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Departamento de Oncologia

A especialidade de cancerologia ou oncologia pediátrica é a área da medicina que trata de crianças e adolescentes com câncer. Se seu filho tem a suspeita de tal doença, é este especialista o mais habilitado a diagnosticá-lo e tratá-lo.

O Departamento de Oncologia do Sabará Hospital Infantil reúne especialistas com reconhecimento internacional, qualificados para lidar com o câncer infantil e preparados para atender às necessidades tanto da criança quanto de sua família.

Esta equipe de ponta tem à disposição recursos avançados para realizar o diagnóstico e o tratamento dos diversos tipos de câncer e suas complicações, otimizando as possibilidades de sucesso nos cuidados com seu filho.

 

Diagnóstico

O câncer é uma doença relativamente rara na infância e na adolescência. Sabe-se que, em média, um pediatra geral atende menos de 10 casos durante toda a sua vida profissional. Além disso, o fato de o câncer em crianças apresentar vários sintomas comuns à outras doenças benignas, faz com que o diagnóstico seja muitas vezes difícil ou retardado.

Nossa atuação em Oncopediatria segue o mesmo padrão de grandes hospitais pediátricos americanos. Assim, estamos inseridos em um serviço que reúne especialistas de várias áreas da pediatria, o que nos possibilita abordar o câncer, suas complicações e as intercorrências relacionadas ao tratamento oncológico de forma multidisciplinar. Entendemos que o tratamento oncológico necessita da atuação conjunta de vários profissionais das mais diversas áreas e, portanto, somente com excelente estrutura física e de recursos humanos é possível acolher adequadamente o paciente com câncer.

A cada mês, em média, entre 2 e 3 casos novos são atendidos por nossos especialistas. Em geral, a criança com suspeita de câncer é referendada pelo médico do nosso Pronto-Socorro ou já vem encaminhada por seu pediatra particular para avaliação especializada.

Dentre os diferentes tipos de câncer da infância que tratamos estão:

 

  • Leucemias
  • Linfomas
  • Tumores Cerebrais
  • Tumores abdominais (tumor de Wilms, Neuroblastoma, hepatoblastoma, carcinoma de adrenal)
  • Tumores ósseos e de partes moles (osteossarcoma, sarcoma de Ewing, rabdomiossarcoma)
  • Tumor de células germinativas
  • Retinoblastoma

 

Para alcançarmos altos índices de cura temos em mente que é preciso agir de modo multidisciplinar e com uma visão global do paciente, para que se chegue a um profundo conhecimento das questões específicas que envolvem cada criança.

Além da equipe médica, contamos com um corpo de enfermagem treinado para cuidar especificamente de crianças, bem como outros profissionais que se somam para reforçar a rede de apoio ao paciente, tais como psicólogo, assistente social, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional e nutricionista.

Por sermos referência na área, temos condições de realizar todos os exames e procedimentos necessários para o diagnóstico e tratamento precisos do câncer na infância.

Dentro de um mesmo espaço físico, reunimos equipamentos e estrutura de diagnóstico de última geração, bem como profissionais das mais diversas especialidades pediátricas. Isso facilita a interface entre oncologistas e médicos de outras áreas, contribuindo para a maior agilidade, comodidade para o paciente e a família e assertividade nas condutas terapêuticas.

Dependendo do caso, essa interação dentro do Sabará pode envolver a Oncopediatria com áreas como Neurologia, Dermatologia, Endocrinologia, Oftalmologia, Nefrologia, Cirurgia Oncológica, Cirurgia Buco-Maxilo-Facial, Cuidados intensivos, Cuidados Paliativos, entre outras. Vale dizer ainda que a excelência dos nossos Anestesiologistas é referência nacional, e que todos os profissionais envolvidos nos cuidados da criança com câncer estão prontos a buscar formas de minimizar a ansiedade do paciente e das pessoas que possuem vínculo afetivo com ele.

