Bebês Também Sofrem de Insônia?

Neuropediatra informa quando as noites em claro estão prejudicando a criança, principalmente nos 12 primeiros meses de vida.

São Paulo, julho de 2011 As noites em claro não são exclusividade dos adultos. Ao contrário do senso comum, muitos bebês não dormem nem durante a noite, nem ao longo do dia. Para a neuropediatra Clarissa Bueno, do Hospital Infantil Sabará, os pais costumam se desesperar nessa situação sem motivos. “É necessário levar em conta a individualidade dos pequenos. Assim como nós, alguns precisam de poucas horas de sono, outros têm de dormir por mais tempo”, esclarece.

De acordo com a médica, ao longo dos primeiros 12 meses de vida, a duração do sono das crianças pode variar de oito até 18 horas por dia, de acordo com a idade e as características individuais. “Essa variação pode ser apenas uma característica da criança, e não um problema de saúde”, diz.

Para saber ao certo que essas horas de sono a menos não estão afetando a vida dos bebês, os pais devem observar o comportamento da criança. “Se elas não descansam tempo suficiente, independente de qualquer motivo, elas ficam irritadas, agitadas e/ou cansadas. Em alguns casos, perdem até o apetite, ou seja, passam a mamar menos”, alerta.

Alguns problemas de saúde também podem comprometer a qualidade do sono dos pequenos. Crianças com asma, rinite, alergias ou síndrome gripais têm dificuldade para respirar e dormir. Bebês com refluxo gastresofágico também podem ter o sono prejudicado.

Além de afetar a qualidade de vida dessas crianças, essas horas restritas de repouso podem implicar em problemas de desenvolvimento, principalmente no primeiro ano de vida. Explica-se: “Quando os pequenos dormem, o organismo não para. Neste período o sistema nervoso e o imunológico estão em atividade, os hormônios são produzidos e o crescimento das células acontece, entre outras atividades”.

A falta de sono no primeiro ano de vida, de acordo com a Dra. Clarissa, também acarreta problemas comportamentais, como dificuldade de atenção, sonolência excessiva ao longo do dia, dificuldade de aprendizado, hiperatividade em alguns casos e problemas no desenvolvimento neuropsicomotor e no crescimento.

Nem sempre é preciso ensinar os recém-nascidos a dormir, mas os pais podem tomar medidas para garantir os bons sonhos dos pequenos. A primeira dica é estimular a criança a pegar no sono sozinha, nunca no colo, para não virar um hábito. Um ambiente tranqüilo e pouco iluminado também ajuda a embalar. Um banho morno antes de ir para o berço é uma ótima estratégia. E, lembre-se, o bebê deve ser colocado em posição supina (de barriga para cima) – forma de prevenção da Síndrome da Morte Súbita Infantil.