Miocardite - Hospital Sabará
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Miocardite

 

A Miocardite é uma inflamação no músculo do coração, geralmente secundária a um quadro viral, que pode acometer desde o bebê ainda na barriga da mãe até adultos e é a causa mais comum de dilatação e disfunção do coração na infância.

Ela é uma doença, portanto, que não afeta a estrutura do coração propriamente dita. O sangue tem as origens e os destinos habituais do coração, no entanto, afeta de forma importante a função e o tamanho do coração, principalmente do Ventrículo Esquerdo. Dessa forma, o músculo cardíaco inflamado fica fraco e não consegue enviar, satisfatoriamente, o sangue para as partes às quais se destina, tanto à Artéria Pulmonar (no caso do Ventrículo Direito), quanto à Artéria Aorta (no caso do Ventrículo Esquerdo), com isso, o ventrículo vai aumentando de tamanho, pois esse músculo não consegue suportar a pressão que existe dentro dele.

Existe uma série de vírus que podem causar miocardite. Entre eles, destacam-se aqueles responsáveis pelas gripes  como adenovírus, influenza, vírus sincicial respiratório; os que causam diarreia, como os enterovírus, ou os que causam febre e vermelhidão na pele, como os vírus responsáveis pela rubéola, catapora e citomegalovirose.

A maioria dos casos de miocardite na infância, felizmente, tem uma boa evolução. Há recuperação total do coração em aproximadamente 66% dos casos e recuperação parcial em 10% dos casos. 24% deles, no entanto podem ter evolução ruim e apresentar essa condição permanente, com necessidade de transplante cardíaco no futuro.

 

 



Tratamento

Quando se tem evidência de que esse quadro foi causado por um processo inflamatório, seja ele decorrente de uma infecção viral ou não, pode-se fazer uso de medicamentos anti-inflamatórios e imunossupressores com o objetivo de diminuir a inflamação no músculo do coração. Porém, nem todas as crianças vão responder a eles. Devemos,  sendo esta condição temporária ou não, usar medicamentos para amenizar os sintomas. Dessa forma, lançamos mão de remédios que vão ajudar o coração a enviar sangue ao corpo e outros que não vão deixar que ele se acumule de forma tão intensa no pulmão. Quando esses medicamentos já não conseguem por si só melhorar a oferta de sangue e oxigênio ao corpo, podem ser necessários medicamentos que são infundidos continuamente na veia e ajudam o coração a bater de forma mais eficiente. Eles devem ser inseridos em cateteres que chegam diretamente no coração, pois é lá que vão exercer sua função. Essas crianças deverão, portanto, permanecer hospitalizadas. Conforme a força do coração vai melhorando, esses remédios vão sendo reduzidos gradualmente até sua retirada. A partir do momento que se tem evidência de que a função do coração não está melhorando, apesar do uso de medicamentos regulares, ou quando há a necessidade de uso de inotrópicos progressiva, deve-se indicar o Transplante Cardíaco. Sabe-se, no entanto, que mesmo após indicado o transplante, isso vai demorar a acontecer, pois depende de condições satisfatórias do paciente e de órgão compatível, o que é difícil, principalmente na faixa etária pediátrica. Por isso, existem recursos como a ECMO, a Assistência Ventricular e o Coração Artificial que substituem o coração e podem oferecer maior estabilidade clínica e melhora da qualidade de vida da criança para aguardar o Transplante Cardíaco. É importante ressaltar que, após o tratamento, essas crianças poderão exercer as atividades normais de sua faixa etária, porém mesmo após o transplante, irão necessitar de medicamentos de uso regular (para impedir que o organismo rejeite o novo órgão) e deverão fazer acompanhamento de rotina com o cardiologista.