Simpósio do Hospital Infantil Sabará Debateu Dificuldades Alimentares na Infância

Especialistas renomados do Brasil e do exterior se reuniram para discutir as novidades sobre diagnósticos e tratamentos de crianças com problemas alimentares.

São Paulo, março de 2013 – O Instituto PENSI da Fundação Hospital Infantil Sabará realizou nesta segunda-feira (11), o 1º Simpósio sobre Dificuldades Alimentares na Infância, em São Paulo (SP). O objetivo do evento, que contou com a participação de renomados especialistas em nutrição e convidados internacionais, foi revelar e discutir as novidades dos diagnósticos e atuais tratamentos dos distúrbios alimentares na infância.

O encontro, voltado a pediatras, nutrólogos, fonoaudiólogos, nutricionistas, professores de educação infantil, pedagogos e psicólogos, revelou a importância de uma equipe multidisciplinar de profissionais para tratar um dos assuntos mais relevantes do momento: a educação alimentar. “Atualmente, muitas crianças têm dificuldades de alimentação e é fundamental realizar o diagnóstico precoce para uma avaliação nutricional assertiva, pois os problemas que geram dificuldades alimentares podem ser orgânicos ou comportamentais, e devem ter o acompanhamento da família para uma mudança de hábito alimentar”, ressalta Mauro Fisberg, pediatra, nutrólogo e coordenador do Centro de Dificuldades Alimentares da Fundação do Hospital Infantil Sabará.

Ao iniciar o tratamento deve-se levar em conta a faixa etária da criança, pois cada fase requer um procedimento específico. “Quando o bebê começa a ingerir alimentos sólidos, é o período em que ele está desenvolvendo habilidades motoras, portanto é importante deixá-lo sentir a textura e a consistência do alimento ao comer. Já para uma criança maior, a experiência é diferente. Geralmente as crianças gostam de brincar, por isso alguns métodos que podem contribuir são organizar cores diferentes no prato, decorar o alimento em formato de desenho, deixar a criança manusear. Todos esses aspectos ajudam a despertar a atenção”, explica Kim Milano, nutricionista pediátrica no Children’s Medical Center, uma das palestrantes e convidada internacional.

A primeira medida dos pais, ao detectar alguma dificuldade alimentar do filho, é levá-lo ao pediatra que, geralmente, é o primeiro a fazer o diagnóstico. É importante, nesta etapa, obter o resultado preciso e identificar logo o problema e, se for o caso, encaminhá-lo a um especialista. Na maioria das vezes, a criança sofre com alguma dificuldade alimentar em função dos hábitos familiares. “Cerca de 60% dos pais têm problemas em sua própria alimentação e, consequentemente, a criança segue o costume familiar, por isso é importante o comportamento da mãe frente à recusa do filho na ingestão do alimento”, conta o Benny Kerzner, gastroenterologista pediátrico e coordenador do Centro de Dificuldades Alimentares do Children’s National Medical Center – Washington University, Estados Unidos.

O impacto da dificuldade alimentar traz como consequência problemas nas funções orais. “A primeira e mais importante função oral é a sucção. Assim que o bebê nasce e ele precisa desenvolver a capacidade de sugar o leite materno, essa é a fase preparatória para o desenvolvimento facial e da mandíbula. Se neste período ele não desenvolve corretamente essa fase, pode prejudicar as demais etapas como: respiração, mastigação e deglutição”, conta Patrícia Junqueira, fonoaudióloga responsável pelo Centro de Dificuldades Alimentares da Fundação Hospital Infantil Sabará e doutora em Distúrbio da Comunicação Humana pela Unifesp.

Além do visual e do paladar, é necessário a criança desenvolver os outros sentidos e o olfato tem um papel importante nesse processo. Estudos comprovam que mais de 70% da percepção de gosto vem do cheiro. Para chamar a atenção da criança para uma alimentação correta e saudável, é fundamental a refeição também ter um aroma agradável. A discussão da palestra mostrou que após estabelecer a conduta do método, o próximo passo será alinhar prazos, metas e implementar as etapas em todos os ambientes frequentados pela criança, principalmente, na escola e junto à família.

O simpósio contou com apoio da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), Associação Paulista de Nutrição (Apan), Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN) e Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa).

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