Tratamentos atualizados, equipe multidisciplinar e acompanhamento psicológico são destaques do Centro de Tratamento à Criança Queimada do Sabará - Hospital Sabará
Tratamentos atualizados, equipe multidisciplinar e acompanhamento psicológico são destaques do Centro de Tratamento à Criança Queimada do Sabará
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Tratamentos atualizados, equipe multidisciplinar e acompanhamento psicológico são destaques do Centro de Tratamento à Criança Queimada do Sabará

Coordenado pelo Dr. Luiz Philipe Molina Vana, o centro atende crianças com diferentes tipos de queimadura a partir de protocolos eficazes e tecnologia de ponta

Em outubro de 2023, o Sabará inaugurou o Centro de Tratamento à Criança Queimada (CTCQ), reunindo uma equipe altamente especializada em cuidar das particularidades de queimaduras em pacientes pediátricos. O serviço presta atendimento emergencial dentro do Pronto-Socorro, lidando com casos simples de queimaduras e com situações graves que demandam atenção imediata na unidade de terapia intensiva.

Mais de seis meses após a inauguração, os profissionais que fazem parte da equipe multidisciplinar do CTCQ continuam a se aperfeiçoar e pesquisar novas tecnologias para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. “O paciente queimado é complexo, com múltiplas facetas. Uma criança com queimadura grave terá características individuais de cicatrização, dieta, sistema imunológico, quanto ela aceita de cada medicação… Então temos que ir o tempo todo atrás de compreensão do tratamento, novas drogas e tecnologias e como tudo isso influencia na cura da ferida”, explica o Dr. Luiz Philipe Molina Vana, coordenador do CTCQ.

A partir do atendimento multidisciplinar, a equipe do CTCQ consegue determinar o melhor tratamento para evitar sequelas, cicatrizes e impactos psicológicos. “A queimadura é uma patologia que demanda o tratamento multidisciplinar, então precisamos de cirurgiões plásticos, infectologistas, pediatras, intensivistas, enfermagem, fisioterapeutas, terapia ocupacional. Todo um leque de profissionais atuando junto ao paciente garantindo que ele não só sobreviva, mas que sobreviva com qualidade de vida, sem sequelas psicológicas e físicas”, completa o especialista.

Pele artificial e laser são tratamentos efetivos utilizados no Sabará em casos de queimaduras graves

A pele é formada por duas camadas: uma camada profunda, chamada derme, e outra superficial, a epiderme, que é o exterior da pele. Quando sofremos uma queimadura, a epiderme é sempre atingida, mas a derme só é prejudicada se for um quadro mais grave, equivalente a uma queimadura de 2º ou 3º graus.

Quando a temperatura é profunda e afeta diretamente a derme, o tratamento envolve enxertos de pele – quando tiramos a pele de um local saudável do corpo para cobrir o ferimento. Em casos de queimaduras extensas, é possível utilizar a matriz de regeneração dérmica, também chamada de pele artificial.

“Não temos exatamente uma ‘pele artificial’ e acredito que jamais teremos, mas o que chamamos hoje por esse nome é um sistema de curativos permanentes que é incorporado ao ferimento. Se você queimar 50% do corpo, por exemplo, terá cerca de 35% de área restante saudável que poderá ser usada para fazer enxertos de pele. Se a queimadura for ainda maior, precisaremos reutilizar a área doadora, e o enxerto terá que ser fino, só de epiderme, com pouca qualidade. A partir disso, se desenvolveu um produto que chamamos de pele artificial, que vai imitar a derme que o paciente não tem. Esse tratamento permite que pacientes com queimaduras extremamente extensas possam se recuperar com mais rapidez”, explica o médico.

Além da pele artificial, a equipe do Sabará utiliza também o laser de CO2 fracionado, capaz de melhorar a recuperação após a cicatrização terminar. “Mesmo quando fazemos tudo certo, as cicatrizes podem não ficar tão boas quanto gostaríamos. Nesses casos, o laser de CO2 fracionado, o mesmo utilizado para rejuvenescimento facial em adultos, permite a melhoria substancial das cicatrizes. Alcançamos resultados incríveis com essa técnica no CTCQ”, completa o Dr. Molina.

Diminuição das sequelas e acompanhamento psicológico é essencial para a evolução do cuidado de pacientes queimados

Além da cicatrização da ferida, a preocupação dos profissionais do CTCQ é que a criança consiga se recuperar com qualidade de vida. “Temos três principais tipos de sequelas em pessoas queimadas: as funcionais, como uma cicatriz que não permite que a mão da pessoa feche, a não-funcional, que afeta a aparência, e as psicológicas. Sofrer uma queimadura é um trauma pesado, a criança pode desenvolver medo da dor, medo de hospital, fobia social, ter medo de sair de casa. Nosso objetivo no tratamento não é apenas salvar a vida, e sim trazer dignidade ao paciente. Ele precisa sair do hospital com a possibilidade de ter uma boa vida, ser feliz”, analisa o médico.

Para o Dr. Molina, é preciso problematizar a invisibilidade do paciente queimado, que tende a se esconder da sociedade caso tenha sequelas graves. “As pessoas sabem tão pouco sobre queimaduras graves porque os afetados se escondem, com medo de serem vistos, de mostrar as cicatrizes. Essas pessoas perdem suas vidas sociais e afetivas, e precisamos mudar esse cenário. O esforço para evitar cicatrizes e para tratar o psicológico dessas pessoas muda todo o cuidado que oferecemos”.

No Sabará, o CTCQ oferece cuidado psicológico não só para os pacientes pediátricos como para as famílias afetadas. “É muito duro para um familiar ver a criança sofrendo de algo tão devastador quanto uma queimadura grave. No caso de uma criança com um ou dois anos de idade, o estado dos pais é ainda mais complicado, porque a criança ainda não se expressa muito bem. Nesse caso, quem precisa de atendimento psicológico são os pais. Atendemos a família junto com a criança, e essa humanização faz toda a diferença no resultado do tratamento”.

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