“Hoje não levo o Miguel para outro hospital”

Era janeiro e o pequeno Miguel, com 8 meses na época, chegou pela primeira vez ao Sabará Hospital Infantil para fazer apenas alguns exames. Estes não eram cobertos por seu plano de saúde, mas a mãe, Fernanda Botelho, fazia questão de realizá-los no Sabará, por recomendação da médica que o acompanhava. O que era para ser apenas exame, se transformou em internação e cirurgia, porque finalmente foi constatado que Miguel broncoaspirava, após meses de angústia da família, que acompanhava em outro serviço de saúde. “Quando passou a sonda pra fazer a Phmetria, ele não conseguiu. Vomitava muito, já estava desidratado. Então começou a nossa história no Sabará. A médica falou que ele não estava bem, que o paciente não tinha condições de sair daqui”, lembra a mãe.

No dia seguinte, Miguel foi fazer o videodeglutograma e foi então que Denise Madureira, fonoaudióloga do Sabará, percebeu que ele estava broncoaspirando, condição em que a saliva (ou alimentos, vômito e outros líquidos) são aspirados pelas vias aéreas. Miguel teve de fazer uma gastrostomia. “Ele não era um bebê chiador como falavam pra mim, ele estava broncoaspirando. Por isso tinha várias repetições de problemas no pulmão. Foram 8 meses passando em outro hospital, que não diagnosticou o problema dele”, conta Fernanda. Logo, outros diagnósticos apareceram e seguiram-se outros procedimentos, como Hérnia de Hiato e retirada de apêndice e diversos especialistas se envolveram no caso.

Nos meses que se seguiram, a família foi e voltou algumas vezes, por conta da microaspiração e engasgos. “Não levo para outro hospital de jeito nenhum, aqui é minha referência, me encontrei aqui. Todas as especialidades de que ele precisa estão aqui e as soluções que procuramos para diagnóstico também temos. A Dra. Luciana Harumi e a Dra. Ana Carla Afonso são nota 10. Elas me ajudaram muito, assim como o Dr. Carlos Takeuchi”, diz Fernanda.

Numa dessas passagens, Miguel fez um exame que detectou 57 apneias. Depois disso, precisou ficar em UTI para se adaptar à CPAP, máquina que gera fluxo de ar para evitar a apneia. “Na primeira noite da máscara ele salivou muito, aspirou, ficou muito ruim, teve um quadro infeccioso”, lembra a mãe. Após nova cirurgia e com algumas mudanças nos parâmetros da CPAP, deu certo e a família teve alta.

“Os médicos daqui querem ir até o final, isso me comove muito. Perceber que as pessoas estão cuidando bem do nosso bem precioso, que são os nossos filhos, traz uma felicidade muito grande. Saber que a gente pode contar, pode acreditar… A gente tem esperança de tudo dar certo. Em um momento, parecia que não tinha solução. Cada dia era uma pesquisa, os médicos sempre chegavam com uma novidade, muita gente se comovendo com a história, preocupado… Eu amo todos aqui”, emociona-se Fernanda.

Autor: Mariana Setubal

Atualizado em: 03/9/2019