Direito à infância: a importância da humanização no atendimento de crianças hospitalizadas  - Hospital Sabará
Direito à infância: a importância da humanização no atendimento de crianças hospitalizadas 
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Direito à infância: a importância da humanização no atendimento de crianças hospitalizadas 

Ser criança é estar diante de um mundo de descobertas, aprendizados e sensações. Um momento para ser vivido em sua plenitude, respeitando suas características e necessidades próprias. Na busca por ampliar a conscientização da sociedade sobre a importância do desenvolvimento integral da criança, através da garantia de direitos como alimentação, moradia, saúde, educação e de proteção à qualquer forma de violência, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) celebra neste 21 de março o Dia Mundial da Infância. 

 

Diversos documentos internacionais orientam sobre os cuidados essenciais para o bem-estar e crescimento saudável da criança. Entre as maiores referências, está a Convenção sobre os Direitos da Criança, adotada pela Assembleia Geral da ONU em 1989. O tratado tornou-se o instrumento de direitos humanos mais aceito na história universal, sendo assinado por 196 países, incluindo o Brasil. 

 

Na legislação nacional, nossos pequenos estão assegurados pela Constituição Federal de 1988 e, especialmente, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Nesse último documento, há um capítulo específico para garantir a eles o direito à vida e de atendimento integral, baseado no acesso universal e igualitário aos serviços de promoção, proteção e recuperação da saúde.     

 

No texto de hoje, vamos contar como por meio da nossa prática de cuidados, sempre pautada pela humanização, temos atuado em prol da defesa desses direitos das crianças e dos adolescentes. O olhar respeitoso e centrado na criança faz parte de todos os nossos processos, desde a chegada do paciente e sua família ao hospital até o momento da alta. Hoje, no entanto, vamos focar no trabalho feito pelo Programa Child Life, que auxilia crianças internadas e seus familiares a lidarem com o desafio da hospitalização. 

 

Nessa leitura você vai conhecer um pouco das ações desse setor que têm proporcionado uma experiência no hospital mais positiva para os nossos pequenos. Acompanhe aqui!

 

Programa Child Life

 

Uma internação para o tratamento de alguma doença ou mesmo para cuidar de uma questão pontual de saúde já costuma gerar certa preocupação nos adultos. Quando o paciente é uma criança, o ambiente hospitalar pode causar ainda mais tensão, medo e ansiedade. Pensando em amparar os pequenos nesse contexto, hospitais dos Estados Unidos, já na década de 1920, começaram a ter profissionais treinados para minimizar o estresse da criança diante da hospitalização, além de auxiliá-las na compreensão de tratamentos e diagnósticos a partir do brincar. Nascia, então, o Child Life Specialist – um especialista hospitalar do desenvolvimento infantil.

 

No Brasil, somos o único hospital a incorporar esta especialidade nos tratamentos e cuidados oferecidos aos pacientes. Dora Leite, coordenadora do Programa Child Life do Sabará, observa que a especialidade atua integrada à equipe multidisciplinar de saúde pediátrica. Ela destaca também que uma das premissas da abordagem é “garantir o maior protagonismo da criança e do adolescente no seu processo de cuidado”. E sabe como isso é feito?

 

Intervenções lúdicas para explicar e orientar

 

Os Child Life Specialists estão sempre atentos para identificar como o paciente está lidando emocional e socialmente com a hospitalização. Se é percebido, por exemplo, que a criança está com dificuldade para entender o que ela tem, os profissionais do Child Life – em diálogo com a equipe multiprofissional e com os pais da criança – podem propor a realização de uma atividade lúdica para auxiliar o pequeno nesse entendimento.   

 

Leite lembra o caso de uma criança de quatro anos que passou um longo período na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por conta de um quadro de pneumonia. Posteriormente, foi diagnosticado que a infecção pulmonar estava relacionada a uma doença autoimune. A mãe compartilhou durante os atendimentos de psicologia do hospital que estava com dificuldades para falar ao filho o que estava acontecendo e, então, o Programa de Child Life foi acionado. 

 

Este caso é um exemplo de como é possível dar recursos para a criança entender o que se passa com ela, mas sempre respeitando o seu nível de desenvolvimento. “Eu propus ajudá-la a contar para o filho o que estava acontecendo com ele a partir de uma brincadeira chamada sopa de sangue. Pegamos um potinho de óleo para fazer o plasma e junto com a criança fomos fazendo cada elemento do sangue com massinha: os glóbulos brancos, os glóbulos vermelhos e também fizemos as plaquetas e os remédios”, conta Leite. 

