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Hérnia Inguinal

A hérnia inguinal é a patologia cirúrgica eletiva mais frequente da criança. Decorre da ausência de fechamento do conduto peritoneovaginal, o que permite a passagem de estruturas intra-abdominais para a região inguinal. Quando o conteúdo do saco herniário é apenas líquido, forma-se a hidrocele comunicante.

Há grande preponderância do sexo masculino sobre o feminino. O lado direito é mais acometido (60%) e há maior incidência durante o primeiro ano de vida. A incidência em prematuros chega a 30% e em recém-nascidos de termo, de 1% a 4%.

O encarceramento é a complicação mais frequente da hérnia inguinal e consiste na exteriorização e permanência de alças intestinais (e/ou ovário e trompa) no saco herniário, com difícil redução. Há progressiva dificuldade de retorno venoso, levando a edema de alças e diminuição de fluxo sanguíneo, podendo ocasionar necrose de alça, o que caracteriza a hérnia estrangulada.

O encarceramento é mais frequente em crianças menores. O quadro clínico é de vômitos biliosos, distensão abdominal, parada de eliminação de gases e fezes, associada a tumoração inguinal ou inguinoescrotal endurecida, que não reduz espontaneamente.

O diagnóstico diferencial deve ser feito com o cisto de cordão e a hidrocele, que se caracterizam por tumoração cística não redutível na região inguinal e/ou escrotal, não associada aos outros sintomas descritos.

O tratamento da hérnia encarcerada é a redução incruenta ou cirúrgica. É muito raro não se conseguir a redução manual incruenta. Se não houver redução manual, a herniorrafia de urgência está indicada. Quando há sofrimento de alças, a redução incruenta, via de regra, não é possível.

Autores: Dr. Uenis Tannuri e Dra. Ana Cristina Aoun Tannuri
Fonte: Baseado no texto dos autores no livro Manual de Urgências e Emergências em Pediatria
Hospital Infantil Sabará – Ed. Sarvier