Visão geral

A Anestesiologia é a especialidade médica que estuda e proporciona ausência de dor e outras sensações ao paciente que necessita realizar procedimentos médicos, como cirurgias ou exames diagnósticos.

Durante a cirurgia, além da função natural de retirar a sensação de dor para que o ato seja suportável ao ser humano, o médico anestesiologista tem a missão de monitorar o estado geral do paciente, seu nível de consciência, pressão arterial, pulso, respiração, estando sempre atento a qualquer alteração. Em resumo, ele é o responsável por manter as funções vitais do paciente em níveis seguros, sendo o profissional preparado para identificar e tratar quaisquer alterações que possam ocorrer.  É função do anestesiologista ficar ao lado do paciente durante todo o procedimento, sendo que sua ausência só se dará quando um colega substituí-lo.

 

Criança não é adulto pequeno

A equipe de Anestesia do Sabará Hospital Infantil é uma equipe preparada para atendimento da faixa etária pediátrica. É bom ressaltar que esses pacientes possuem diversas peculiaridades que os diferenciam dos adultos, diferenças essenciais que devem ser levadas em conta na realização do procedimento anestésico para que seja feito com qualidade e segurança.

A equipe é preocupada com um atendimento humanizado, voltado para a compreensão e entendimento da criança sobre o que ela vai passar dentro do Hospital, sempre com uma linguagem apropriada para cada faixa etária. A equipe busca sempre meios de criar vínculos de confiança, por meio de uma linguagem lúdica, distraindo as crianças com brinquedos e conduzindo o procedimento para que elas se sintam menos ansiosas e mais preparadas para enfrentar a anestesia.

Um dos diferenciais é a permissão da permanência dos pais no ambiente cirúrgico antes da entrada na sala operatória e durante a indução anestésica na sala operatória ou nas salas de exames. Os pais ficam com os filhos até o momento em que adormecem. Depois, aguardam seus filhos nas áreas de espera das unidades de atendimento. Assim que a criança se recupera e acorda da anestesia, os pais voltam a ficar com ela na sala de recuperação anestésica, novamente dentro do ambiente cirúrgico. Sendo assim, no momento que as crianças adormecem e imediatamente quando acordam estão na presença dos familiares, o que traz um enorme conforto e maior segurança, mesmo num ambiente estranho como é o hospitalar.

A presença dos familiares na indução anestésica é um fator importante para reduzir o estresse e ansiedade na entrada do Centro Cirúrgico e nos momentos iniciais da anestesia, que, associados à avaliação pré-anestésica e à medicação, têm papel fundamental em minimizar o sofrimento da criança. Porém, devemos ter em mente que pais calmos confortam, transmitem serenidade e segurança para seus filhos; enquanto pais temerosos, ansiosos ou chorando transmitem medo e insegurança para as crianças.

O Centro Cirúrgico do Sabará Hospital Infantil foi todo preparado para o atendimento de crianças. Todos os nossos equipamentos, monitores e aparelhos de anestesia, por exemplo, são específicos para uso em Anestesia Pediátrica.

Contamos também com material específico de via aérea pediátrica, com fibroscópios neonatais, pediátricos e dispositivos ópticos para o acesso no caso de via aérea difícil em crianças. Significa que providenciamos todo um kit voltado para a população pediátrica e que garante o manuseio seguro da sua via aérea.

 

Equipe

Atualmente, o Serviço de Anestesiologia Pediátrica (SAPE) do Sabará Hospital Infantil conta com uma equipe formada por 24 médicos anestesiologistas, dedicados ao atendimento de crianças. Muitos desses profissionais atuam em outros conceituados hospitais pediátricos de São Paulo, como o Instituto da Criança (USP) e a Santa Casa de São Paulo.

 

O que fazemos de diferente

Realizamos assistência adequada às necessidades das crianças e seus familiares, com conhecimento de suas peculiaridades. O público infantil é bastante variável por causa das diferenças anatomo-fisiológicas do desenvolvimento e as diferenças na capacidade cognitiva, necessitando de abordagem e linguagem apropriada às crianças de cada faixa etária.