A premissa fundamental é prestar um atendimento humanizado, totalmente focado no bem-estar do paciente. Para isso, observamos todos os fatores que podem estressar a criança e procuramos amenizá-los da melhor forma possível. Contamos com um conjunto de práticas que incluem desde a forma como nossos profissionais conversam com o paciente, até o ambiente hospitalar, com decoração acolhedora e descontraída pensada para o público infantil.

 

Sinais e sintomas do câncer na infância

Os tumores malignos da infância, diferentemente do que ocorre nos adultos, tem sua origem mais frequentemente nos sistemas hematopoiético (leucemias, linfomas), sistema nervoso central e tecido mesenquimal. Em geral, são neoplasias de crescimento rápido, o que implica na necessidade de um rápido e assertivo diagnóstico.

Não existem sinais ou sintomas patognomonicos do câncer infantil. O câncer pediátrico mimetiza, no seu início, as principais patologias pediátricas. Os sinais e sintomas são muitas vezes semelhantes a várias outras doenças muito mais frequentes, o que contribui para o atraso diagnóstico. A persistência da mesma queixa após terem sido tomadas condutas para doenças habituais na infância sem sucesso, devem fazer com que o médico amplie sua chave de diagnósticos diferenciais, incluindo o câncer. É necessário alto índice de suspeita e competência clínica para que o diagnóstico possa ser o mais precoce possível.

Em nosso meio é muito frequente que o paciente tenha recorrido à assistência médica várias vezes com a mesma queixa no decorrer de semanas ou meses, ou com agravamento progressivo da queixa, até que seja feita a hipótese de câncer. Infelizmente, nesses casos, muitas vezes o diagnóstico é feito apenas quando a doença já assumiu um estágio avançado.

O câncer pode se manifestar através de sinais e sintomas inespecíficos e/ou sinais e sintomas relacionados à presença do tumor (Quadro 1).

O otimismo exagerado, levando ao atraso da investigação com a ideia de que “isto não é nada já vai passar”, assim como o pessimismo “se for câncer vai morrer mesmo”, são muitas vezes responsáveis pelo diagnóstico tardio e piora dos índices de cura.

 

Sinais e sintomas inespecíficos

Comumente, os tumores pediátricos iniciam sua manifestação com sintomas inespecíficos, sem vestígio de sua localização, tais como febre, perda de peso, dores articulares, Adenomegalias, hepatoesplenomegalia, cefaleia, ou seja, “aquela criança que deixa de evoluir bem”.

A associação de um ou mais desses sintomas ou sua persistência além do período aceitável para uma hipótese diagnóstica mais simples são os primeiros sinais de alerta de que pode se tratar de uma neoplasia maligna ou outra doença também grave, que merece melhor atenção e investigação.

 

Quadro 1. Sinais e sintomas do câncer na infância
Sinais e sintomas inespecíficos Febre

Perda de peso

Palidez cutâneo-mucosa

Dores articulares e ou ósseas

Manchas roxas pelo corpo não atribuíveis a batidas .

Adenomegalias

Hepato-esplenomegalia

Cefaléia

“Criança que não evolui bem”

 

Sinais relacionados ao tumor Adenomegalia: gânglios múltiplos e coalescentes

Dor abdominal persistente: história e exame físico alterado

Manifestações neurológicas: cefaléia, em especial matutina. Criança acorda a noite com cefaleia. Associação com vômitos, geralmente sem náuseas.

