Febre amarela: como ficam as crianças?

A febre amarela está causando medo e levantando muitas dúvidas nos moradores de São Paulo. As UBSs e clínicas particulares de todos os bairros da capital estão com filas de espera. A OMS incluiu todo o estado de São Paulo em área de risco de febre amarela, o que significa que viajantes estrangeiros devem tomar a vacina antes de desembarcar em qualquer município do estado.

A Secretaria da Saúde mantém a recomendação da vacina apenas para quem reside em áreas de risco, que incluem alguns bairros da capital, vizinhos a parques onde foram identificados macacos mortos por Febre Amarela. Na zona Sul: Jardim Ângela, Parelheiros, Marsilac e Capão Redondo; na zona Oeste: Raposo Tavares e na zona Norte: Anhanguera, Perus, Jaraguá, Pirituba, Brasilândia, Cachoeirinha, Mandaqui, Tremembé e Tucuruvi. Também há indicação de vacina para quem vai viajar para outros estados e municípios do estado de São Paulo considerados áreas de risco. As áreas com recomendação de vacina são atualizadas com frequência e podem ser consultadas pelo site da prefeitura.

Até o momento não há casos confirmados de febre amarela adquirida na cidade de São Paulo. Todos os casos diagnosticados ocorreram em pessoas contaminadas em outras cidades ou estados. Aqui no Sabará Hospital Infantil, ainda não tivemos nenhum caso suspeito de febre amarela.

 

Vacina para crianças e bebês

Bebês abaixo de 6 meses não devem ser vacinados, assim como crianças de qualquer idade que têm alergia grave à proteína do ovo (reação anafilática).

Entre 6 e 9 meses, receberão a vacina apenas se houver indicação médica, caso seja considerado que há alto risco de febre amarela.

Entre 9 meses e 2 anos, devem receber a dose-padrão (0,5ml) e não a versão fracionada (0,1ml) da vacina.

Para crianças acima de 2 anos, a partir de 29 de janeiro a Secretaria da Saúde iniciará uma campanha em várias cidades com uso de dose fracionada de vacina (1/5 da dose padrão), para conseguir fazer uma ação rápida de vacinação no Estado de São Paulo, diante de um estoque limitado de vacinas. A dose fracionada garante uma proteção adequada por pelo menos oito anos.

Quem não pode tomar a vacina deve procurar outras maneiras de prevenção à picada do inseto, como o uso de repelentes, telas nas janelas e sobre as camas e berços. Além disso, evitar visitar regiões onde há casos confirmados da doença. E não se esqueça: os mosquitos se reproduzem em água parada. A prevenção começa impedindo que os mosquitos procriem.

A vacina demora pelo menos 10 dias para fazer efeito, então planeje esse período antes de viajar para cidades que são áreas de risco.

No caso da vacina padrão, apenas uma dose de vacina é necessária. Caso a criança seja vacinada com dose fracionada, provavelmente será necessária uma nova dose, mas ainda estão sendo realizados estudos para determinar a duração da proteção.

 

Reações à vacina

O paciente pode sentir dor, vermelhidão e endurecimento no local em até 2 dias após a vacinação. A partir do terceiro dia, pode ter febre e sentir dor de cabeça e muscular, que deve ser tratada com analgésico e antitérmico. Outras reações à vacina, como reação de hipersensibilidade e doença pelo vírus da vacina, são muito raras, ocorrendo menos de um caso em cada um milhão de doses aplicadas.

 

Saiba mais sobre a febre amarela

É uma doença causada por vírus, transmitido por meio da picada de um mosquito. Não ocorre transmissão de uma pessoa doente para outra.

Os sintomas da febre amarela são febre, calafrios, dor de cabeça, dores no corpo e náuseas. A maioria das pessoas melhora depois, mas cerca de 15% desenvolvem a forma grave da doença, em que pode haver icterícia, que deixa a pele e olhos amarelados, hemorragia, diminuição da urina e diminuição da consciência.

A doença se manifesta de três a seis dias após a picada do mosquito. No hospital, serão realizados exames de sangue para confirmar ou descartar a suspeita.

Não há tratamento específico. Os sintomas podem ser tratados com analgésicos e antitérmicos para aliviar febre e dor. Não se deve utilizar ácido acetilsalicílico (Aspirina) e paracetamol.

Em caso de suspeita, procure atendimento médico.

Autor: Mariana Setubal

Atualizado em: 19/1/2018