Além disso, em parceria com ações institucionais, a equipe busca oferecer um atendimento humanizado. Em Anestesiologia Pediátrica, a humanização tem como objetivo oferecer cuidados que englobem todo o período pré-operatório, trazendo conforto à criança e aos seus familiaresEsses cuidados incluem:

  • Avaliação pré-anestésica em consultório para procedimentos cirúrgicos eletivos com triagem telefônica, para identificar previamente fatores de risco nos pacientes em regime ambulatorial para exames de imagem;
  • Material informativo sobre a anestesia, orientações escritas e verbais sobre o período pré-operatório;
  • Presença dos familiares na recepção do centro cirúrgico;
  • Sala de pré-medicação na recepção do centro cirúrgico;
  • Presença de um acompanhante na indução anestésica e na sala de recuperação da anestesia;
  • Equipamentos e materiais adequados à população pediátrica, assim como profissionais especializados para trabalhar com crianças;
  • Nos procedimentos de maior porte, que necessitem tratamento específico para controle da dor, há acompanhamento pelo serviço de dor, buscando controlar adequadamente a dor aguda no período pós-operatório, proporcionando maior conforto para as crianças e maior satisfação dos familiares;
  • Orientações escritas e verbais sobre a alta anestésica, assim como fornecer um telefone de contato com o serviço de anestesiologia, para quaisquer intercorrências ou dúvidas.

 

 

Relação com os outros profissionais

Os Anestesiologistas atuam em conjunto com as equipes do Centro Cirúrgico e do Centro de Diagnóstico por Imagem, onde realizam procedimentos anestésicos para exames como tomografia, ressonância magnética, broncoscopia, laringoscopia, nasofibroscopia, endoscopia digestiva, colonoscopia e o exame auditivo de Bera. Todos esses procedimentos diagnósticos na criança são realizados sob anestesia geral.

Conheça o time

 

Débora de Oliveira Cumino

Coordenadora do Serviço de Anestesiologia Pediátrica

  • Graduada em Medicina pela Univerdade São Francisco (USF);
  • Residência Médica em Anestesiologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP);
  • Especialista em Anestesiologia Pediátrica, com Residência Médica no Hospital Infantil Pequeno Príncipe (AHPIRC);
  • Mestre e Doutora em Pesquisa em Cirurgia pela 
Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo;
  • Atua na área de anestesiologia pediátrica há 18 anos.

 

Equipe

Atualmente, o Serviço de Anestesiologia Pediátrica (SAPE) do Sabará Hospital Infantil conta com uma equipe formada por 24 membros, incluindo médicos especializados em Anestesiologia Pediátrica.

Nossa equipe é formada por médicos que participam ativamente na carreira acadêmico-científica de diversas instituições, como na Santa Casa de São Paulo, Escola Paulista de Medicina, Universidade de São Paulo (USP), e no Instituto da Criança (USP). Contamos com médicos com Doutorado e com vários membros portadores do título superior em Anestesiologia.

A equipe de Anestesiologia participa ativamente das atividades desenvolvidas no Sabará em parceria com o Instituto PENSI, reuniões clínicas da Anestesiologia com encontros bimestrais, organização da Jornada de Anestesiologia do Sabará Hospital Infantil realizada anualmente, além da atuação em projetos de pesquisa e publicações.

Muitos de nossos médicos são instrutores de cursos de treinamento prático como curso de Urgências e Emergências da Educação Continuada do Sabará, curso de Imersão em Anestesiologia Pediátrica do Pediatric Advanced Life Suport – PALS e do Centro de Treinamento de Via Aérea – CTVA.

Conheça alguns integrantes da nossa equipe de Anestesiologia:

 

Ana Carla Giosa Fujita

  • Graduação pela Faculdade de Medicina da USP/São Paulo
  • Residência no Hospital das Clínicas FMUSP
  • Atua no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas desde 2009
  • Há 5 anos atua exclusivamente na área de  pediatria
  • Atualmente é membro do comitê de anestesia pediátrica da Sociedade Brasileira de Anestesiologia
  • É médica corresponsável pela residência médica do Hospital das Clínicas de São Paulo.

 

Anna Maria Falchetto

  • Graduação em medicina pela Universidade Federal do Espírito Santo
  • Especialização em Anestesiologia pelo Hospital de Clínicas da Universidade de São Paulo
  • Médica Anestesiologista do Serviço Público Federal – Ministério da Saúde, admitida por concurso público de 1984  a 2014. Exerceu a atividade profissional no serviço de urgência do Hospital Ipiranga- UGA- II até aposentadoria.
  • Médica Anestesiologista do Serviço Público Estadual, admitida por concurso, desde 1984. Exerce a função no Instituto da Criança do Hospital de Clínicas – USP onde atua na assistência aos pacientes e orientação de Médicos Residentes em formação.
  • Atuou como Médica do Corpo Clínico do Hospital Nossa Senhora do Pari no período de 1984 – 2008 onde exercia a função de Anestesiologista para cirurgias ortopédicas.
  • Membro do Corpo Clínico do SabaráHospital Infantil desde 2007, na função de Médica Anestesiologista.

