Profissional dentro e fora de campo

Jaime Fundão, Oficial de Manutenção I do Sabará, não conta para ninguém o seu time de futebol. A verdade é que ele não gosta muito de torcer, prefere apitar. Há 35 anos, ele atua como árbitro em cinco modalidades esportivas – futebol de campo, society, futsal, beach soccer e ainda vôlei.

“Mas posso garantir que meu time não é um dos quatro maiores de São Paulo”, diz o cuidador, que não é torcedor fanático, mas é louco por futebol. Todos os dias, se atualiza sobre os resultados dos jogos e é uma espécie de guru sobre o esporte para os amigos e colegas de trabalho.

O acreano que viveu em São Paulo a maior parte da vida, sempre teve empregos paralelos à função de árbitro. Já trabalhou em empresas do setor de alimentação, indústria e hospitais. Morou em nove estados, sempre acompanhado pela esposa, com quem tem cinco filhos. Um deles, aliás, seguiu a carreira de juiz e hoje está na Grécia como árbitro central de campo. “Eu não almejava isso pra ele, foi ele quem escolheu. Tenho muito orgulho de ter se tornado esse grande homem, que lutou para conseguir o que queria. Sinto muitas saudades”, conta Jaime.

Futuro no futebol

Apesar da boa forma física, em breve não poderá mais apitar jogos oficiais da Federação Paulista de Futebol por causa da idade. Mas Fundão não pretende se aposentar. Além de continuar trabalhando em jogos terceirizados, está estudando para se tornar delegado de partida e já é instrutor de arbitragem – formando novos árbitros.

Além disso, dá palestras a atletas iniciantes sobre as regras do esporte. Aos 48 anos, Jaime tem uma vida agitada, com jogos toda semana, cursos, palestras, além do trabalho no Sabará e de fazer companhia à esposa, com quem está junto há mais de 30 anos. E a confraternização de toda sexta-feira com os colegas de trabalho é sagrada.

Trajetória

Jaime começou a trabalhar cedo. Aos 16 anos, já atuava nas categorias de base. Nos anos 90 e até 2005, apitava jogos da primeira divisão. Foi neste período que morou em diversos estados, como funcionário de uma indústria de açúcar e álcool, e apitava jogos onde estivesse. Lembra com carinho das partidas em que atuou na Copa do Brasil, pelas confederações do Nordeste, como a partida entre Náutico e Santa Cruz; entre CSA (Centro Sportivo Alagoano) e CRB (Clube de Regatas Brasil); entre Vitória e Bahia, entre outros.

Hoje, atua na segunda, terceira e quarta divisões e todas as categorias de base. “Eu amo o que faço com o futebol, e amo o que faço dentro do Hospital Sabará. Se eu parar, eu morro”, brinca.

Princípios de um árbitro

Para ser juiz, é necessário ter bom senso, agir com ética, ter postura e respeito. Jaime leva esses ensinamentos para dentro de campo, para dentro de casa, para a sala de aula (quando ensina árbitros mais jovens) e para dentro do trabalho no Sabará.

A boa vontade e o bom preparo físico o ajudaram a crescer nesse meio da arbitragem. Mas nada seria possível sem algumas figuras importantes que passaram pela sua vida: a esposa, o sogro e seu primeiro empregador.

A dedicação e postura durante toda a vida fizeram Fundão ser um profissional respeitado na arbitragem paulistana. E, claro, em todas as profissões que já teve.

Autor: Mariana Setubal

Atualizado em: 17/8/2018