Ventrículo Único - Hospital Sabará
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Ventrículo Único

 

Ventrículo Único (VU) é o nome dado ao conjunto de cardiopatias que possuem apenas um ventrículo capaz de suportar todo o sangue que vem do corpo e do pulmão, sendo o outro muito pequeno (hipoplásico) ou quase inexistente. Dessa forma, o mesmo ventrículo recebe sangue dos dois átrios, tanto do Átrio Esquerdo (que recebe o sangue dos pulmões) quanto do Átrio Direito (que recebe o sangue do corpo) e o envia as duas artérias, tanto para a Artéria Pulmonar (que envia sangue aos pulmões) quanto para a Artéria Aorta (que envia sangue ao corpo).

Esse conjunto de cardiopatias pode variar muito, tanto quanto ao tipo de Ventrículo Principal (tipo Direito, Esquerdo ou Indeterminado), que recebe as duas circulações, quanto as estruturas as quais ele está conectado (Átrio Direito, Átrio Esquerdo, Artéria Pulmonar e Artéria Aorta), bem como quanto as lesões associadas. O importante, no entanto, que faz essas cardiopatias serem agrupadas no mesmo grupo é que do ponto de vista de funcionamento do coração, é como se existisse um único ventrículo, apesar de maioria das vezes o outro estar presente, porém apresenta dimensões tão pequenas que não consegue suportar todo o sangue circulante pelo organismo.

É uma cardiopatia rara, que atinge cerca 1,5% de todas as cardiopatias congênitas.

 



Tratamento

Com o diagnóstico pré-natal da cardiopatia ou o bebê apresentar-se cansado ou cianótico, deve-se encaminhar o bebê a UTI Neonatal. Se houver suspeita de que o coração não consegue enviar sangue adequadamente ao corpo ou ao pulmão, deve-se iniciar, imediatamente a infusão de Prostaglandina por via endovenosa, esse medicamento vai fazer com que o Canal Arterial se mantenha aberto e o sangue seja direcionado ao organismo do bebê. Para isso, o neonatologista ou cardiologista pediátrico realizará a passagem de um cateter pela veia, sai do umbigo do bebê e chega ao coração. Além disso, o recém-nascido poderá necessitar de cuidados especiais ao nascimento, aconselhando-se assim o parto em hospitais estruturados para receber esse tipo de paciente e atendimento por profissionais bem treinados e experientes. Após os cuidados iniciais do bebê, e realização do Ecocardiograma, é avaliado se o recém-nascido necessitará ou não de alguma intervenção cirúrgica nesse momento. Assim, se houver obstrução da passagem de sangue ao pulmão, de modo que ele precisa que o canal arterial se mantenha aberto para o sangue ser oxigenado, então ele necessitará de uma cirurgia chamada de “Blalock-Taussig Modificado” que consiste em colocar um pequeno tubo entre a artéria subclávia (uma das artérias do corpo, que sai da primeira parte de artéria aorta) e a artéria pulmonar, outra opção é  feita por cateterismo e consiste em colocar um “stent” (pequeno molde), no canal arterial, impedindo com que ele se feche. O cardiologista pediátrico e cirurgião cardíaco pediátrico irão conversar sobre as melhores opções para cada caso. De forma contrária, se o bebê apresentar-se muito cansado, tiver dificuldade para mamar e para ganhar peso, o que normalmente não ocorre logo na maternidade, vai piorando com o decorrer do tempo, significa que vai muito sangue para o pulmão, então ele poderá necessitar, nos primeiros meses de vida, de um procedimento que limita um pouco a passagem de sangue ao pulmão, protegendo-o e melhorando os sintomas da criança, facilitando o seu desenvolvimento, ela é chamada de Bandagem das artérias pulmonares (amarração das artérias pulmonares). Para melhor visualização desse procedimento, imagine uma mangueira com um arame grosso em volta, essa parte do arame será mais estreita que o restante da mangueira. Está primeira etapa cirúrgica poderá ou não ser necessária, dependendo da apresentação clínica do bebê. Aproximadamente a partir dos 4 a 6 meses de vida, darão-se início aos procedimentos que farão com que esse coração se transforme, de fato em um coração Univentricular, pois o  sangue passa apenas uma vez pelo coração. Dessa forma, nesse momento, é realizada a cirurgia de Glenn que consiste em conectar a Veia Cava Superior (que traz o sangue que vem da cabeça) diretamente às artérias pulmonares e assim o sangue vem da parte superior do corpo e vai diretamente aos pulmões e só depois passa para o coração e é direcionado para Aorta, que envia sangue ao corpo. A última parte do tratamento é realizada a partir dos 2 anos, aproximadamente, e consiste em conectar a Veia Cava Inferior (que traz o sangue que vem da parte inferior do corpo) às artérias pulmonares, assim todo o sangue que vem do corpo vai diretamente ao pulmão, onde ele é oxigenado, encaminhado ao coração e posteriormente a Artéria Aorta que envia sangue ao corpo. Crianças com Corações Univentriculares, após completadas todas as partes do tratamento, poderão ter as atividades normais de sua faixa etária, devendo, no entanto, realizar acompanhamento de rotina com o cardiologista pediátrico.