 

Hugo Italo Melo Barros

  • Graduação em Medicina pela Universidade Federal de Alagoas – UFAL, Maceió – AL
  • Residência Médica em Anestesiologia no Hospital Universitário Professor Alberto Antunes HUPAA/UFAL, Maceió – AL
  • Estágio em Anestesiologia em Stanford University, Palo Alto – CA – Estados Unidos
  • Especialização em Anestesiologia Pediátrica: Hospital Pequeno Príncipe, Curitiba – PR
  • Título de Especialista em Anestesiologia: Sociedade Brasileira de Anestesiologia
  • Médico anestesiologista no Serviço de Anestesiologia Pediátrica – SAPE no Sabará Hospital Infantil

Qualidade e segurança

Há a avaliação de diversos indicadores antes, durante e depois do procedimento anestésico, visando identificar as pequenas falhas que podem ocorrer no processo de atendimento ao paciente, sempre buscando uma melhoria contínua, visando qualidade e segurança nos serviços oferecidos.

Contamos com diversos protocolos institucionais para atendimento de crianças alérgicas a látex, portadoras de risco de hipertermia maligna e outras condições.

No Serviço de Anestesiologia Pediátrica do Sabará existe um serviço de gestão e um núcleo de qualidade. Nesse núcleo, são desenvolvidos protocolos institucionais e indicadores sobre a prática médica.

Anestesiologia em números

O SAPE atende em média 450 procedimentos anestésicos por mês.

No ano de 2016, realizou um total de 5665 procedimentos anestésicos. Dessas anestesias, 3832 foram para procedimentos cirúrgicos e 1833 para exames de imagem, tomografias e ressonâncias magnéticas.

Informativos para os pais

O Serviço de Anestesiologia do Sabará Hospital Infantil criou um folheto intitulado “Informações sobre anestesia”, com informações sobre todo o processo anestésico cirúrgico, ajudando os pais e familiares a esclarecerem suas dúvidas sobre a anestesia.

Você e seu filho deverão receber este folheto durante a consulta com o cirurgião ou na consulta de avaliação pré-anestésica e, assim, esclarecer todas as dúvidas.

Durante a consulta pré-anestésica, o anestesiologista fará um questionário sobre a saúde e os hábitos de seu filho e também questionará antecedentes de sua família. Solicitamos que os acompanhantes das crianças sejam pessoas habilitadas a prestar estas informações, de preferência os pais.

Ainda na consulta de avaliação pré-anestésica será realizado um rápido exame físico, bastante direcionado para as prioridades anestésicas e também serão checados exames laboratoriais e uso de medicações.

Portanto, solicitamos aos pais ou acompanhantes que tragam consigo os exames pré-operatórios da criança, assim como tenham em mãos uma lista com os medicamentos que a criança faz uso regularmente.

Nos casos em que não foram solicitados exames pelo cirurgião, não se assustem! As crianças saudáveis que se submetem a procedimentos simples, na maioria das vezes, não necessitam de avaliação laboratorial (exames de sangue). Durante a consulta pré-anestésica, o anestesiologista ainda pode solicitar opinião de outro médico especialista, assim como exames laboratoriais que julgue necessário.

Na consulta pré-anestésica, teremos a oportunidade de colocar as crianças em contato com a realidade anestésica-cirúrgica, explicando o que irá acontecer e mostrando materiais que serão utilizados na anestesia. Esta abordagem favorece o aprendizado e o preparo emocional da criança, que enfrentará a nova situação mais familiarizada com as peculiaridades do ambiente do centro cirúrgico, diminuindo a ansiedade e o medo.

Como os pais podem ajudar

A participação dos pais no preparo da criança é fundamental. Você pode ajudar seu filho a lidar com o estresse e o medo da cirurgia, através de algumas ações:

 

  1. Saiba tudo o que puder…

As crianças percebem quando seus pais estão preocupados, portanto, os pais ou responsáveis devem também se preparar.

