Hospitais com farmacêuticos clínicos garantem maior segurança aos pacientes - Hospital Sabará
Hospitais com farmacêuticos clínicos garantem maior segurança aos pacientes
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Hospitais com farmacêuticos clínicos garantem maior segurança aos pacientes

Quando pensamos em um hospital de excelência logo vem à mente alguns fatores como equipamentos modernos, infraestrutura de qualidade e equipe qualificada. Aliado a tudo isso, há um outro elemento fundamental quando o assunto é assistência à saúde: medicamentos. Porém, os medicamentos por si só não são garantias de cura ou de sucesso no tratamento de alguma doença. Aliás, quando usados de forma errada podem trazer graves danos. Grande parte da sua efetividade depende do seu uso adequado e, para que isso ocorra, é imprescindível contar com o trabalho de farmacêuticos mais próximos e atuantes no cuidado do paciente.

Desde que o governo federal sancionou a Lei nº 13.021/14 e o Conselho Federal de Farmácia publicou as resoluções nº 585/2013 e nº 586/2013, foi assegurado ao farmacêutico a intervenção nos atendimentos hospitalares e ambulatoriais. Dessa forma, esses profissionais poderiam não mais se restringir às atividades administrativas da farmácia hospitalar, como selecionar, requisitar, receber, armazenar e dispensar medicação. Passavam, então, a participar também do acompanhamento e discussões clínicas junto à equipe médica.

No texto de hoje, vamos falar sobre essa mudança no papel do farmacêutico dentro do ambiente hospitalar, como vivenciamos isso aqui dentro do Sabará Hospital Infantil – com esses profissionais atuando de forma integrada com toda a equipe de saúde -, o que traz ainda mais segurança aos nossos pacientes.

 

Farmácia Clínica: cuidando de perto do medicamento que chega ao paciente

De acordo com o Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo, “o farmacêutico clínico é o profissional que está inserido no cuidado ao paciente, participando ativamente da terapia medicamentosa, da promoção e/ou recuperação da saúde”. Aqui no nosso hospital todos os pacientes internados nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e Unidade de Internação são monitorados pela equipe de farmacêuticos.

Dentro da atuação na Farmácia Clínica, uma das principais atividades desses profissionais é fazer a análise da prescrição médica. Anahi Ayalla César Bassi, supervisora da nossa farmácia, explica que o medicamento só é liberado ao paciente depois que um farmacêutico faz essa conferência, checando a dose, indicação, posologia e se o medicamento indicado pode ter alguma interação com outro prescrito. “Temos um software em que colocamos todos os medicamentos prescritos para checar se um interage com o outro – ou seja, se um corta o efeito, se interfere no resultado ou potencializa o efeito do outro”, destaca.

Durante essa análise, também é verificado a relação com a dieta e os horários de administração, já que alguns medicamentos não podem ser administrados com certos alimentos ou precisam ser recebidos em jejum. Um profissional especializado fazendo toda essa checagem proporciona o uso mais seguro e racional do medicamento ao paciente hospitalizado, especialmente das crianças – que correm mais riscos de erros de medicação, visto à necessidade de adaptações farmacêuticas. Por exemplo, há medicamentos que possuem a apresentação em mercado apenas de comprimidos e precisam ser diluídos para possibilitar a administração para bebês.

 

A importância de um farmacêutico no controle das medicações de crianças

Diferentemente dos adultos, em que as dosagens de medicamentos são padronizadas, no caso das crianças, há muitas variações. Por isso, Bassi ressalta o quanto a atuação de um farmacêutico em um hospital infantil exige atenção e cuidado, para garantir segurança aos pequenos. “Para o paciente pediátrico, temos que calcular a dose de acordo com o peso e idade, então o farmacêutico precisa estar muito mais atento a esses critérios, além de patologias e conferência de exames”

A criança está em constante crescimento, especialmente nos dez primeiros anos de vida, com o corpo em formação e órgãos em desenvolvimento. Essas transformações se refletem nos processos de absorção, distribuição, metabolização e eliminação de medicamentos. Não à toa aqui no Sabará Hospital Infantil frisamos tanto que criança não é um adulto pequeno, e o quanto um olhar centrado nelas é fundamental quando se trata também de cuidados médicos.

