Psicóloga Ensina Pais a Lidar com “Agressões” na Infância

Criança com menos de 3 anos não morde ou bate como sinônimo de bullying, mas para demonstrar insatisfação, ansiedade e frustração. Atitude deve ser evitada com firmeza dos pais o mais cedo possível.

São Paulo, abril de 2011 - Se o adulto costuma ter rompantes de raiva e atitudes impróprias, por que culpar as crianças com menos de três anos que mordem ou batem nos colegas nos primeiros anos de convívio social?

“É óbvio que os pais sofrem ao ver as marcas nos corpos dos pequenos e outros ficam intimidados quando seus filhos são os ‘agressores’, mas o comportamento faz parte do desenvolvimento infantil, só não deve ser estimulado”, pondera a psicóloga Ana Lúcia Gomes Castello, colaboradora do Hospital Infantil Sabará.

Morder o coleguinha para conseguir o que deseja é freqüente na primeira infância, principalmente entre um e três anos. Acontece porque a criança não domina ainda o recurso da fala para se expressar. “Como está na fase oral, a criança já costuma levar tudo à boca. Não é incomum que use o recurso para demonstrar insatisfação ou até se defender”, esclarece.

Abocanhar o braço de quem está ao lado ainda pode ser sinônimo de ansiedade, insegurança, frustração e até uma forma de chamar a atenção dos adultos. Como nem sempre sabem o que estão fazendo, são os pais que irão reverter essa incomoda situação. “Quando a criança é menor, claro, seu entendimento é mais restrito, mas ela sabe que está fazendo algo errado, por isso os pais devem ser firmes”, aconselha a psicóloga.

Como os menorzinhos tendem a desviar a atenção com facilidade, a dica é sentar com eles, conversar olhando nos olhos e falar pausadamente, mostrando que o morder é inaceitável, que machuca os outros, que ela ou ele não gostaria de ser mordido também.

“É ainda uma ótima oportunidade de abordar o tema respeito ao próximo e até para começar a ensinar os pequenos a falar sobre o que sente para os outros – algo comum na vida adulta e motivo de depressão na sociedade moderna. É impor os limites necessários à educação”, recomenda.

Como a onda do bullying, muitos pais já associam as mordidas ao início do assédio. De acordo com a Dra Ana Lúcia, “o bater e/ou o morder nesta etapa de vida não indica índole violenta ou intenções agressivas, aspectos do bullying praticado por crianças mais velhas. “Antes de sofrer com as feridas e com as culpas, os pais devem agir e saber que o revidar é inaceitável, pois estimula a violência que pode ser perpetuada em outras fases do desenvolvimento infantil”, finaliza.

Tradicionalmente conhecido por sua eficiência e bons resultados, o Hospital Infantil Sabará nasceu no início dos anos 60, quando um grupo de médicos pediatras resolveu criar um serviço diferenciado. A partir daí o complexo hospitalar se firmou como centro de referência na área, sendo o primeiro hospital a inaugurar uma UTI pediátrica em 1974. Desde setembro de 2010, o hospital atende na Avenida Angélica, nº 1.987, no bairro de Higienópolis (SP), em um novo prédio de 17 andares que tem um conceito moderno e inovador.