Dificuldades na alfabetização? Podem ser problemas de audição

Você já parou para pensar o quanto a audição é fundamental para o aprendizado da escrita e da leitura? É pela percepção do som que começamos a reconhecer, discriminar e emitir os primeiros ruídos e fonemas, desenvolvendo a comunicação oral. Neste Dia Nacional da Alfabetização, queremos dar um recado para pais e cuidadores: fiquem atentos a dificuldades de aprendizagem, pois pode ser um sinal de deficiência auditiva.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em todo o mundo, 466 milhões de pessoas sofrem de perda auditiva com marcas de invalidez. Deste total, 34 milhões são crianças. No lado positivo, a entidade também destaca que “intervenções oportunas e eficazes podem garantir que as pessoas com perda auditiva possam atingir todo o seu potencial”.

Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, melhores são os resultados de desenvolvimento da criança, pois através de tratamentos terapêuticos e de procedimentos de reabilitação, como implante coclear, próteses implantáveis e aparelhos auditivos, é possível minimizar os efeitos da deficiência. Por outro lado, quando há demora na identificação e no acompanhamento, a criança apresenta dificuldades no desenvolvimento da fala e compreensão da linguagem, o que pode refletir em problemas cognitivos, dificuldades na escola e também na vida social.

O Dr.Robinson Koji Tsuji, otorrinolaringologista e coordenador do Programa de Diagnóstico Precoce da Surdez do Sabará Hospital Infantil, ressalta a importância do diagnóstico acontecer antes da criança começar na escola. “O processo de alfabetização em português depende inicialmente que a criança conheça a língua portuguesa primeiro do ponto de vista oral. Então, para você garantir isso tem que “testar a audição o mais cedo possível”, orienta.

As causas para deficiência auditiva são variadas, mas existem alguns fatores que já sinalizam maior preocupação desde o nascimento. Bebês que tenham malformações congênitas, doenças genéticas ou que a mãe tenha tido doenças infecciosas durante a gestação, como rubéola, sífilis, citomegalovírus e toxoplasmose, têm maior risco de terem surdez. No entanto, a deficiência auditiva também pode ser encontrada em crianças sem indicadores, o que torna a investigação da saúde auditiva uma necessidade para todos os recém-nascidos.

E você, sabe qual é o primeiro passo para identificar rapidamente essa deficiência?

Triagem auditiva neonatal: famoso teste da orelhinha

Desde de 2010, a Lei Federal 12.303 tornou obrigatório e gratuito a realização em hospitais e maternidades do Exame de Emissões Otoacústicas Evocadas nos bebês nascidos em suas dependências. Também conhecido como teste da orelhinha, a avaliação consiste na produção de um estímulo sonoro e na captação do seu retorno por meio de uma pequena sonda introduzida na orelhinha da criança. É um procedimento rápido, seguro e indolor.

O teste deve ser feito antes da alta hospitalar, preferencialmente, nas primeiras 48 horas de vida do bebê. Se a criança apresentar falha nessa triagem, com a suspeita de alguma anormalidade, o exame deve ser repetido entre 15 e 30 dias. As maternidades que não realizam o exame ou os retestes devem encaminhar as famílias para um atendimento especializado.

No Sabará Hospital Infantil, temos uma equipe preparada para receber os bebês que necessitam realizar a segunda avaliação do teste da orelhinha. Nem sempre quando o primeiro exame tem um resultado duvidoso quer dizer que a criança tem perda auditiva, mas é fundamental fazer um acompanhamento cuidadoso. Caso no reteste seja apontado novamente uma resposta insatisfatória, contamos com um Centro de Excelência para a realização de exames mais precisos, que permitem confirmar se há realmente algum comprometimento, além de identificar o tipo e grau de perda auditiva.

Para agendar os exames, envie um e-mail para agendamento@sabara.com.br, depois ligue para (11) 2155 9330 (opção 3). Dessa forma, nosso atendente já localiza o pedido médico e pode analisar juntamente com você o melhor dia e horário para a realização das avaliações.

Acompanhando o desenvolvimento da audição

Alguns momentos podem ser fundamentais no diagnóstico da perda auditiva. Após a triagem na maternidade, especialistas chamam a atenção dos pais para observarem como o recém-nascido reage a alguns sons. Apesar dos sinais nesta fase serem mais sutis, é possível perceber se o bebê está se familiarizando com a voz dos seus cuidadores e se reagem com susto a sons altos.

Conforme os bebês crescem, os sinais podem se tornar mais evidentes. Nesta fase, é importante acompanhar a evolução do desenvolvimento da fala, se a criança reproduz alguns barulhos e se começa a emitir sílabas e sons que podem parecer palavras.

A alfabetização é o terceiro momento importante no diagnóstico da perda auditiva. Dr. Koji observa que problemas no acompanhamento escolar podem ser indicativos de surdez. “A perda leve já impacta na alfabetização e, muitas vezes, é um grande problema porque passa despercebido”. Por isso, o médico orienta que, ao identificar nas crianças qualquer dificuldade inicial de alfabetização, os responsáveis devem procurar um otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo para avaliar a audição.