E como fazê-lo? Tudo o que é desconhecido gera insegurança e medo no ser humano, este é um processo totalmente normal.

Assim, quanto mais você souber sobre os sentimentos de seu filho e sobre o procedimento que irá enfrentar, mais se fortalece e ajuda no preparo da criança. Tire suas dúvidas, conheça todos os médicos envolvidos no processo, cirurgiões e anestesista e, assim, você se sentirá melhor, mais confiante, seguro e capaz de transmitir segurança para seu filho.

 

  1. Seja honesto!

Em um esforço para tranquilizar o seu filho, você pode sentir-se tentado a dizer-lhe coisas que não são verdadeiras. Esta atitude não é boa, pois pode quebrar o vínculo de credibilidade e confiança entre pais e filhos.

É muito importante se abrir com a criança, explicar o porquê vai para o hospital (de forma simples para que ela possa compreender). Se algo pode doer, diga a verdade!

Explique que, embora exista a possibilidade de doer, algumas crianças sentem um pouco de dor, mas outras quase não a sentem e que vocês irão descobrir juntos o que dói. Explique também que este é um hospital feito só para crianças e, desta forma, as pessoas que trabalham aqui, médicos e enfermeiras gostam muito de crianças e farão todo o possível para que a dor e o desconforto sejam mínimos.

 

  1. Incentive a discussão e perguntas

Converse com seu filho sobre a operação ou exame. Abra a discussão e pergunte se ele tem alguma dúvida. Você pode perguntar sobre alguns aspectos da internação e promover uma discussão.

 

Controlando a ansiedade

Em crianças acima dos 6 anos de idade, a avaliação pré-anestésica deve acontecer num período de 5 a 7 dias antes da cirurgia, facilitando o processo psicológico de assimilação e preparo emocional para o enfrentamento do ato anestésico–cirúrgico. Abaixo desta faixa etária, a avaliação pode acontecer com menor antecedência, pois o processo de adequação psicológica é mais dependente da orientação dos familiares.

Segundo alguns autores, a Avaliação pré-anestésica realizada com a devida antecedência, assim como a prestação de informações dirigidas à criança e aos pais, através de folhetos explicativos, e o contato com equipamentos de anestesia (por exemplo a máscara facial) são fatores que determinam uma menor ansiedade na indução anestésica, melhor recuperação anestésica, diminuindo a dor e os distúrbios de comportamento no pós-operatório, influenciando no tempo de permanência hospitalar, favorecendo alta precoce.

Além do preparo pré-anestésico, o serviço de anestesiologia busca minimizar a ansiedade de forma lúdica, oferecendo brinquedos às crianças na recepção do centro cirúrgico, e também permitindo que as crianças tragam e entrem no centro cirúrgico com seus próprios brinquedos de estimação.

Porém, nos casos onde exista indicação, podemos lançar mão de recursos farmacológicos, oferecendo medicação pré-anestésica, o que irá proporcionar diminuição da ansiedade e algum grau de sonolência. Idealmente esta medicação deve ser administrada para a criança numa área contígua ao centro cirúrgico (sala de pré-medicação ou recepção de pacientes), para adequada monitoração da criança, evitando transporte do paciente sob algum grau de sedação, e também possibilitando a rápida identificação de reações adversas.

A presença dos familiares na indução anestésica também é outro fator importante para reduzir o estresse e ansiedade na entrada do centro cirúrgico e nos momentos iniciais da anestesia. Associada à avaliação pré-anestésica e à medicação, tem papel fundamental em minimizar o sofrimento da criança. Porém, devemos ter em mente que pais calmos confortam, transmitem serenidade e segurança para seus filhos; entretanto pais temerosos, ansiosos ou chorando transmitem medo e insegurança para as crianças.

Cuidadosamente e carinhosamente solicitamos aos pais firmeza nos momentos que antecedem um procedimento anestésico-cirúrgico, orientando falar sempre a verdade, transmitindo confiança e tranquilidade para a criança, para que assim as crianças possam se espelhar em atitudes positivas e de colaboração.

No momento da entrada no centro cirúrgico será permitida a presença de familiares que estejam tranquilos, para acompanhar as crianças que não apresentem contraindicações desta prática; os familiares poderão permanecer durante a indução anestésica, transmitindo carinho, segurança e coragem aos pequenos.

