Sabará alerta: vacine seus filhos!

A notícia está em todos os jornais: os índices de vacinação estão abaixo da meta no Brasil, o que ameaça a volta de doenças que há muitos anos não se vê por aqui. Em 2016, o Brasil recebeu da OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde) um certificado de eliminação do sarampo. No entanto, até o início de julho deste ano, já tivemos quase 500 casos confirmados nos estados de Roraima, Amazonas, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Em São Paulo, a Secretaria Estadual de Saúde emitiu um Alerta Nível 3, o mais alto, para o risco de surto de sarampo.

Desde 2013, as taxas de cobertura vacinal vêm caindo ano a ano. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, um em cada quatro municípios tem cobertura abaixo do ideal em todas as vacinas obrigatórias para bebês e crianças. A estatística inclui dez vacinas, como hepatite, meningite e poliomielite (paralisia infantil). Esta última doença, erradicada no País desde 1990, tem sido considerada uma ameaça pelas autoridades devido à baixa adesão à vacinação.

O Ministério da Saúde considera que a meta é vacinar entre 90% e 95% da população conforme a doença. Menos de 6% das cidades brasileiras atingiram as metas para todas as vacinas. Em alguns casos, a cobertura vacinal é a menor desde 1997.

No município de São Paulo, os índices de vacinação de Influenza e Febre Amarela também estão bem abaixo da meta. Para Influenza, 77,6% do público-alvo tomou a vacina. Das crianças, apenas 57% foram vacinadas e, das gestantes, apenas 53%. Em relação à Febre Amarela, 6,6 milhões de pessoas na cidade tomaram a vacina, o que representa 57% da população, ante a meta de 95%.

Os motivos para os baixos índices de vacinação são vários: os mitos envolvendo vacinas deixam algumas famílias receosas, há falta de conhecimento a respeito da gravidade das doenças e baixo temor (já que algumas não circulam há muito tempo). Também há dificuldades envolvendo horários restritos das salas de vacinação, desabastecimento de vacinas e a necessidade de ir diversas vezes ao posto (nove idas até os 15 meses de idade), entre outros.

Perigo

O alerta geral é para o perigo de que doenças erradicadas voltem a circular. A redução de pessoas vacinadas pode criar bolsões de indivíduos suscetíveis. Neste grupo, a presença de apenas uma pessoa infectada pode causar um surto.

A decisão individual de não tomar uma vacina ou não dar ao filho impacta o número de pessoas protegidas. A população como um todo fica mais vulnerável, colocando em risco bebês que ainda não têm idade suficiente para iniciar o calendário vacinal ou pessoas que não podem tomar a vacina por algum comprometimento imunológico.

Ou seja, não são afetados apenas aqueles que escolhem deixar de se vacinar, mas também aqueles que não podem ser imunizados.

A vacinação não atinge 100% da população, mas quanto maior o número de pessoas imunizadas, maior a proteção a todos, inclusive aos não vacinados.

Segundo a bióloga Dra. Natalia Pasternak Taschner, em texto do blog Cientistas Explicam, famílias que escolhem não vacinar seus filhos reportam abertamente que usam, como fonte de informação, as redes sociais, muitas vezes sem embasamento científico.

“A vacinação é algo maior que uma escolha pessoal. Vira assunto de saúde pública. Se você não vacina seu filho de 5 anos, ele pode contrair uma doença e passar para o meu bebê de 6 meses, que ainda não tomou todas as doses necessárias. Assim, a SUA escolha afeta a vida do MEU filho”, diz Natalia.

 

 

Sarampo

O sarampo é altamente transmissível. Estima-se que a introdução de um caso em uma população suscetível seja capaz de infectar de 12 a 18 pessoas. Os sintomas são erupções na pele, febre alta, dor de cabeça e mal estar. A transmissão ocorre desde 5 dias antes até 5 dias após o aparecimento das erupções.

A primeira dose da vacina deve ser aplicada em crianças de 12 meses e a segunda dose, quando completam 1 ano e 3 meses. Crianças mais velhas, adolescentes e adultos não vacinados devem tomar duas doses com intervalo de um a dois meses.

No Sabará Hospital Infantil, não houve casos de sarampo até o momento.

 

Procure uma Unidade Básica de Saúde e vacine seu filho!

Autor: Mariana Setubal

Atualizado em: 06/7/2018