       

Durante a brincadeira, Leite foi explicando a função de cada parte do sangue até chegar nos glóbulos brancos – responsáveis pela defesa do organismo. E, então, pode explicar para a criança que, às vezes, essas células não funcionam da forma que deveriam, e passam a atacar o nosso próprio organismo. Por isso, era necessário que ela tomasse os remédios. 

 

Criança envolvida, melhores respostas no processo de cuidado 

 

Além de auxiliar na compreensão de um diagnóstico, o Child Life também faz atividades lúdicas para explicar exames, cirurgias e outros procedimentos médicos. Nesses casos, pode ser usado um boneco de pano para criar um canal de diálogo com a criança sobre o que vai acontecer. Dessa forma, um procedimento que poderia ser traumático ou estressante pode ser uma experiência menos amedrontadora, de aprendizado e também de superação.

 

Quando se fala em direito na infância um dos pontos centrais é o reconhecimento da criança como ser social, garantindo espaço para que sejam ouvidas, expressem suas emoções e desejos. Na nossa sociedade, infelizmente, muitas vezes o sentimento delas ainda é invisibilizado e Leite ressalta que em um contexto de crianças hospitalizadas isso pode ser ainda mais aprofundado. “A voz da criança pode ser minimizada, não priorizada. Então, quando a gente tem uma equipe que pensa essa voz ou ajuda a ampliar essa voz, o processo de cuidado tem muito mais qualidade”, destaca a profissional. 

 

A Child Life Specialist observa que a partir do momento que a criança e também o adolecente começam a entender o que está acontecendo com eles, há uma resposta desses pacientes contribuindo com o próprio tratamento. “A gente tem pacientes de nove, oito anos, que estão tão apropriados dos seus cuidados que eles perguntam para as enfermeiras o que elas estão fazendo, ou às vezes é a medicação que vem mais cedo e eles questionam o porquê. Eles vão perguntando e vão entendendo, e isso é um processo de cuidado deles mesmos. As crianças e os adolescentes são muito perspicazes no processo de compreensão de qual é a melhor forma de enfrentar essas situações. E muitas vezes a gente está aqui para também apresentar para eles as possibilidade de enfrentamento”, compartilha Leite.

 

Criança hospitalizada não se resume a doença

 

Outro desafio da hospitalização de crianças é proporcionar um cotidiano que ultrapasse o contexto do adoecimento. Mesmo afastadas das suas rotinas, é fundamental que elas sejam vistas a partir da sua integralidade, garantindo a elas oportunidades para vivenciarem experiências fundamentais na infância, como brincar.       

 

Nesse sentido, para além de utilizar atividades lúdicas para explicar situações relacionadas às questões da saúde, o Programa Child Life também cria espaços livres para brincadeiras. “As nossas intervenções não têm limitação. Fazemos sessão de dança com música, pinturas, contação de histórias. Tudo que possa gerar para criança uma sensação de relaxamento”.

 

O brincar e a diversão são direitos previstos no ECA. As brincadeiras contribuem para o desenvolvimento infantil, além de serem um momento de expressão de sentimentos. Assim, o brincar também se transforma em um espaço terapêutico, dando à criança oportunidade para elaborar melhor o próprio momento vivido devido à hospitalização. 

 

Por enquanto, o Programa Child Life é voltado para os pacientes da Unidade de Internação (UI) e da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas o objetivo, no futuro, é expandir para todo o hospital. Na UI e UTI, os profissionais do programa fazem visitas nos quartos ou podem ser acionados pelos pais ou pela equipe multiprofissional – enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição, entre outros.

 

Conheça mais do Programa Child Life, acessando os links abaixo:

     https://www.hospitalinfantilsabara.org.br/pacientes-pre-cirurgicos-recebem-material-humanizado-da-equipe-de-child-life/ 

https://institutopensi.org.br/blog-saude-infantil/o-que-e-um-child-life-specialist/

https://institutopensi.org.br/blog-saude-infantil/inicio-do-programa-child-life-no-sabara/ 

https://www.hospitalinfantilsabara.org.br/novo-especialista-visa-melhorar-a-experiencia-da-crianca-internada/

https://www.hospitalinfantilsabara.org.br/quando-a-humanizacao-faz-a-diferenca-num-hospital/ 

 

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