Todas as crianças com antecedentes de doenças respiratórias, alergias, doenças congênitas, obesidade, e outras situações que a critério do médico anestesiologista sejam potenciais para complicações ou dificuldade na indução, recomenda-se não permitir a presença dos familiares. No entanto, as equipes médica e de enfermagem do centro cirúrgico do Sabará terão o maior cuidado e carinho com as crianças, favorecendo uma indução anestésica e despertar anestésico tranquilos.

 

Perguntas e respostas

1 – Quais são os principais riscos que a anestesia pode trazer para as crianças? 

Na atualidade o grande avanço tecnológico, farmacêutico e principalmente no conhecimento científico proporcionam qualidade e maior segurança nos procedimentos anestésicos. Contamos com equipamentos de monitoração que nos permitem avaliar em tempo real a função cardíaca, respiratória, resposta muscular, consciência, dentre outros. Os medicamentos também são mais seguros com menores efeitos sobre os diversos órgãos e sistemas, proporcionando maior segurança.

Portanto, fica claro que o risco anestésico se relaciona muito mais às condições clínicas da criança do que ao ato anestésico em si. Crianças saudáveis possuem baixo risco para qualquer tipo de complicação. Entretanto, crianças portadoras de doenças ou recém-nascidos prematuros possuem risco aumentado, mas isso só é possível avaliar no momento em que o anestesista conhece o paciente.

Sendo assim, fica evidente a importância da consulta de avaliação pré-anestésica, realizada com o médico anestesiologista. Neste momento, o médico conversa com os familiares da criança, conhece o quadro clínico, realiza exame físico, esclarece sobre os possíveis riscos, sobre a técnica anestésica e orienta como os pais devem preparar as crianças para se realizar uma anestesia com o máximo de segurança.

 

Leia a matéria publicada na Revista Pais&Filhos sobre a anestesia

 

2 – Quais são as técnicas anestésicas utilizadas em crianças? Quais são seus efeitos? 

As técnicas anestésicas utilizadas nas crianças são as mesmas que usamos nos adultos, ou seja, anestesia geral, bloqueios de neuroeixo e periféricos.

A grande diferença da população pediátrica são alterações anatômicas e fisiológicas que ocorrem a partir do nascimento, modificando seu organismo durante o crescimento até a puberdade. Estas modificações interferem na forma como o organismo da criança responde à anestesia, portanto, o médico anestesista possui conhecimento e experiência com esta faixa etária para administrar qualquer um dos tipos de anestesia na criança.

A anestesia na criança, na maioria das vezes, é associada a uma técnica de anestesia geral, pois esta população não tem condições de ficar acordada durante um procedimento cirúrgico. Assim, com grande frequência, utilizamos uma técnica que se inicia com a criança respirando um gás anestésico e após seu adormecimento, puncionamos veia para administrar medicações venosas, que serão usadas conforme a necessidade de cada caso.

A anestesia geral proporciona inconsciência, ausência de dor, relaxamento muscular e hipnose, dentre as modalidades de anestesia geral, podemos variar desde anestesia geral leve até a profunda, dependendo da necessidade de cada caso. Anestesia geral leve, conhecida como sedação, permite realizar exames diagnósticos ou ainda ser associada a bloqueios para cirurgias pequenas, como exemplo as correções de hérnia ou fimose. A anestesia geral profunda permite realizar cirurgias de grande porte, como exemplo cirurgias cardíacas, transplantes e outras.

Após se estabelecer a anestesia geral, podemos associar técnicas de bloqueios, ou seja, anestesias locais ou regionais. Como nos adultos, podemos optar por um bloqueio de neuroeixo como a raquianestesia ou a peridural que proporcionaram anestesia de uma determinada região do corpo, ocorrendo insensibilidade e ausência de dor nos membros inferiores até a região da cintura abdominal. Os bloqueios periféricos proporcionam insensibilidade e ausência de dor em determinado segmento, como exemplo em um braço, em parte da parede abdominal e outros conforme o local que será realizada a cirurgia.

 

3 – Quais procedimentos necessitam de anestesia? 

Muitos procedimentos médicos necessitam de anestesia em crianças, desde exames diagnósticos até as cirurgias. Os exames de imagem, como tomografia, ressonância magnética, ecocardiografia e outros são indolores, nestes procedimentos realizamos uma anestesia geral leve, pois a criança precisa apenas se manter imóvel. Alguns exames são dolorosos, como exemplo as biópsias, necessitando de anestesia um pouco mais profunda, possibilitando que a criança também não sinta dor durante o procedimento.