Dor óssea: que se mantém em repouso e à noite

Sangramento vaginal em crianças que ainda não estão em idade menstrual

Massas abdominais

Tumores ósseos

Tumores musculares

Massas testiculares

 

Sinais relacionados ao tumor


Adenomegalias

 

As adenomegalias, popularmente conhecidas como ínguas, são bastante frequentes na criança e, em geral, estão relacionadas a infecções sistêmicas ou localizadas. Ao se abordar uma criança ou adolescente com adenomegalia, é necessário, além de uma história cuidadosa, um exame físico bem feito em que todas as cadeias ganglionares sejam examinadas. Além disso, deve se fazer a busca ativa de focos infecciosos localizados, tais como infecção dentária ou dentes mal-conservados, infecção amigdaliana, cutânea, entre outros. O aspecto do linfonodo deve ser avaliado com cuidado, pois linfonodomegalias reacionais podem acometer mais de um linfonodo da mesma cadeia ganglionar, mas não costumam ser aderidos entre si, nem com as estruturas vizinhas, enquanto gânglios neoplásicos tendem a ser múltiplos e coalescentes. O acometimento de cadeias ganglionares não observadas usualmente, tais como: fossa supraclavicular, região cervical baixa, axilar, pré–auricular, epitrocleano e poplítea, merece investigação com exames de imagem e biópsia precoce, visando afastar doenças mais graves, como linfomas e infecções crônicas.

Os pacientes com adenomegalias generalizadas, com ou sem hepatoesplenomegalia, devem ser avaliados com atenção especial. A associação de sintomas como dores ósseas, anemia, febre, petéquias ou equimoses deve ser, obrigatoriamente, investigada com hemograma completo, radiografia de tórax e ultrassonografia de abdome. A alteração de duas ou mais séries do hemograma (anemia, plaquetopenia, leucocitose ou leucopenia) indica a necessidade de mielograma para se afastar a hipótese de leucemia. A presença de alargamento mediastinal ou massa abdominal volumosa com aspecto “em saco de batata” leva à hipótese de linfoma, devendo ser realizado mielograma e, caso este seja normal, biópsia ganglionar precocemente.

 

Dor abdominal

 

Grande parte dos tumores abdominais é acompanhada por dor. Esta, no entanto, é talvez uma das queixas clínicas mais comuns em Pediatria, neste caso relacionadas muitas vezes a distúrbios do trato digestório, verminoses e outras tantas causas não oncológicas. Assim, uma criança com dor abdominal deve ser investigada por meio de uma história detalhada, pesquisando-se alteração do hábito intestinal, vômitos, alteração urinária, etc. Além de um exame físico acurado, com palpação bi manual, visando verificar alterações da loja renal, palpação em decúbito lateral, presença de ascite, etc. Caso haja alguma alteração do exame físico, será necessária uma investigação por imagem. A ultrassonografia é exame de eleição para investigação inicial de massas intra-abdominais ou retroperitoniais pela sua disponibilidade, rapidez e não necessidade de sedação. Caso se detecte massa abdominal, é obrigatório que rapidamente se descarte uma neoplasia maligna.

 

Manifestações neurológicas

 

Em relação aos tumores do sistema nervoso central, é importante ter em mente que sinais de hipertensão intracraniana nem sempre surgem nas fases iniciais do quadro. A cefaléia da hipertensão intracraniana pode ou não ser acompanhada de vômitos, mas frequentemente ocorre pela manhã, logo ao despertar, ao contrário da enxaqueca e dos distúrbios de acuidade visual que ocorrem durante o dia, após a escola ou alguma atividade. As manifestações neurológicas, tais como ataxia, estrabismo adquirido e paraparesias devem ser sempre valorizadas logo ao surgimento. Já a persistência de torcicolo, além de sua duração habitual em torno de 5 a 7 dias, implica a pesquisa de paralisia de nervos oculares e sinais de compressão medular alta. Em crianças mais velhas, acima de 5 anos de idade mudança de comportamento (irritabilidade,agressividade,prostração, perda do interesse na escola)poderão ser sinais de alerta para um tumor cerebral.

