Se não Diagnosticado e Tratado, Estrabismo Compromete Visão da Criança

Dificuldade dos pais em identificar problema retarda tratamento e reduz as possibilidades de correção

São Paulo, junho de 2012 - O estrabismo infantil aparece já no primeiro ano de vida e figura entre os problemas de saúde mais prevalentes entre as crianças. Caracterizado pela perda do paralelismo entre os dois olhos, o problema costuma confundir os pais, que muitas vezes convivem com o mito de que bebês são normalmente estrábicos e que, com o tempo, a irregularidade desaparece sozinha.

Essa dificuldade dos pais em identificar o estrabismo se dá porque o recém-nascido ainda não apresenta a capacidade de integração entre o olho e o cérebro, que é o que coordena o alinhamento dos olhos. Mas o oftalmologista do Hospital Infantil Sabará, Thomaz Rodolfo Junior, informa que essa descoordenação normalmente é superada entre os três e os seis meses de vida. "Movimentos oculares irregulares ocorrem até o terceiro mês. Após essa fase, o bebê já começa a ser capaz de firmar o olhar".

A avaliação oftalmológica é um importante aliado dos pais para ter certeza se o bebê é mesmo estrábico. "Ela não apenas confirma ou descarta o estrabismo, como também detecta doenças graves, como a catarata ou o glaucoma congênitos, que pode levar à perda de visão", explica.

É fundamental que a primeira avaliação oftalmológica aconteça logo após o parto, e depois a cada seis meses, durante o primeiro ano de vida. O exame deve, então, ser repetido aos três anos de idade e depois, durante o processo de alfabetização. Em caso de dúvida, no entanto, é melhor procurar um oftalmologista.

Segundo o médico, o desenvolvimento da visão se dá desde o nascimento até aproximadamente os 7 anos de vide. "O fato de um olho apresentar-se desviado pode fazer com que sua visão não seja completamente desenvolvida. Quanto mais cedo se trata o estrabismo, melhor o prognóstico visual. Estrabismo não tratado nesta fase da vida pode resultar em dano permanente e irreversível à acuidade visual", afirma.

Diagnóstico

O teste realizado para se detectar o desalinhamento dos globos oculares é relativamente simples. O teste de Hirschberg consiste em incidir um foco de luz nos olhos do paciente e, se o reflexo corneano incidir sobre as "meninas dos olhos" (pupilas), considera-se que o olhar está centrado e não há estrabismo. Caso contrário, o oftalmologista deve fazer uma série de exames para confirmação do desvio e para o tratamento adequado.

Tratamento

Realizado o diagnóstico, a primeira preocupação é com o adequado desenvolvimento da acuidade visual de cada olho. Existem testes que orientam o melhor tratamento clínico. Faz-se testes ortópticos (por um profissional chamado de ortoptista) e nele define-se, por exemplo, o ângulo de desvio (importante no caso de indicação cirúrgica) e o tipo de oclusão (se necessário) e a evolução do quadro com o tratamento clínico.

O oftalmologista determina se será necessário o uso de correção óptica (óculos). Algumas crianças melhoram do desvio apenas com o uso do óculos adequado sem a necessidade, por exemplo, de intervenção cirúrgica.

A oclusão (uso de tampão) de um dos olhos por um determinado período de horas, ou a oclusão alternada entre os olhos faz com que o olho não ocluído seja "forçado" a trabalhar e isso assegura o desenvolvimento das vias ópticas (para que não atrofiem) e consequentemente o aprimoramento da visão.

Quando se alcança um desenvolvimento visual equivalente entre os olhos (isso quem determina é o seguimento clínico com o oftalmologista e o ortoptista), pode-se passar a pensar em um tratamento da correção do desvio. O tratamento cirúrgico consiste em se reposicionar a musculatura que permite a movimentação dos olhos e, nas crianças, deve ser feita sob anestesia geral, somente após prévia avaliação clínica do pediatra e do anestesista.

Muitos não sabem, mas a proteína botulínica (a mesma do Botox) tem se firmado como uma boa alternativa às intervenções cirúrgicas em casos de estrabismo infantil. "No entanto há desvantagem no fato de haver perda de efeito da aplicação do medicamento após alguns meses o que implicaria novas aplicações após períodos determinados", pondera.

Segundo o especialista, independentemente do método escolhido, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado é fundamental para o desenvolvimento visual dentro da normalidade, e, para isso, a família e os profissionais de saúde devem estar atentos.

Tradicionalmente conhecido por sua eficiência e bons resultados, o Hospital Infantil Sabará nasceu no início dos anos 60, quando um grupo de médicos pediatras resolveu criar um serviço diferenciado. A partir daí o complexo hospitalar se firmou como centro de referência na área, sendo o primeiro hospital a inaugurar uma UTI pediátrica em 1974. Desde setembro de 2010, o hospital atende na Avenida Angélica, nº 1.987, no bairro de Higienópolis (SP), em um novo prédio de 17 andares que tem um conceito moderno e inovador. A partir de 2011, virou Fundação. Acesse o site do Hospital Infantil Sabará e o Blog Saúde Infantil