Surdez adquirida: quando a perda da audição poderia ser evitada

O médico ainda afirma que a maioria das crianças diagnosticadas com surdez já nasce com a condição, mas que é preciso ficar atento à evolução do quadro. “Tem uma porcentagem que nasce com uma surdez leve e vai piorando ao longo dos primeiros anos. Não é raro uma criança que passa no teste de orelhinha, está normal na maternidade, e descobre alguns meses depois que tem surdez.”

Além deste cenário, outra situação tem se tornado cada vez mais comum: a surdez adquirida. Dados da OMS apontam que 60% da perda auditiva infantil ocorre por causas evitáveis. Segundo a organização, cerca de 1,1 bilhão de jovens com idades entre 12 e 35 anos correm risco de sofrerem perda de audição devido à exposição a ruídos nos telefones, em ambientes recreativos, em shows, entre outros.

Dr. Koji esclarece que o ouvido da criança tem maior risco de lesão auditiva por ruído do que adultos e chama a atenção para o uso de aparelhos eletrônicos: “Muito cuidado com fone de ouvido em criança. Por quê? Você não está ouvindo o que ela está ouvindo, às vezes ele está com um fone de ouvido muito alto e você não sabe. Não existe hoje um stop que limite o volume”.

Programa de Diagnóstico Precoce da Surdez

Sabemos que não é fácil lidar com a suspeita ou a confirmação da deficiência auditiva. A situação costuma gerar ansiedade e preocupação nas famílias, mas o caso de um diagnóstico positivo não é uma sentença definitiva. Apesar da surdez ser uma das principais doenças que afetam o desenvolvimento das crianças, especialmente no aprendizado da escrita e leitura, ela é tratável.

O nosso Programa de Diagnóstico Precoce da Surdez foi lançado em junho deste ano para atender crianças e adolescentes de 0 a 18 anos com suspeita ou diagnóstico confirmado de perda auditiva. Além do reteste da orelhinha e do exame de BERA com sono natural (sem o uso de anestesia) realizado até 6 meses de idade, o programa também oferece exames com anestesia, cirurgia de implante coclear, próteses implantáveis e orientação para uso de aparelhos auditivos.

Doris Lewis, fonoaudióloga do nosso hospital e responsável pela realização dos exames audiológicos, conta como o Programa de Diagnóstico Precoce da Surdez oferece um atendimento seguro com uma equipe especializada em pediatria e em um ambiente pensado para trazer mais conforto aos pequenos. “Até 6 meses de idade podemos fazer o diagnóstico sem anestesia, com sono natural, em uma sala adaptada, com luz baixa e espaço adequado para mãe ficar com a criança no colo”, explica.

Outro cuidado especial é a prioridade para a realização dos exames no momento do sono do bebê, evitando momentos de desconforto para os pequenos que podem estranhar estar em um espaço novo com pessoas desconhecidas. Com isso em mente, os profissionais do Sabará Hospital Infantil entram em contato com a família antes do exame para conhecer os hábitos da criança e, juntos com os pais, encontrarem a melhor forma e horário para a realização do procedimento.

Lewis destaca que todo esse suporte especializado, centrado na criança, é o que oferece maior tranquilidade para as famílias, mesmo em situações que possam exigir intervenções. “Todo mundo está preparado para atender os bebês. O ambiente é para criança, o centro cirúrgico é adaptado para crianças, todos profissionais são especializados em criança. Então, esse é um grande diferencial”, observa.

Telemedicina agiliza o atendimento para dúvidas e revisão de exames

Outro destaque do programa é o atendimento por telemedicina. Em um primeiro momento, as famílias que já tenham algum exame alterado ou outras dúvidas podem consultar de forma remota um dos nossos especialistas em audiologia. Assim, apenas em caso de necessidade, a criança será encaminhada para a avaliação presencial no Centro de Excelência, reduzindo os deslocamentos da família e agilizando o atendimento.

Alguns casos de surdez podem estar associados a outras doenças, o que implica em um acompanhamento multidisciplinar com profissionais de diversas áreas. Nesse sentido, nosso Centro de Excelência concentra em um mesmo local mais de 70 médicos especialistas, integrados a uma equipe multiprofissional formada por fisioterapeutas, nutricionistas, enfermeiras, psicólogos e fonoaudiólogos.

Independentemente da escolha terapêutica adotada pela família, em conjunto com a equipe médica, especialistas e entidades ligadas à saúde auditiva infantil são unânimes em uma questão: o diagnóstico precoce é fundamental para o bem-estar da criança e o seu futuro com qualidade de vida. Os pequenos que recebem cuidados desde cedo têm melhores condições de desenvolverem a fala, a linguagem e todo o processo de aprendizagem.

“O mais importante é que as crianças tenham o melhor atendimento possível para gente poder tê-las na escola o quanto antes. A escolarização, a leitura e a escrita é importantíssima para o aprendizado geral de uma criança. O que a gente não aprende sem ler e escrever, não é?”, comenta Doris Lewis.