Após cinco meses do seu nascimento, Antônio finalmente vai conhecer sua casa

Antônio nasceu em abril deste ano, numa maternidade de Porto Feliz, interior de São Paulo. Desde aquele dia, sua mãe, Renata Righetto Rossini, que teve uma gravidez super tranquila e sem nenhuma intercorrência, não voltou mais pra casa. O susto começou quando Antônio nasceu cardiopata e, ainda na sala de parto, teve a primeira parada cardíaca. Depois, foi transferido para outro hospital, em Sorocaba, e descobriu-se que ele tinha uma cardiopatia congênita: Transposição das Grandes Artérias (TGA). A partir daí começou a saga para levá-lo a São Paulo para fazer a cirurgia. “Foi uma luta, porque a gente não conseguia UTI móvel para trazê-lo. Deu certo, nós chegamos no Sabará numa quinta-feira às 4h da manhã. A médica abriu a CIA assim que a gente chegou e ele mudou de cor nitidamente, porque ele chegou aqui saturando 40”, conta Renata.

Este foi só o começo da história. Daí em diante, vieram diversas complicações. Hoje o quadro dele é principalmente renal, porque os dois rins ficaram comprometidos e Antônio precisa fazer diálise. No meio do caminho foi descoberto que ele tinha síndrome hemofagocítica. “Ocorreu um desgaste muito grande do organismo que causou uma resposta inflamatória excessiva, desencadeada pela ativação e proliferação inapropriada de macrófagos e histiócitos, que fagocitam o próprio organismo, é como se o organismo lutasse contra ele mesmo”, explica a Dra. Larissa Gondim, responsável pelo programa de ECMO e médica diarista da UTI cardiológica do Sabará. A equipe multidisciplinar planejou uma terapia que envolveu quimioterápicos e agora ele está bem, sem usar medicação para isso.

“Já são mais de 140 dias no hospital. Desde que o Antônio nasceu eu nunca fui pra casa”, conta Renata. Mas tudo indica que agora a alta está próxima. Após o desmame do ventilador, o pequeno poderá ir para casa. Mas sua casa deve mudar de endereço: a família pretende se mudar para São Paulo para continuar com a diálise e tratamento.

Mesmo com o estresse da internação, Renata se sente muito acolhida no Sabará. “De A a Z, da limpeza às chefes de setor, eu não tenho do que reclamar. Tudo o que está dentro do alcance do possível e do impossível elas fazem”, conta. “Se eu puder escolher, prefiro tirar a traqueostomia aqui, fazer o transplante renal, se necessário, aqui. É uma confiança que não é gratuita, é justamente pela transparência em relação ao tratamento. Os médicos têm uma paciência ímpar de explicar N vezes a mesma coisa até a gente entender”, completa.

Após quatro meses, a mãe não desanima: cada vez que ele levanta o braço ou agarra na sonda é uma alegria. E depois de tanto tempo vivendo no Hospital, tem um pedido mais que justo: “Eu acho que ele merece virar adesivo na porta do elevador!”

Autor: Mariana Setubal

Atualizado em: 29/8/2019