 

4 – Em recém-nascidos existe a possibilidade dos pais adiarem um pouco alguns procedimentos cirúrgicos, para que a criança cresça e se torne mais tolerante aos efeitos da anestesia? 

Recém-nascidos prematuros possuem imaturidade dos diversos órgãos e sistemas que implicam em alguns riscos, porém como já disse anteriormente, os avanços médicos permitem que se realizem anestesias em crianças com poucas horas de vida com muita segurança, para isso é importante que o médico anestesista conheça com detalhes a história clínica deste neonato, na consulta de avaliação pré-anestésica, assim pode programar a técnica que proporciona o menor risco possível e algumas vezes mantém este bebê sob monitoração no pós-operatório para acompanhar seu reestabelecimento.

Na maioria das vezes, quando existe uma indicação de cirurgia, não é possível se postergar o procedimento por muito tempo. Em alguns casos, nos quais a indicação é estritamente eletiva, ou seja, não é emergência ou urgência que implica em risco de vida, pode-se aguardar para realizar o procedimento. O crescimento não proporciona “tolerância” à anestesia, mas sim o desenvolvimento e maturação de diversos órgãos e sistemas tornam a criança menos susceptível aos efeitos indesejados da anestesia.

 

5 – Existem cuidados pré-operatórios que os pais podem colocar em prática ou ficarem atentos caso a criança precise tomar anestesia?

No pré-operatório é de extrema importância que os pais procurem preparar a criança para o procedimento anestésico-cirúrgico, tentado explicar, de forma lúdica, o que irá acontecer com uma linguagem apropriada à faixa etária pediátrica. Falar a verdade é muito importante, pois mentir ou omitir pode fragilizar os laços de confiança.

Outro aspecto de extrema importância é o cumprimento do período de jejum adequado ao tipo de alimento e à idade da criança. O não seguimento das orientações do jejum implicam em riscos de regurgitação durante a anestesia, aumentando o risco do procedimento anestésico.

 

6 – Quais cuidados são importantes em relação ao pós-operatório?

No período pós-operatório imediato, logo que a criança desperta da anestesia, algumas podem apresentar agitação e irritabilidade. Neste momento, recomenda-se confortar a criança, no entanto, em alguns casos é necessário o uso de medicações calmantes para controlar estes sintomas e permitir um novo despertar mais tranquilo.

Cada tipo de procedimento cirúrgico necessita de cuidados específicos. Para todas as crianças submetidas à anestesia, desde que não haja restrições alimentares, é importante recomeçar a ingestão de alimentos com líquidos sem gorduras, como água, chás e sucos de frutas, em pequenas quantidades, para depois permitir alimentos sólidos, assim, diminuindo o risco de náuseas neste período.

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Condições e tratamentos

A Anestesiologia Pediátrica atende crianças que precisam de diversos tipos de cirurgias gerais, como cirurgia de correção de hérnias inguinais, umbilicais, correção de fimose, cirurgias otorrinolaringológicas, como amígdalas, adenóide, cirurgias de ouvido.

Também há as cirurgias gerais pediátricas por vídeo, como de apêndice, estômago, cirurgias gástricas etc. A equipe de anestesiologia atende também procedimentos ortopédicos, para redução de fraturas e estabilização, cirurgias para tratamento de fraturas em crianças, para correção de anomalias ósseas, como pé torto, cirurgias no quadril, na coluna, como escoliose.

Dentro da área de cirurgia cardíaca, também atua com cirurgias corretivas de doenças congênitas do coração. Atuam também em cirurgias na parte urológica, como correção de hipospadia; cirurgias neurológicas, procedimentos neurocirúrgicos, como a correção de cranioestenose, cirurgias para tumores cerebrais, entre outros.

 

Complicações

Algumas doenças pré-existentes têm potencial maior para complicações ou dificuldade na indução anestésica, por isso o médico anestesiologista fará uma avaliação, a fim de conhecer o histórico clínico do paciente. Informe ao médico se seu filho tem:

 

  • Doenças respiratórias;
  • Alergias;
  • Doenças congênitas;
  • Obesidade.