 

Dor óssea

 

A dor óssea é uma queixa muito frequente, principalmente em membros inferiores, em geral relacionadas a trauma de esportes e à famosa dor de crescimento. A dor traumática, ou após a prática esportiva, tende a melhorar em poucos dias com ou sem medicação. Já crianças ou adolescentes com neoplasia óssea ou infiltração leucêmica não apresentam qualquer melhora com o tempo, ao contrário, pioram. Em geral verifica-se que a dor se mantém mesmo à noite enquanto o paciente dorme. A presença de aumento de volume também é indicação de propedêutica por imagem, na qual se deve verificar a presença de reação periosteal, rarefação ou lise óssea, já que os quadros traumáticos tendem a acometer a articulação e, as neoplasias, o osso.

É muito frequente confundir uma infiltração leucêmica com quadro reumático, pois ambas cursam com dores osteoarticulares e apresentam alteração das provas inflamatórias inespecíficas. O uso de corticosteróides só deve ser feito após o diagnóstico preciso de uma patologia reumática e exclusão de uma possível leucemia, por meio de hemograma e mesmo mielograma, pois o uso de corticosteróides em uma criança leucêmica acarretará em controle transitório da leucemia e maior dificuldade para o diagnóstico. O uso abusivo de corticosteroides em pediatria deveria ser evitado. Calcula-se que 20% das leucemias na infância tem o diagnóstico postergado e suas chances de cura diminuídas pelo uso de corticoide prévio.

 

Presença de massa tumoral

 

A presença de uma massa ou nódulo em subcutâneo, tecido muscular e abdome deve alertar o médico para a necessidade de biópsia, visto que são poucas as patologias que podem ser consideradas benignas, baseadas apenas na sua aparência e localização. A presença de uma lesão nodular que não evolui com processo inflamatório não regride ou que aumenta de volume em alguns dias, deve ser biopsiada ou ressecada, para que seja afastada a hipótese de uma neoplasia.

 

Sinais e sintomas mais frequentes

 

Manifestações Diagnóstico
Adenomegalias Linfonodos indolores, coalescentes, sem sinais flogísticos, uma ou mais cadeias envolvidas; localização de alto risco: supraclavicular e cervical baixa Linfomas
LeucemiasMoléstia de Hodgkin
Manifestação neurológica Cefaléia matutina, vômitos recorrentes sem náusea, estrabismo adquirido, paralisia de pares craneanos; distúrbio de marcha, desequilíbrio. Tumor de SNC
Sinais hemorrágicos Sangramento gengival espontâneo, equimoses expontâneas fora de áreas de trauma (região pré-tibial, joelhos, cotovelos), petéquias Leucemias
Dor óssea Associada ou não a trauma que não melhora após alguns dias, dor em mais de um osso Leucemia

Neuroblastoma

Dor abdominal Dor abdominal prolongada ou recorrente sem patologia gastro-intestinal, aumento do volume abdominal Tumor Wilms
NeuroblastomaTumor Hepático
Nódulos em partes moles Nódulo ou massa subcutâneo ou muscular de crescimento progressivo sem sinais flogísticos e aderido aos planos profundos    Sarcomas

 

 

População de risco

O pediatra deve estar sempre atento também no acompanhamento de crianças portadoras de malformações congênitas, síndromes genéticas ou com histórico familiar de câncer. Esses pacientes fazem parte de uma população de risco para o desenvolvimento de neoplasias. Pacientes que apresentam, por exemplo, hemihipertrofia isolada (quando um dos lados ou parte dele é maior do que o outro) ou aqueles que apresentam a síndrome de Beckwith-Wiedemann (hemihipertrofia, visceromegalia e macroglossia) têm chance maior de desenvolvimento de tumores embrionários, especialmente, nefroblastoma e hepatoblastoma.

Outro exemplo são os pacientes portadores de síndrome de Down, que têm uma frequência de neoplasias do sistema hematopoiético 40 vezes maior do que a população sem a síndrome.

Um filho de casal em que um dos genitores teve retinoblastoma bilateral na infância tem risco de 50% de desenvolvimento da mesma doença.

Autor: Mariana Setubal

Atualizado em: 18/8/2017