Centros de Excelência e Serviços / Programa de Terapia Fetal e Neonatal

Sobre o programa

O Programa Terapia Fetal e Neonatal do Hospital Sabará é o primeiro serviço do País a integrar dentro de um hospital infantil um serviço de medicina e cirurgia fetal permitindo assim o atendimento integral de gestantes com fetos com qualquer tipo de malformação. Essas gestantes são acompanhadas desde o pré-natal, exames ultrassonográficos, procedimentos diagnósticos e cirúrgicos intra-uterinos, além de consultas ainda durante o pré-natal com os médicos especialistas que cuidarão do recém-nascido. O parto, quando for possível agenda-lo, será também realizado no Hospital Sabará garantindo o nascimento dentro de uma estrutura especializada em atendimento infantil.

 

Tel:  11 25262526

 

As principais doenças que nosso programa atende são:

 

Meningomielocele

Falha no fechamento da coluna vertebral com exposição da medula. Crianças com essa doença tem dificuldades de andar com risco de paralisia das pernas, incontinência urinária, hidrocefalia associada. A correção cirúrgica pré-natal por uma técnica minimamente invasiva chamada fetoscopia diminui de forma considerável esses riscos.

 

Alteração do crescimento em um dos gêmeos

Gêmeos que compartilham a mesma placenta podem receber a nutrição da mãe de forma desigual levando a dificuldade do crescimento de um dos bebês e em situações mais graves com diminuição da oxigenação desse feto. Em situações graves com risco para ambos os fetos podemos, por fetoscopia, separar na placenta a circulação dos dois com laser para que complicações em um bebê não afetem o desenvolvimento do outro.

 

Gêmeos com síndrome transfusor-transfundido

Gêmeos que compartilham a mesma placenta podem ter mais vasos da placenta indo para um dos bebês. Com isso, um bebê pode ter um volume grande de sangue, descompensando o coração e produzindo mais líquido amniótico que é a urina do bebê e o outro ter pouco sangue e com isso produzir menos líquido e ter dificuldades de crescimento e oxigenação. Por fetoscopia (laparoscopia) identificamos esses vasos e separamos a circulação desses fetos cauterizando com laser os vasos anômalos.

 

Obstrução urinária baixa

O principal componente do líquido amniótico é a urina do feto. Em alguns casos o feto pode apresentar uma obstrução entre a bexiga e a uretra e não conseguir esvaziar a bexiga. Isso gera um aumento da bexiga (megabexiga) e esse aumento na pressão da bexiga impede que a urina produzida nos rins consiga ir para a bexiga. Com isso os rins entram em falência (insuficiência renal) parando de produzir a urina. O tratamento pode ser feito através da colocação de cateteres que vão desviar a urina da bexiga diretamente para o líquido amniótico ou através de cirurgia fetal por fetoscopia (laparoscopia), utilizando um laser específico para a abertura da uretra.

 

O sequestro broncopulmonar

Também chamado de sequestro pulmonar (SP), é uma condição na qual uma parte do tecido do pulmão não se comunica com a traqueia e os brônquios. O SP se caracteriza então por uma massa que não está conectada ao pulmão normal. Desta forma, o SP não funciona na respiração. O suprimento sanguíneo de um SP não vem dos vasos pulmonares, mas sim diretamente da artéria aorta, na maioria dos casos com isso a irrigação dessa massa pode ser exagerada e levar a uma descompensação cardíaca do feto com acúmulo de líquido em diversas cavidades do feto (hidropisia). Nesses casos, os vasos sanguíneos que alimentam o SP podem ser ocluídos através da energia do laser. Este procedimento requer uma sedação leve da mãe e pode ser realizado apenas através de punção do tórax fetal guiada pela ultrassonografia. A hidropsia fetal geralmente desaparece em três a quatro semanas.

 

Brida amniótica

Ocorre quando a membrana que reveste internamente a “bolsa das águas” (membrana amniótica) se rompe “aprisionando” um membro ou parte fetal. Isto pode levar a deformidades das mãos e pés, estreitamentos e, em casos mais graves, até à amputação da parte fetal aprisionada. Nos casos de estreitamento do membro, quando se julga que a amputação é iminente, uma alternativa possível é “cortar” a membrana responsável pelo estreitamento através de cirurgia fetal endoscópica com laser ou com delicada tesoura.

 

Teratoma sacrococcígeo e tumor gigante de pescoço

São tumores geralmente benignos, ricamente vascularizados, que aparecem na região sacral (entre as nádegas) fetal ou na região do pescoço do feto que, na maioria das vezes, será operado apenas depois do nascimento. Em algumas situações, eles podem apresentar um crescimento muito rápido, chegando a atingir o mesmo peso do feto. Quando o tumor cresce muito, pode ocorrer uma sobrecarga do coração fetal, que passa a bombear sangue para si e para o tumor. A cirurgia fetal por fetoscopia pode ser uma opção com objetivo de coagular os vasos do tumor, reduzindo sua velocidade de crescimento, poupando o coração fetal.

 

Estenose crítica das valvas cardíacas (Aorta, tricúspide ou forame oval)

O estreitamento crítico de uma valva leva a uma sobrecarga da câmara ventricular que bombeia contra uma resistência alta, diminuindo muito a capacidade de contração do coração. Ocorre uma redistribuição anormal do fluxo dentro do coração, que leva à necessidade de cirurgias complexas para estabelecer um fluxo sanguíneo adequado após o nascimento.  A cirurgia fetal pode “alargar” o ponto de estreitamento permitindo que os ventrículos cardíacos possam manter sua capacidade de contração.

 

Além dessas doenças que tem cirurgias fetais bem definidas, nosso grupo acompanha a evolução dos fetos com qualquer malformação, verificando a evolução do seu crescimento, oxigenação e definindo o melhor momento para o parto, que será realizado no Hospital Sabará. Dentre as inúmeras doenças, destacamos: onfalocele, gastrosquise, doenças do coração do feto, hidrocefalia, infecções fetais, fendas lábio-palatinas, tumores fetais, hidronefrose, genitálias ambíguas e alterações esqueléticas.

Autor: Dr. Gregório Lorenzo Acácio e Dra. Denise Araújo Lapa

Atualizado em: 20/5/2020