Cirurgia inédita com modelo híbrido de crânio é realizada no Sabará

Pela primeira vez, cirurgiões usaram um modelo híbrido para o planejamento e realização de uma cirurgia. Produzido com base no exame de tomografia computadorizada do paciente, o modelo híbrido reúne o melhor da impressão 3D com o melhor do “hand-made”, sendo finalizado por um artista plástico.

Com todas as estruturas presentes na cabeça da criança – ossos, dura-máter, cérebro, órbitas – o boneco também tem as feições da criança. Todas as partes do modelo têm textura e consistência muito semelhantes à real. A pele, por exemplo, é feita com um mix de silicones que permite se adaptar à reconstrução óssea planejada.

O modelo permitiu que os cirurgiões realizassem exatamente o mesmo procedimento dois dias antes da cirurgia no paciente. Planejamento que promete uma série de benefícios, como menor tempo de cirurgia, menor sangramento, melhor recuperação pós-operatória e melhores resultados. “Já sabíamos, antes da cirurgia real, de que forma realizaríamos os procedimentos, incluindo o tipo de corte nos ossos do crânio e da face e os materiais necessários”, disse a neurocirurgiã Dra. Giselle Coelho.

O modelo foi produzido e cedido pelo Instituto EDUCSIM. Este Instituto desenvolve materiais educativos para estudantes de medicina e profissionais da saúde, utilizando simuladores muito semelhantes aos tecidos humanos. Para a Dra. Giselle, um modelo como este, tão semelhante ao real, nem a melhor impressora 3D faria pela restrição dos materiais que podem ser impressos. É necessário um trabalho feito a mão para finalizar com máximo realismo. “Para o cirurgião plástico, a consistência e textura da pele são muito importantes, uma vez que refletem indiretamente os procedimentos realizados no plano ósseo craniofacial mais profundo”, disse o Dr. Maurício Yoshida, cirurgião plástico que também participou da cirurgia.

Cranioestenose

O paciente Joaquim, de 4 meses, nasceu com uma cranioestenose, deformidade do crânio que acontece pelo fechamento precoce de uma ou mais suturas cranianas. Neste caso, era uma trigonocefalia, acometendo a sutura craniana da frente da cabeça, resultando em uma testa de forma triangular. É uma condição rara, que acomete cerca de um para cada 15 mil nascidos vivos e o tratamento na maioria dos casos é cirúrgico.

Os pais de Joaquim, Renata e Luís Fernando, descobriram a cranioestenose logo após o parto, ainda na maternidade, e foram encaminhados para consulta com especialista. “Muitas pessoas acham que é apenas estético ou que é normal e não procuram ajuda. A cirurgia é, sim, necessária. Quanto antes for feita, melhor, preferencialmente até os 6 meses considerando que a criança apresente mais que 6 Kg”, diz a Dra. Giselle.

“O modelo é incrível. Você vê o Joaquim ali, com a mesma cor dos olhos, mesmo formato do rosto. Saber que está tudo milimetricamente planejado dá uma tranquilidade. A gente não costuma ouvir falar em planejamento de cirurgia”, diz a mãe, Renata.

Agora, o modelo feito para Joaquim será utilizado pela Dra. Giselle em aulas e congressos mostrando o quanto é importante o planejamento pré-operatório. Na literatura internacional não há nada publicado neste sentido e possivelmente este será o primeiro relato mundial da utilização do modelo híbrido para planejamento pré-operatório em cranioestenose.

Autor: Mariana Setubal

Atualizado em: 05/12/2018