Enterocolite Necrosante: conheça a doença do intestino que ameaça bebês - Hospital Sabará
Enterocolite Necrosante: conheça a doença do intestino que ameaça bebês
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Enterocolite Necrosante: conheça a doença do intestino que ameaça bebês

Enterocolite Necrosante: conheça a doença do intestino que ameaça bebês

 

A chegada de um bebê desperta para a família uma nova fase de experiências e descobertas. Antes mesmo da vinda do pequeno, é comum que os pais busquem informações sobre o crescimento e cuidados com a criança, especialmente na primeira gestação. Nós do Sabará também acreditamos na importância do conhecimento como proteção e, por isso, no Dia Mundial de Conscientização da Enterocolite Necrosante, celebrado neste 17 de maio, convidamos você a conhecer sobre essa doença, que se diagnosticada precocemente, pode proteger o recém-nascido de graves complicações.   

 

Ainda pouco conhecida, a enterocolite necrosante é um quadro inflamatório do trato gastrointestinal. Por ser progressiva, a doença pode levar a múltiplas cirurgias e uma internação prolongada. A  Dra. Maria Paula Coelho, coordenadora do Programa de Reabilitação Intestinal do Sabará, explica a evolução da doença: “Pode ser desde um quadro leve, tratável com cuidados clínicos, até um quadro extremamente raro e grave, levando à perda de grande parte do intestino, já que é necessário realizar um procedimento cirúrgico para retirar as alças intestinais necrosadas. Isso deixa a criança com o que a gente conhece como intestino curto”.

 

A perda de parte do intestino traz grandes danos à saúde do bebê porque prejudica a absorção de nutrientes, água, entre outros elementos importantes para o seu desenvolvimento. Quanto mais tardio é feito o diagnóstico, maior o risco de complicações, podendo levar a uma desnutrição severa, e eventualmente à morte. Dessa forma, a Dra. Maria Paula destaca a importância dos pais ficarem atentos ao problema: “É uma doença que acomete, em sua maioria, bebês prematuros, mas ainda sim há uma incidência de 10 a 15% em bebês nascidos a termo [no tempo considerado ideal, entre 37 e 41 semanas de gestação]. Então, você precisa como pai, mãe, ter sempre esse olhar atento para o seu bebê, porque o fato dele não ser prematuro não garante que isso não vai acontecer”. 

 

Mas por que os bebês podem desenvolver essa infecção?

 

Não existe uma causa determinada para a enterocolite necrosante, no entanto um conjunto de fatores são apontados como possíveis desencadeadores do problema. Atualmente, há um entendimento entre a comunidade médica de que um intestino ainda em formação, que pode apresentar dificuldades de oxigenação, imaturidade imunológica e perfusão sanguínea, quando exposto à alimentação, tem maiores chances de ter uma reação inflamatória. Por isso, a enterocolite necrosante é uma doença associada a bebês, especialmente recém-nascidos, sendo mais frequente entre os prematuros.  

 

O tipo de dieta dada ao bebê após o nascimento também pode influenciar no desenvolvimento da enterocolite, sendo o leite materno considerado uma forma de prevenção à doença: “Tem uma incidência menor de enterocolite com o uso do leite materno, que pode ser da própria mãe ou de um banco de leite, enquanto aparentemente existe uma incidência maior de enterocolite em pacientes que usam fórmulas”, afirma a Dra. Maria Paula.

 

Além da imaturidade do intestino do bebê e a relação com o leite ofertado, a médica explica que a manifestação da enterocolite também tem sido relacionada a uma alteração da microbiota intestinal. “Essas bactérias que vivem no intestino podem proliferar de uma forma diferente da habitual e acabar lesando esse intestino. Isso pode ser desde uma discreta descamação e um pouquinho de sangramento nas fezes, até uma completa necrose daquele intestino, que muitas vezes é perfurado, o que acaba contaminando a cavidade e a criança precisa ser operada de urgência para ressecar a  parte do intestino acometida”, complementa a doutora. 

 

Como identificar a enterocolite 

 

Sem uma causa específica para a enterocolite, o diagnóstico, muitas vezes, pode vir tardiamente. Ao conhecer um pouco mais das características da doença, os pais podem contribuir com a identificação do problema observando alguns sinais. Fique atento aos sintomas:

 

  • Sangue nas fezes;
  • Inchaço do abdômen;
  • Abdômen endurecido;
  • Temperatura corporal baixa;
  • Quedas de pressão;   
  • Vômito com sangue ou coloração esverdeada.

 

Através de radiografias no abdômen da criança, também é possível identificar sinais de distensão e quando há ar na cavidade abdominal (pneumoperitônio), indicativo de extrema gravidade. Exames de sangue também são utilizados no diagnóstico, pois sinalizam a presença de quadros inflamatórios. No entanto, a Dra Maria Paula ressalta que “o mais importante é a sensibilidade clínica da equipe que está cuidando daquela criança para notar que ela está diferente, que teve uma piora clínica, e reconhecer os sinais e sintomas da enterocolite. Por isso, os pais precisam pelo menos conhecer essa doença, pois eles também podem estar atentos à criança”.

