Coqueluche é mais Grave em Crianças com Menos de Seis Meses.

Nesta idade a imunidade adquirida pela vacina ainda não existe e os sintomas da doença são intensos. Pesquisas apontam que adultos são os maiores transmissores da infecção em crianças. Estado de São Paulo registra 183 casos.

São Paulo, outubro de 2011 - Com a notícia sobre novos casos de coqueluche (também conhecida como tosse comprida) no Estado de São Paulo, quem tem bebês com menos de seis meses deve dobrar a atenção. Embora a vacinação para essa faixa etária faça parte do programa do SUS (Sistema Ùnico de Saúde), as doses da vacina tríplice bacteriana (dtp, difteria, tétano e coqueluche), que previne contra a doença, são dadas em etapas (2, 4, 6 e 12 meses e aos 5 anos). A imunidade, porém, só é adquirida na terceira dose.

Doença causada pela bactéria Bordetella pertussis, a coqueluche é transmitida pela pessoa infectada ao tossir, espirrar ou falar. Pesquisas internacionais apontam que são os adultos os principais transmissores do microrganismo. Em uma delas, publicada no Pediatric Infectious Disease Journal, 83% dos casos de coqueluche em menores de 6 meses apresentaram a infecção após contato com parentes, sendo os pais os responsáveis por 55% delas.

Segundo o infectologista Milton Lapchik, do Hospital Infantil Sabará, os primeiros sintomas da doença consistem em tosse, coriza, hipersecreção respiratória, febre e prostração. “Já na fase seguinte, a criança evolui com tosse seca e intensa, podendo levar a ocorrência de vômitos pelo esforço do ato de tossir. Casos graves da doença podem levar à insuficiência respiratória grave.”

De acordo com o médico, como o sistema imunológico das crianças menores de um ano ainda está em fase de desenvolvimento, esses sintomas são mais graves, sendo muitas vezes necessária a hospitalização em serviço de pediatria, para início de tratamento com maior segurança. Bebês são mais suscetíveis a desenvolver pneumonia nesses casos críticos.

Crianças com mais de 10 anos e adultos, entretanto, também correm mais riscos de se contaminar, chama a atenção o médico. “A imunidade adquirida com a vacinação diminuiu após 5 e 10 anos. Por isso, não é incomum nesta faixa etária pacientes com os mesmos sintomas acima, mas com menor intensidade. O problema é que eles se transformam em fontes de contaminação”, esclarece Lapchik.

A transmissão inicia-se na fase catarral, 7 a 10 dias após o contágio e dura até três semanas após o início dos paroxismos, se não houver o uso do antibiótico apropriado. Com o uso de medicação, o paciente pode ser considerado não contagiante após 5 dias da instituição da terapêutica.

O ideal seria que adolescentes e adultos, principalmente aqueles que convivem com crianças menores, tomassem a vacina tríplice bacteriana, que também protege contra o tétano e a difteria, a cada dez anos.

Até julho deste ano, a infecção atingiu mais pessoas do que em 2010, quando o Estado de São Paulo registrou cerca de um terço dos casos do país. Foram registrado até o momento 183 casos, com 6 mortes.

Sobre a Fundação Hospital Infantil Sabará

Tradicionalmente conhecido por sua eficiência e bons resultados, o Hospital Infantil Sabará nasceu no início dos anos 60, quando um grupo de médicos pediatras resolveu criar um serviço diferenciado. A partir daí o complexo hospitalar se firmou como centro de referência na área, sendo o primeiro hospital a inaugurar uma UTI pediátrica em 1974. Desde setembro de 2010, o hospital atende na Avenida Angélica, nº 1.987, no bairro de Higienópolis (SP), em um novo prédio de 17 andares que tem um conceito moderno e inovador.