Casos de dengue crescem 600% esse ano

De janeiro a agosto de 2019, o Brasil teve quase 1,5 milhão de novos casos de dengue, segundo o Ministério da Saúde. Em todo o ano de 2018, foram registrados 205 mil casos, o que significa um aumento de 599,5%. Somando com zika e chikungunya, foram 650 mortes nos últimos 8 meses.

O maior aumento ocorreu em São Paulo, com 437 mil casos este ano (37 vezes mais que no ano anterior). No Sabará Hospital Infantil, foram registrados 12 casos confirmados este ano, com o último registro em julho.

Segundo o jornal Folha de São Paulo, um dos motivos deste aumento pode ser a maior circulação de um subtipo do vírus da dengue (subtipo 2) que não circulava com intensidade desde 2008. Há quatro subtipos do vírus. Quando o indivíduo pega a dengue subtipo 1, por exemplo, fica imune a este especificamente, porém ainda vulnerável aos subtipos 2, 3 e 4. A ausência do subtipo 2 na última década e reaparecimento em 2019 pode ter levado a maiores taxas de contaminação, uma vez que menos pessoas estão imunes a ele.

Outras explicações estão no aumento das chuvas este ano e menor cuidado da população com a água parada. Como os últimos dois anos (2017 e 2018) não apresentaram epidemias de dengue, o descuido pode ter sido maior.

A tendência, daqui até o final do ano, é de redução no número de casos, já que o pico da doença historicamente acontece em abril.

 

Sintomas

Em geral, a dengue causa febre aguda com até sete dias de duração, acompanhada de outros sintomas como dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dor muscular e articular, prostração e manchas vermelhas na pele, com ou sem sangramentos. Na criança pode ser assintomática ou apresentar sinais e sintomas inespecíficos, como febre, fraqueza, sonolência, recusa da alimentação e de líquidos, vômitos, diarreia ou fezes amolecidas.

Nos menores de dois anos de idade – principalmente nos menores de seis meses – sintomas como dor de cabeça e dores no corpo podem se manifestar por choro persistente, fraqueza e irritabilidade, podendo ser confundidos com outros quadros infecciosos febris.

O agravamento, em geral, é súbito, diferente do que ocorre no adulto, que é gradual e os sinais de alarme são mais facilmente detectados. A gravidade e a letalidade da dengue são maiores em crianças, pois a doença pode causar queda na pressão e hemorragia. O aparecimento de vômitos persistentes, a queda repentina na temperatura do corpo, sangramentos, agitação ou sonolência, choro persistente, pele fria e pálida, diminuição da quantidade de urina, dor intensa na barriga e dificuldade para respirar são sinais de agravamento, que indicam a necessidade de procurar rapidamente assistência médica.

 

Como proteger as crianças

  • Proteja com telas as janelas e use mosquiteiros sobre os berços ou outros locais onde o bebê estiver.
  • Também podem ser usados difusores repelentes elétricos ou em spray. Nos quartos de bebês com menos de seis meses ou que tenham história de alergias ou problemas respiratórios, estes produtos devem ser aplicados na ausência da criança.

Com relação ao uso de repelentes, os produtos mais eficientes contra o mosquito da dengue são os que contêm icaridina (também conhecida por picaridina). A recomendação do fabricante deste produto no Brasil é para uso apenas a partir dos dois anos de idade, mas a Academia Americana de Pediatria e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, consideram seguro o uso a partir dos dois meses de idade. O repelente deve ser aplicado apenas nas áreas de pele exposta; não deve ser aplicado próximo dos olhos, boca e nas mãos (a criança pode ingerir) ou em áreas de pele lesada. Pode ser aplicado sobre as roupas. Observe o período de ação do produto e reaplique-o conforme a recomendação.

 

Prevenção

Esta semana, o Ministério da Saúde lançou uma campanha para combater o mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus.

Veja algumas dicas para eliminar os focos:

 

  • Lave com escova e sabão pelo menos uma vez por semana os pratinhos de plantas em que não há areia e que estavam com água (apenas jogar a água fora não é suficiente);
  • Não deixe recipientes com água, como garrafas e baldes, destampados;
  • Guarde as garrafas que não estão sendo utilizadas de cabeça para baixo (embaladas e em local coberto);
  • Feche a caixa d`água;
  • Não descarte o lixo onde não há coleta.

 

Autor: Mariana Setubal

Atualizado em: 13/9/2019