões.

 

Outras doenças também transmitidas pelo Aedes aegypti, como Zika e Chikungunya, podem ter sintomas bastante semelhantes à Dengue, no entanto neste ano essas doenças estão sendo diagnosticadas com menor frequência.

 

Quando pensar em dengue:

 

Sintomas: em geral, a dengue causa febre aguda com até sete dias de duração, acompanhada de outros sintomas como dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dor muscular e articular, prostração e manchas vermelhas na pele, com ou sem sangramentos. Na criança pode ser assintomática ou apresentar sinais e sintomas inespecíficos, como febre, fraqueza, sonolência, recusa da alimentação e de líquidos, vômitos, diarreia ou fezes amolecidas.

Nos menores de dois anos de idade – principalmente nos menores de seis meses – sintomas como dor de cabeça e dores no corpo podem se manifestar por choro persistente, fraqueza e irritabilidade, podendo ser confundidos com outros quadros infecciosos febris.

 

Agravamento: a doença pode passar despercebida e o quadro grave ser identificado como a primeira manifestação clínica. O agravamento, em geral, é súbito, diferente do que ocorre no adulto, que é gradual e os sinais de alarme são mais facilmente detectados.  A gravidade e a letalidade da dengue são maiores em crianças, pois a doença pode causar queda na pressão e hemorragia. O aparecimento de vômitos persistentes, a queda repentina na temperatura do corpo, sangramentos, agitação ou sonolência, choro persistente, pele fria e pálida, diminuição da quantidade de urina, dor intensa na barriga e dificuldade para respirar são sinais de agravamento, que indicam a necessidade de procurar rapidamente assistência médica.

 

O tratamento da dengue é feito com hidratação e sintomáticos, habitualmente sem necessidade de internação nos casos em que não há agravamento. Pode ser feito em casa com medicação indicada pelo médico apenas para controle dos sintomas. O médico deve indicar aos pais os possíveis sinais de alarme que, quando presentes, indicam agravamento da doença e necessidade de reavaliação médica.

 

Como se proteger:

A principal medida de prevenção continua sendo o combate persistente ao mosquito transmissor da dengue. Estima-se que cerca de 80% dos criadouros do Aedes aegypti estejam dentro das residências ou nas proximidades. Portanto, é fundamental ficar atenta e evitar deixar água parada em recipientes de qualquer natureza, bem como manter qualquer depósito doméstico de água completamente fechado.

 

Outras medidas de prevenção:

  • Proteja com telas as janelas e use mosquiteiros sobre os berços ou outros locais onde o bebê estiver.

 

  • Também podem ser usados difusores repelentes elétricos ou em spray. Nos quartos de bebês com menos de seis meses ou que tenham história de alergias ou problemas respiratórios, estes produtos devem ser aplicados na ausência da criança.

 

  • Com relação ao uso de repelentes, os produtos mais eficientes contra o mosquito da dengue são os que contêm icaridina (também conhecida por picaridina). A recomendação do fabricante deste produto no Brasil é para uso apenas a partir dos dois anos de idade, mas a Academia Americana de Pediatria e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, consideram seguro o uso a partir dos dois meses de idade. O repelente deve ser aplicado apenas nas áreas de pele exposta; não deve ser aplicado próximo dos olhos, boca e nas mãos (a criança pode ingerir) ou em áreas de pele lesada. Pode ser aplicado sobre as roupas. Observe o período de ação do produto e reaplique-o conforme a recomendação.

 

Fonte: portalms.saude.gov.br

Dr. Francisco Ivanildo de Oliveira Junior – infectologista do Sabará Hospital Infantil

Autor: Vanila Pontes

Atualizado em: 06/3/2019