 

Programa de Reabilitação Intestinal 

 

Quando a criança tem uma enterocolite leve, o tratamento é composto de alguns procedimentos terapêuticos como o estabelecimento de jejum, nutrição e líquidos administrados pela veia – chamada de nutrição parenteral – e, quando necessário, uso de antibióticos. Geralmente, os bebês que recebem cuidados logo no início da doença respondem bem ao tratamento.  

 

Porém, há casos que podem evoluir para situações mais complexas ou que são diagnosticados tardiamente. Estas crianças acabam não tendo o funcionamento correto do intestino, seja porque o remanescente intestinal é muito curto ou porque não consegue mais absorver os nutrientes necessários ao seu desenvolvimento. Para essas crianças, aqui no Sabará Hospital Infantil, temos o Programa Avançado de Reabilitação Intestinal

 

Através do programa, oferecemos um conjunto de cuidados especializados, clínicos e cirúrgicos, com o objetivo de desenvolver a autonomia do intestino remanescente, sempre que possível. Nesse sentido, a Dra. Maria Paula destaca a perspectiva do atendimento no Sabará:  “A nossa meta como reabilitação intestinal é sempre desligar a nutrição parenteral ou minimizar ao máximo o seu uso. Deixamos a criança na nutrição parenteral enquanto ela vai crescendo e, em paralelo a isso, vamos estimulando esse intestino para que essa criança possa absorver cada vez melhor as dietas propostas, até podermos desligar a nutrição parenteral”. 

 

Por sermos um hospital 100% pediátrico, desenvolvemos conhecimento na identificação e tratamento de doenças infantis consideradas raras e de difícil diagnóstico. Sobre isso, a médica chama a atenção para a importância de um cuidado especializado: “Poucas pessoas no Brasil têm essa expertise de trabalhar com crianças para reabilitação intestinal. O fato de precisar de nutrição parenteral, e portanto,um cateter na veia, é um desafio, já que possuímos poucas veias calibrosas para a colocação desses cateteres para nutrição parenteral. É preciso tomar cuidado para evitar tromboses dessas veias e infecções relacionadas à manipulação dos acessos. A criança pode ter uma sepse grave por manipulação inadequada de acessos venosos. Crianças com  estas necessidades estão sob risco de eventos graves e específicos e, por esse motivo, são melhor conduzidas por equipes especializadas neste tratamento, que visam impedi-los ou minimizá-los com o tratamento precoce e ajustado para cada caso”. 

 

O tratamento ainda precisa ter um olhar atento ao oferecimento do aporte nutricional que garanta o crescimento adequado da criança, especialmente porque nesta fase inicial da vida estão em desenvolvimento o sistema nervoso central e neuropsicomotor. Para fazer um acompanhamento integral, os pacientes do Programa de Reabilitação Intestinal são atendidos no nosso Centro de Excelência, que conta com uma equipe multidisciplinar de mais de 32 especialidades pediátricas, entre elas fonoaudiólogas, nutricionistas e gastroenterologista, enfermeiras, para planejar um tratamento individualizado e ajustado à necessidade de cada criança.

 

Atendimento por telemedicina         

 

Nossos especialistas do Programa de Reabilitação Intestinal estão disponíveis para teleconsultas, uma forma de trazer mais segurança às famílias e aos bebês. Equipes de saúde que cuidam de crianças com intestino curto ou falência intestinal também podem acessar o serviço. Através dos atendimentos remotos, realizamos avaliação de casos, segunda opinião e, caso necessário, colaboramos com a estabilização clínica do bebê para que seja feita a transferência para o Sabará. Caso deseje tirar dúvidas ou agendar atendimentos presenciais, é só entrar em contato com o nosso Canal de Apoio aos Pais (CAP) pelo whatsapp (11) 97068 1924.

 

Se você tem filhos ou conhece crianças em tratamento de enterocolite necrosante, sabemos o quanto a família tem que lidar com medos e angústias. Por isso, aproveitamos para indicar o trabalho feito pelo Instituto Pequenos Grandes Guerreiros, que oferece acolhimento psicológico gratuito aos familiares de crianças com o problema. 

Tem interesse em conhecer mais sobre o trabalho que realizamos no Programa de Reabilitação Intestinal? No nosso canal Saúde da Infância, no Youtube, contamos a história do Miguel, um menino com má formação do intestino delgado, que acabou tendo perda de grande parte do órgão, desenvolvendo a Síndrome do Intestino Curto. Miguel passou por várias intervenções, atendimentos por equipes que ainda nunca tinham lidado com a questão, até encontrar uma equipe especializada. Após o atendimento adequado, Miguel teve sua vida transformada. Você vai se emocionar!

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