Informações para profissionais

O Serviço de Anestesiologia Pediátrica tem um importante papel na formação dos médicos anestesiologistas durante a Residência Médica. Cerca de três médicos residentes em Anestesiologia do estado de São Paulo e outros estados do Brasil são recebidos todo mês na Instituição para estágio na disciplina de Anestesiologia Pediátrica, que é obrigatória durante a especialização em Anestesiologia. Alguns desses médicos residentes se encantam com o Serviço e buscam aperfeiçoamento ou subespecialização em Pediatria após a formação anestésica convencional.

 

Atuação da equipe

Na equipe de anestesia do Sabará Hospital Infantil há membros com experiência em anestesia para todas as subespecialidades cirúrgicas no âmbito da pediatria, incluindo neurocirurgia, cirurgia cardíaca e hemodinâmica, cirurgia urológica, otorrinolaringologia e cirurgia de via aérea, oftalmologia, cirurgia plástica, cirurgia torácica, cirurgia vascular, cirurgia videolaparoscópica e cirurgia pediátrica em seus mais diversos procedimentos, desde os mais simples aos de maior complexidade.

Nossa preocupação maior é com a segurança e o conforto para o paciente, sempre visando a melhor técnica anestésica e as melhores condições cirúrgicas para o cirurgião, além do maior controle dos possíveis eventos adversos, como náusea e vômitos no pós-operatório e dor. Para isso contamos com um arsenal de medicamentos que inclui os melhores fármacos reconhecidos na literatura médica mundial e atualmente autorizados pela ANVISA aqui no Brasil.

Para o controle da dor, nossa equipe tem treinamento e habilidade para realizar bloqueios de neuroeixo e bloqueios periféricos guiados por ultrassonografia, incluindo técnicas de analgesia contínua, sempre com os melhores materiais disponíveis no mercado.

Além disso, todas as condutas são tomadas seguindo protocolos institucionais bem estabelecidos pela equipe de qualidade em anestesia. Esses protocolos são de fácil acesso através da intranet do Hospital tanto para os anestesiologistas quanto para os cirurgiões e equipe de enfermagem, e servem para aumentar a segurança e eficiência da atuação da anestesia, bem como para evitar falhas no processo de planejamento do tratamento do paciente.

 

Serviços relacionados

O Centro Cirúrgico do Sabará Hospital Infantil possui todos os equipamentos e recursos para a melhor prática médica atual. Conta com equipamentos modernos de anestesia, monitores, sistemas anti-poluição, ultrassom para realização de bloqueios anestésicos pediátricos, material por vídeo para realização de cirurgias, videoendoscópios e fibroscópios para o acesso à via aérea pediátrica, dispositivos ópticos, vários dispositivos de segurança. Conta ainda com equipamentos como microscópios de última geração para realização das cirurgias; com os sistemas de vídeo e salas inteligentes com possibilidade de filmagem dos procedimentos realizados por vídeo ou por microscopia; e com equipamentos adequados para a realização dos procedimentos cirúrgicos, trazendo maior segurança.

Ainda de modo exemplar, o Centro Cirúrgico do Sabará Hospital Infantil foi todo preparado para o atendimento de crianças. Os equipamentos, monitores, aparelhos de anestesia, as placas do eletrocautério – todos eles são aparelhos específicos para uso em anestesia pediátrica. Há material específico de via aérea pediátrica, com fibroscópios neonatais, dispositivos ópticos para o acesso no caso de via aérea difícil em crianças, todo um kit preparado especialmente para a população pediátrica. Também há diversos protocolos institucionais para atendimento específico de crianças alérgicas a látex, crianças portadoras de risco de hipertermia maligna e outras comorbidades. O serviço está preparado para atendimento específico desses problemas de saúde, tornando-se assim referência em anestesia pediátrica.

 

Os equipamentos de imagem do Sabará Hospital Infantil permitem exames de ponta para as crianças, como ressonância magnética e tomografia. A equipe de anestesiologia utiliza técnicas adequadas e atualizadas de anestesia para a realização dos exames.

 

O serviço de anestesia do Sabará Hospital Infantil ainda conta com um consultório de avaliação pré-anestésica, no qual é possível marcar uma consulta para avaliação com um anestesiologista, em que serão feitos vários questionamentos a respeito das condições de saúde da criança para avaliar o risco anestésico. Também será feito um breve exame físico e serão fornecidas todas as informações aos pais a respeito do procedimento anestésico, suas limitações, seus riscos, assim como orientações sobre o preparo pré-operatório, tempo de jejum, uso de medicações etc.