Programa de Voluntariado Sabará-PENSI resgata a importância do brincar e se torna referência para instituições no Brasil e no mundo - Hospital Sabará
Programa de Voluntariado Sabará-PENSI resgata a importância do brincar e se torna referência para instituições no Brasil e no mundo
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Programa de Voluntariado Sabará-PENSI resgata a importância do brincar e se torna referência para instituições no Brasil e no mundo

Em onze anos de história, voluntariado já contou com mais de mil voluntários e 80 mil horas doadas

Criado em 2012, o Programa de Voluntariado do Sabará e do PENSI surgiu quando Sandra Mutarelli Setúbal, presidente do Instituto PENSI e coordenadora da Rede de Humanização do Sabará, pensou em criar um programa dedicado ao brincar.

 

“Brincar é o que mais faz falta na vida de uma criança, especialmente quando falamos de pacientes internados. A criança aprende e se desenvolve por meio da brincadeira, e o voluntariado foi criado a partir dessa necessidade”, explica ela.

 

A primeira turma formada no Sabará contou com 100 voluntários, que passaram por uma formação teórica e prática. Mesmo com o programa ainda no início, Sandra e a equipe responsável pelo Voluntariado fizeram questão de criar uma formação robusta, que garante que os participantes estão aptos a lidar com a realidade do Hospital.

 

Quando falamos de trabalhar com crianças, as pessoas têm uma ideia de que tudo será maravilhoso. Mas essas crianças estão doentes, e precisam de um carinho e um cuidado especial. O papel do voluntário é resgatar a identidade da criança, porque quando ela entra no Hospital ela se torna paciente. Esse resgate acontece a partir do brincar, jogando um jogo, indo na brinquedoteca, criando um faz de conta…”, explica Caroline Sanches, coordenadora do Programa de Voluntariado do Sabará e do PENSI.

 

Formação técnica e prática é essencial para a capacitação dos voluntários

 

A partir da inscrição feita pelo site, o candidato a voluntário passa por um treinamento para decidir se de fato quer continuar com o programa.

 

“Primeiro, fazemos uma palestra explicando o Voluntariado e as responsabilidades. Também temos palestras sobre desenvolvimento infantil, um panorama do controle de infecção hospitalar, sobre os cuidados necessários para se trabalhar em um hospital, além de um treinamento de primeiros socorros. Depois, temos a parte prática, trabalhando durante três meses na rotativa entre centro cirúrgico, pronto-socorro, unidade de internação e UTI. Por fim, o voluntário decide qual seu setor de interessa“, explica Sandra Mutarelli.

 

Nessa troca, não são só os pacientes que ganham: a intenção é que o trabalho do voluntariado seja gratificante para ambos os lados, não só pelas capacitações como pelo lado afetivo do contato com os pequenos. “Dá uma alegria imensa você poder trazer um sorriso para essa criança, você saber que vai entrar no quarto e levar alento para as famílias. E para cuidar do lado emocional de nossos voluntários, também promovemos encontros periódicos com um psicólogo, fazendo acolhimento e evitando cansaço psicológico a longo prazo“, completa.

 

Rever metodologias e criar novos modelos de contribuição é essencial para o voluntariado pós-pandemia

 

Com a chegada da pandemia da Covid-19, tudo mudou: apenas o corpo médico e funcionários essenciais permaneceram no Sabará, com protocolos rigorosos para evitar possíveis contágios. O que poderia ter significado o fechamento do Programa de Voluntariado acabou se tornando uma reconstrução: a equipe desenvolveu novas formas de trabalho, com todos os voluntários trabalhando em regime remoto.

 

“Aí desenvolvemos a categoria do voluntário artesão, que faz brincadeiras e kits para as crianças receberem no Hospital. Era uma forma dos voluntários continuarem doando seu tempo e ajudou muito na saúde mental de todos, já que vários moram sozinhos e ficaram meses isolados do mundo. No meio de tudo que aconteceu, era essencial ter uma atividade, algo que trouxesse alegria e ainda ajudasse as crianças”, explica Caroline Sanches. “Muita gente que nunca tinha feito trabalho manual acabou aprendendo, foi algo lindo de se ver”, completa Sandra Mutarelli.

 

Hoje, com o fim do isolamento, a modalidade de voluntário artesão permanece. Os que escolhem essa especialidade fazem apenas a formação teórica, já que não fazem parte do cotidiano do Hospital. “Isso mudou tudo pra gente, a possibilidade das pessoas poderem ajudar de várias formas. Foi muito gratificante ver que, ao contrário de outros programas de voluntariado, nós nunca paralisamos nossas atividades ou recorremos a telas para brincar com as crianças. Acreditamos muito no valor da brincadeira além das telas”, explica Sanches.

 

Criação de kits e brinquedos sustentáveis traz a discussão do meio ambiente para o cotidiano infantil

 

Entre as atividades do voluntariado estão a criação de bonecos de papelão, contação de histórias, dias nos quais todos se fantasiam de super-heróis e a criação de kits para que a criança possa brincar sozinha ou com seus familiares.

Logo no início da criação do programa, Sandra Mutarelli achou essencial que o material usado nas brincadeiras fosse sustentável. “Eu pesquiso muito sobre brinquedos diferentes e os materiais usados, e sempre trouxe para o voluntariado essa vontade de inovar e criar brincadeiras divertidas a partir de materiais que seriam jogados no lixo. A primeira ideia foi de fazermos brinquedos de papelão, por exemplo. Sempre que possível, utilizamos materiais sustentáveis e temos essa conversa da importância de reciclar e cuidar do planeta”.

Educação continuada e expansão de fronteiras são objetivos para o futuro do voluntariado

A partir do início da formação dos voluntários, Sandra Mutarelli estabeleceu um manual do voluntariado, com regras, cuidados que devem ser tomados dentro do Hospital e valores do Sabará e do PENSI. Um dos projetos sociais da Fundação José Luiz Egydio Setúbal, o Programa é reconhecido no Brasil e no exterior, e prepara a criação de um guia para treinamento de instituições que queiram implementar um voluntariado hospitalar.

Durante a pandemia estabelecemos um networking muito bacana, com webinars de hospitais do Brasil, Portugal, México, Colômbia, Argentina e outros países. A partir dessa interação, desenvolvemos alguns e-books para falar das dificuldades enfrentadas por todos. Esse material dará origem ao nosso guia, que está em construção. Hoje somos referência para outros hospitais infantis, como o Pequeno Príncipe, que desenvolveu um kit surpresa para as crianças internadas a partir do nosso treinamento”, explica Caroline Sanches.

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