O carnavalesco do Sabará

De uniforme, sentado à mesa de recepção do Sabará, Douglas Oliveira trabalha na área de atendimento, recebendo e fazendo cadastro dos visitantes. Por aqui, poucos sabem sobre seu trabalho como carnavalesco ou seu histórico de palhaço na televisão.

Discreto, Douglas não conta para todo mundo. Às vésperas do Carnaval, o atendente estava exausto pois havia passado a noite refazendo uma fantasia que deu errado. Descobrimos, então, que ele havia feito todo o enredo e criação de figurinos para uma escola de samba, a Imperatriz da Sul, que por sinal foi a campeã do Grupo 3 do Carnaval de São Paulo em 2018, para orgulho de Douglas.

História com o Carnaval

Já faz 20 anos que Douglas participa do Carnaval. Era apaixonado pelo assunto desde criança, vendo desfiles na televisão. Sua mãe começou a levá-lo quando tinha 15 anos, e daí em diante, nunca mais saiu de lá. Já desfilou, já ficou nos bastidores, já criou enredos. Fez um curso de desenho para se aprimorar na criação de figurinos – o que mais gosta de fazer hoje. Mas também põe a mão na massa na hora de produzir as fantasias, comprando os adereços e colando pena por pena – esse ano fez uma fantasia com mais de 2 mil penas de faisão, que custou 30 mil reais, para destaque da escola Rosas de Ouro.

Para o Carnaval de 2019, não quer se vincular a uma escola, prefere produzir algumas fantasias especiais em seu ateliê: do casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira e de destaques (quem sobe no carro alegórico). Apesar de amar o Carnaval, Douglas não quer viver apenas disso. “Eu levo o Carnaval como meu lazer. Tenho um ganho com ele, mas nada que atrapalhe o meu desenvolvimento profissional. Eu prefiro ter o meu trabalho e fazer isso como algo paralelo, aí é mais gostoso”, conta Douglas, que está no Sabará desde maio de 2017.

Antes de começar a trabalhar aqui, Douglas fazia parte da equipe administrativa de uma operadora de saúde. Mas seu currículo é bem inusitado, com uma passagem de 8 anos como palhaço da dupla Patati Patatá, onde se apresentava na televisão e viajava para fazer shows.

O auge da alegria foi juntar a palhaçada com o Carnaval, num desfile da Mocidade Independente cujo tema era “circo místico”, em 2002. Douglas entrou na avenida como Patatá. “Foi o melhor desfile da minha vida, principalmente vestido com o personagem, foi maravilhoso”, lembra.

A experiência como palhaço o ajuda no dia a dia no Sabará. “A experiência com criança eu já tinha. É diferente, aqui a gente lida com doença, mas eu faço o que posso para amenizar o sofrimento”, conta Douglas.

Um hospital infantil precisa de alegria, sem dúvida. Quer mais alegria do que carnaval e palhaçada reunidos?

Autor: Mariana Setubal

Atualizado em: 16/2/2018