O que os pais precisam saber sobre o novo coronavírus

O surgimento de uma infecção respiratória grave de origem inicialmente desconhecida provocou um alarde mundial. Atualmente, sabe-se que os casos que passaram a ser descritos a partir de dezembro de 2019 são causados por um novo coronavírus, transmitido inicialmente a partir de contato com animais e posteriormente entre humanos. A rápida disseminação deste vírus tem causado grande preocupação na população em geral e entre os profissionais de saúde, além de muitas notícias falsas que estão sendo compartilhadas pela internet. Pensando nisso, a equipe liderada pelo infectologista do Sabará Hospital Infantil, Dr. Francisco Ivanildo Oliveira Junior, elaborou um questionário com as principais dúvidas e explicações sobre o assunto. Confira:

Perguntas e respostas sobre o novo coronavírus

Novo Coronavírus (2019-nCoV): o que é e como surgiu?
O novo agente, denominado 2019-nCoV, faz parte de uma família de vírus chamada de Coronavírus. Eles recebem este nome porque parecem uma coroa, quando vistos no microscópio eletrônico. Alguns tipos infectam seres humanos e outros, somente animais. Podem causar desde um resfriado
comum até quadros graves, como pneumonia e insuficiência respiratória. O novo coronavírus provavelmente é decorrente de mutação de um vírus de origem animal que não atingia humanos e, nos últimos meses, passou de um animal para uma pessoa em um mercado de frutos do mar e animais vivos na cidade de Wuhan, na China.

A transmissão do coronavírus acontece entre humanos?
Sim. Este vírus pode ser transmitido de pessoa a pessoa pelo ar, por meio de secreções respiratórias do paciente infectado ou por contato com  secreções contaminadas seguido de inoculação em mucosas (olhos, nariz ou boca). Na maior parte dos casos, a transmissão é limitada e se dá por contato próximo, ou seja, durante o cuidado com o paciente, incluindo profissionais de saúde ou membro da família.
Em relação às crianças, há poucos casos de infecção pelo novo vírus.

Os animais de estimação podem transmitir o novo coronavírus?
Não há evidências que animais domésticos, como cães e gatos, possam ser infectados e transmitir o novo coronavírus.

Quanto tempo demora para ter sintomas após o contato?
O período estimado é de 2 a 14 dias.

Quais são os sintomas?
Febre e sintomas respiratórios, como tosse não produtiva e falta de ar, além de mialgia. Também há relato de diarréia. A intensidade e gravidade dos sintomas pode ser muito variável. Apenas a minoria vai apresentar quadros graves.

Qual a mortalidade da doença causada pelo novo coronavírus?
Estima-se que a mortalidade seja em torno de 2 a 3%. Os óbitos estão ocorrendo principalmente em pessoas acima de 60 anos e com doenças crônicas que afetam a imunidade.

Como é feito o diagnóstico?
Por meio de um exame específico para detectar material genético do vírus em secreção do nariz e garganta do paciente, colhida por um swab (cotonete) ou por aspiração.

Como tratar?
Não existe um tratamento específico para o novo vírus. Recomenda-se ingestão de líquidos, analgésicos e antitérmicos. Pacientes com desconforto respiratório necessitam de internação e podem precisar de suporte em unidade de terapia intensiva.
Existem medicamentos utilizados para tratamento de outros vírus que estão sendo testados contra este coronavírus, mas ainda não há conclusão destes estudos.

Em casos suspeitos de infecção pelo novo coronavírus está indicado usar Tamiflu® (oseltamivir) ou antibiótico?
Não. O oseltamivir está indicado para tratamento e prevenção de infecção pelo vírus influenza, não é ativo contra o coronavírus. Pode ser indicado se houver suspeita de infecção pelo vírus influenza, antes da confirmação do diagnóstico.
Os antibióticos podem ser usados se houve suspeita de infecção concomitante por bactérias.

A vacina contra a gripe protege contra o novo coronavírus?
Não. A vacina da gripe protege somente contra o vírus influenza. Ainda não existe vacina para este novo vírus.

Estão contraindicadas as viagens para a China e para os países com casos importados?
O Ministério da Saúde recomenda que sejam evitadas viagens não essenciais para locais onde há relato de transmissão deste coronavírus.
Não há restrição de viagens para locais onde há casos importados, porém, o viajante deve tomar alguns cuidados, como evitar contato com pessoas com sintomas respiratórios, higienizar as mãos frequentemente, não ingerir carne crua e evitar contato com mercados onde são vendidos animais
ou produtos de origem animal.

O que é considerado um caso suspeito de infecção pelo novo coronavírus?
Neste momento, caso suspeito é uma pessoa com febre e sintoma respiratório que retornou de área de transmissão ou teve contato próximo com doente nos 14 dias antes do início dos sintomas.

Quanto tempo devem ficar afastadas pessoas que tiveram contato com caso suspeito ou confirmado?
Considerando que há evidência que o vírus possa ser transmitido por pacientes sem sintomas ou durante o período de incubação, o ideal é permanecerem afastados por 14 dias, em isolamento domiciliar.

Como uma pessoa que retornou de área de transmissão ou teve contato com doente deve proceder se tiver febre ou sintomas respiratórios?
As pessoas que retornaram de área de transmissão ou tiveram contato próximo com doente devem procurar rapidamente um serviço de saúde para avaliação e diagnóstico. O uso de máscara cirúrgica por quem tem sintomas respiratórios é uma das principais formas de prevenir a transmissão da
doença.

Qual é a orientação diante da detecção de um caso suspeito?
O paciente com sintomas deve utilizar máscara cirúrgica a partir do momento da suspeita. No Sabará recomendamos que os profissionais da saúde utilizem medidas de precaução padrão, de contato e de aerossóis (máscara N95, luvas, avental não estéril e óculos de proteção). O isolamento
deve ser mantido até a alta.

Há casos confirmados do novo coronavírus no Brasil?
Não. Até o momento temos apenas pacientes suspeitos.

Existe risco desta doença chegar ao Brasil?
Sim. Devido ao grande trânsito global de pessoas é provável que tenhamos pessoas com esta doença no Brasil, no entanto não há motivo para pânico. Existe um plano de enfrentamento organizado em nível nacional e local, que inclui treinamento dos profissionais para identificação dos casos
suspeitos, diagnóstico e atendimento adequado.

Recomendações da Sociedade Brasileira de Infectologia para prevenção:
Evitar contato próximo com pessoas com infecções respiratórias agudas;
Lavar frequentemente as mãos, especialmente após contato direto com pessoas doentes ou com o meio ambiente e antes de se alimentar;
Usar lenço descartável para higiene nasal;
Cobrir nariz e boca ao espirrar ou tossir;
Evitar tocar nas mucosas dos olhos;
Higienizar as mãos após tossir ou espirrar;
Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;
Manter os ambientes bem ventilados;
Evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações.

Fontes:
https://www.infectologia.org.br/pg/1558/informativo-sobre-o-novo-coronavirus-paraprofissionais-da-saude-e-publico-em-geral
https://www.cdc.gov/coronavirus/index.html
http://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/perguntas-e-respostas-novo-coronavirus
https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019
http://plataforma.saude.gov.br/novocoronavirus/