Equipe feminina lidera programa ECMO do Sabará - Hospital Sabará
Equipe feminina lidera programa ECMO do Sabará
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Equipe feminina lidera programa ECMO do Sabará

Equipe feminina lidera programa ECMO do Sabará

Neste 8 de março, celebramos mais uma vez o Dia Internacional das Mulheres. A data, marcada pela luta por igualdade de gênero, chega neste ano em meio a pandemia da Covid-19 – um contexto desafiador que evidenciou o protagonismo feminino no combate à doença, mas também realidades desproporcionais ainda enfrentadas por elas. 

Pelo lado da sobrecarga, um estudo da organização de mídia Gênero e Número, em parceria com a Sempreviva Organização Feminista (SOF), apontou que metade das brasileiras passou a cuidar de alguém durante esse período. O levantamento ainda indicou que 41% das mulheres afirmam estar trabalhando mais na quarentena. 

O aumento da violência contra a mulher é outra situação agravada pelo cenário de confinamento. No primeiro semestre de 2020, ocorreram 648 casos de feminicídio, uma alta de 1,9% em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Em contrapartida, houve queda em alguns indicadores como nas denúncias de lesão corporal (9,8%) e ameaças (15,8%). Sobre isso, entidades em defesa da mulher também têm demonstrado preocupação que o isolamento social dificulte os pedidos de ajuda e a formalização de queixas.   

Apesar de inseridas em problemas estruturais que vão além da pandemia, as mulheres têm sido importantíssimas nos esforços de combate ao coronavírus. Elas estão na linha de frente como profissionais da saúde, atuando em grupos de pesquisa, discutindo políticas públicas, entre outras atividades.   

 

Mulheres no enfrentamento à pandemia 

Com o tema “Mulheres na liderança: Alcançando um futuro igual em um mundo de COVID-19″, a campanha da Organização das Nações Unidas (ONU)  neste 8 de março destaca exatamente a atuação de mulheres e meninas na construção de um futuro mais igualitário e na recuperação da pandemia. A entidade chama a atenção para o quanto as mulheres “trazem experiências, perspectivas e habilidades diferentes, e fazem contribuições insubstituíveis para decisões, políticas e leis que funcionam melhor para todos”.

Aqui no Brasil, uma das contribuições que ganhou destaque foi o sequenciamento do coronavírus liderado por duas cientistas brasileiras – Ester Sabino e Jaqueline de Jesus – em apenas 48 horas após o diagnóstico do primeiro paciente confirmado em São Paulo. A conquista das pesquisadoras representa mais do que um marco na ciência – aponta também para a necessidade de uma sociedade que amplie as oportunidades para mais mulheres alcançarem seus objetivos e que também possam viver em plenitude, com direitos garantidos.

Como reconhecimento e inspiração, compartilhamos hoje um pouco da história de um programa do nosso hospital, com referência internacional, que desde a sua fundação conta majoritariamente com a atuação de mulheres. 

 

Time de mulheres usa tecnologia para cuidar do coração e pulmão de crianças  

A Oxigenação da Membrana Extracorpórea, conhecida como ECMO, é uma tecnologia sofisticada que imita a função natural do coração e pulmões. Para isso, é utilizado um circuito de tubos, bomba, oxigenador e aquecedor que fica instalado fora do corpo do paciente. 

Por cumprir a função desses importantes órgãos, a técnica tem sido utilizada para salvar a vida de muitas crianças. Aqui no nosso hospital, a ECMO começou a ser aplicada em 2015, após a Dra. Grace van Leeuwen, então coordenadora do Departamento de Cardiologia, receber um treinamento no Stollery Children’s Hospital do Canadá –  centro reconhecido mundialmente pela excelência nessa tecnologia. 

Entusiasta da terapia, Dra. Leeuwen foi uma das principais responsáveis pelo início do Programa de ECMO do Sabará Hospital Infantil. A técnica é tradicionalmente usada como suporte em pós-operatório de cirurgia cardíaca, mas também pode ser empregada no tratamento de doenças pulmonares graves, quadros de insuficiência cardíaca, trauma ou infecção grave. Dessa forma, a criança poupa esses órgãos enquanto se recupera. 

A Dra. Rafaella Gato, atual diretora do programa, conta que uma das situações mais utilizadas da ECMO no Sabará, além do pós-operatório de cirurgia cardíaca, é no suporte de infecção severa de sepse. Gato explica que a inovação no uso da técnica tornou-se uma marca importante do programa: “Antigamente a ECMO não era pensada como uma opção de suporte circulatório para o choque séptico severo, mas aqui no Sabará a gente faz isso já tem alguns anos. Isso é um aspecto interessante do nosso serviço, ele tem um perfil de vanguarda. Nós sempre estamos fazendo coisas à frente do que se fazia, e hoje colhemos os frutos disso”.       

Em 2019, o Programa do Sabará Hospital Infantil foi reconhecido pela ELSO – organização não governamental dedicada à pesquisa e regulamentação da terapia – como o único Centro de Excelência em ECMO do Brasil. O programa registra ainda as melhores taxas de sobrevida e alta hospitalar do país, comparáveis com os melhores centros mundiais.     

 

Rede de apoio

Desde a sua fundação, o Programa de ECMO do Sabará Hospital Infantil sempre teve diretoras mulheres. A representatividade feminina também se reflete na composição da equipe, formada por 45 mulheres e 3 homens.   

Entre as profissionais, estão médicas cardiologistas, uma cirurgiã cardiovascular, intensivistas e enfermeiras. Os homens que integram o time são perfusionista, enfermeiro e auxiliar de cirurgia. Para fazer parte da equipe, é necessário ser especialista em pediatria e ter passado por treinamento em ECMO.

Gato avalia que essa composição majoritariamente feminina está ligada à formação base em pediatria, especialização que, nos últimos anos, tem tido uma predominância de escolha por parte das mulheres. A médica ainda analisa como esse perfil do grupo oferece maior amparo entre elas, para que todas possam conciliar as atividades do trabalho com a vida pessoal. “Essa rede massiva de mulheres se ajudando é muito importante. Já aconteceu de alguém ter que vir cobrir o plantão e deixar o filho na casa da outra amiga ou precisar trocar o dia do plantão porque está sem babá. A gente cria uma rede de apoio entre nós porque às vezes a gente fica um longo tempo acompanhando essas crianças em ECMO”, compartilha. 

A maioria do grupo são mães de filhos pequenos – condição que enfrenta forte preconceito e incompreensão no ambiente corporativo em geral, já que em nossa sociedade os cuidados com os filhos ainda são vistos quase que exclusivamente como uma atividade feminina. Nesse sentido, Gato ressalta que além do apoio da equipe interna, é fundamental que as instituições acreditem na força feminina de trabalho: “Em nenhum momento, quando me fizeram o convite para assumir a diretoria do programa, me perguntaram se seria um empecilho pra mim o fato de eu ter dois filhos pequenos. Isso não foi colocado em questão”.  

Para conhecer mais sobre o Programa de ECMO do Sabará Hospital Infantil, acesse os links:

 

Tags: Programa ECMO, Liderança, Mulheres

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