Bassi conta que todos os profissionais da área que chegam para atuar no Sabará Hospital Infantil passam por uma formação interna. “O profissional só vai trabalhar sozinho depois de um tempo acompanhando um farmacêutico mais experiente. Os farmacêuticos que fazem parte do time hoje são especialistas em pediatria”.

A presença de um farmacêutico clínico em hospitais é uma das exigências da Joint Comission Internacional (JCI) – o mais importante órgão certificador da qualidade e segurança de instituições de saúde no mundo. Em 2019, nosso hospital recebeu pela terceira vez a acreditação da entidade. Para isso, passamos por um rigoroso processo de avaliação de mais de mil itens, incluindo atendimento, gestão, infraestrutura e qualificação profissional. O Sabará Hospital Infantil foi o primeiro hospital exclusivamente pediátrico no Estado de São Paulo a conquistar a acreditação pela JCI.

 

Visita multidisciplinar

Uma das atividades que um farmacêutico clínico também faz parte aqui no nosso hospital é das visitas multidisciplinares, que reúne a equipe hospitalar para discussão dos casos e condutas. Nesse encontro, reunimos médico, farmacêutico, nutricionista, fisioterapeuta e enfermeiro para discutir o plano terapêutico e os cuidados com a criança.

No caso do farmacêutico, uma das suas ações nesse momento é reforçar a reconciliação medicamentosa, que consiste em coletar informações dos medicamentos que o paciente já faz uso e verificar se eles serão mantidos ou suspensos da prescrição médica atual.

Bassi destaca que no caso de crianças, o uso de medicação de uso habitual prévio é mais baixo, mas que não se pode esquecer dos casos de pacientes com doenças crônicas. “Pensando que temos casos complexos e crianças mais graves, além de pacientes provenientes de home care, precisamos ficar muito atentos. Há vários casos em literatura em que se descrevem erros de medicação nas transições de cuidado. Olha-se para o quadro atual, esquecendo de dar continuidade a medicamentos já em uso para doença crônicas ou em tratamento”, destaca.

A reconciliação medicamentosa é uma prática que acontece quando todo paciente é admitido no hospital. Também é realizada quando a criança muda de unidade e de equipe de cuidadores (estava no Pronto-Socorro e foi internado ou estava na Unidade de Internação e foi para a UTI, por exemplo) e na alta.

Inclusive, pacientes que são liberados para casa, e vão continuar com o uso de medicamentos que exigem mais cuidados ou aqueles que vão utilizar dispositivos inalatórios, recebem a visita de um farmacêutico para orientação antes da alta hospitalar.

 

Administração do estoque de medicação na pandemia

Sem dúvidas, a atuação clínica do farmacêutico dentro do hospital se tornou um grande diferencial para segurança e qualidade oferecida aos pacientes. No entanto, o seu papel na organização da farmácia hospitalar também é fundamental, como nos confirmou a pandemia.

Bassi conta que no início da transmissão da Covid-19 no Brasil, a equipe de farmacêuticos já se reuniu com o setor de compras do Sabará Hospital Infantil para monitorar o estoque de medicamentos. “O mercado farmacêutico mundial passou por um período de desabastecimento, mas não tivemos faltas aqui no Sabará. Elencamos uma lista de medicamentos mais críticos, de acordo com o nosso perfil de pacientes, e nos programamos para manter esses itens bem abastecidos. Seguimos monitorando essa lista, e isso fez com que não tivéssemos nenhuma ruptura de estoque.”

O setor de Farmácia do Sabará Hospital Infantil trabalha com sistema informatizado para controle de estoque, dispensa medicamentos pelo código de barras contendo rastreabilidade (lote e validade) e permite a checagem beira leito antes da administração. Há controle do fluxo do medicamento desde a entrada da nota fiscal até a dispensação para o paciente, além do monitoramento de reações adversas a medicamentos (RAM’s).