Gagueira - Hospital Sabará
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Gagueira

Estudo pontua que, na fase pré-escolar, ela melhora o desenvolvimento da linguagem e das habilidades não verbais.

A gagueira pode ser devastadora para as crianças e também para os adultos. Por isso, quando o pequeno está na fase pré-escolar e começa a gaguejar, pais e educadores ficam muito preocupados.

No artigo retirado da revista Pediatrics, os pesquisadores examinaram 1.619 australianos de 4 anos de idade que gaguejavam. Os investigadores encontraram a incidência cumulativa de 11% da gagueira até essa faixa etária, como também descobriram que a recuperação foi baixa, em torno de 6,3% após 12 meses do início desse quadro. A taxa de recuperação foi maior em meninos – vistos como os mais propensos a desenvolvê-la –, em comparação às meninas, e entre aqueles que não repetiram palavras inteiras no início da gagueira.

Os pesquisadores ficaram surpresos ao descobrirem que a gagueira nos anos pré-escolares foi associada com melhor desenvolvimento da linguagem e das habilidades não verbais, sem nenhum efeito identificável sobre a saúde ou o temperamento mental da criança aos 4 anos. Na maioria das vezes, as taxas mais elevadas de gagueira ocorreram em meninos, gêmeos e crianças cujas mães tinham formação universitária.

Melhores práticas correntes recomendam esperar até os 12 meses de idade antes do início do tratamento, a menos que a criança esteja angustiada. Há uma preocupação dos pais, um fato que evita que a criança relute a se comunicar. Os pais são encorajados a falar com um fonoaudiólogo ou um médico quando isso acontecer.

Não sou fonoaudiólogo, mas achei bem interessantes os resultados dessa pesquisa, sobretudo na pouca influência encontrada nas crianças que gaguejavam e no desenvolvimento da linguagem e de outras habilidades. De qualquer forma, como orientação aos pais, é sempre importante procurar um especialista da área para avaliação e conduta.

Por Dr. José Luiz Setúbal
Fonte: Natural History of Stuttering to 4 Years of Age: A Prospective Community-Based Study | revista Pediatrics