Asma em Crianças: Quando a Doença Deixa de Ser um Bicho-Papão

Responsável por cerca de 400 mil internações hospitalares por ano, a doença atinge cerca de 20% da população pediátrica e consiste no terceiro maior gasto do SUS (Sistema Único de Saúde), totalizando um custo de R$ 111 milhões

São Paulo, fevereiro de 2010 - Considerada uma das doenças mais comuns na infância, a asma é um pesadelo para os pais. Um dos grandes problemas, alerta a alergista e pediatra Fátima Rodrigues Fernandes, do Hospital Infantil Sabará, é que quem sofre da doença não a encara como crônica e não segue um tratamento contínuo e preventivo.

"Os tratamentos contra doença evoluíram nos últimos dez anos, mas a maioria dos asmáticos procura auxílio em momentos de crise somente. Um erro que atrapalha o cotidiano e o bem-estar desses pacientes e aumenta o número de internações, faltas na escola e no trabalho. E ainda pode ser fatal em alguns casos", afirma.

O clima seco e frio do outono e do inverno faz com que a asma ataque. Além disso, a maior incidência de viroses respiratórias, destaca a pediatra, também aumenta o risco dos asmáticos entrarem em crise, em especial as crianças pequenas.

"São os que não seguem o tratamento ao longo do ano, de maneira preventiva, que costumam se desesperar na crise. É importante que esses pais reconheçam que a asma, assim como a diabetes, é uma doença crônica que necessita de tratamento permanente", destaca a médica.

Ao contrário do que se pensava, sabe-se hoje que os bebês também sofrem de asma. Há 15 anos, o diagnóstico de asma era dado somente a partir dos 5 anos de idade, lembra a pediatra, hoje sabemos que ela pode se manifestar já no primeiro ano de vida. Um dos sintomas iniciais é o sibilo (chiado), ruído respiratório anormal que indica uma constrição (estreitamento) dos brônquios, situação comum na asma.

Aliás, além dos sibilos ou chiados, quem sofre de asma costuma apresentar dificuldade para respirar, tosse e cansaço aos esforços. Em casos mais graves, durante a crise, o organismo pode sofrer com a falta de oxigênio e a doença pode levar à morte.

Ao contrário do que se pensava, sabe-se hoje que os bebês também sofrem de asma. Há 15 anos, o diagnóstico de asma era dado somente a partir dos 5 anos de idade, lembra a pediatra, hoje sabemos que ela pode se manifestar já no primeiro ano de vida. Um dos sintomas iniciais é o sibilo (chiado), ruído respiratório anormal que indica uma constrição (estreitamento) dos brônquios, situação comum na asma.

De caráter hereditário e, em geral, associada a fatores alérgicos, a asma é uma doença inflamatória que atinge o pulmão, causando estreitamento brônquico que dificulta a passagem do ar, além de aumento das secreções em vias aéreas. Seu tratamento consiste no uso de medicamentos que associam anti-inflamatórios e broncodilatadores, em especial por via inalatória. "Esses medicamentos por via inalatória são mais seguros pois têm menor chance de causar efeitos colaterais do que os medicamentos usados por via oral, como hipertensão, diabetes, aumento de peso e inchaços", afirma.

Para prevenir a asma, também é essencial controlar determinados fatores ambientais que costumam desencadear a alergia. A retirada da poeira e a limpeza do colchão, da casa, dos bonecos de pelúcia, dos cobertores, das cortinas e dos edredons são importantes para o controle de ácaros e fungos.

Os ambientes também devem ser arejados. Quem tem bichos de estimação deve investigar se não são eles os responsáveis pelas crises. A fumaça do cigarro e a poluição são inimigos dos asmáticos, por isso passeios pelos parques e viagens para ambientes menos poluídos, como praia ou campo, são também boas medidas de prevenção. Quando a causa do problema é a alergia, existe a possibilidade de promover a hiposensibilização através de vacinas alergênicas (imunoterapia específica para o alérgeno).

Engana-se quem ainda acha que asmáticos devem evitar os exercícios físicos. Segundo a Dra. Fátima, a prática de esporte desenvolve a capacidade pulmonar, fortalece os músculos da caixa torácica e é importante para superar o bronco-espasmo na hora da crise. "Sem contar que assim a criança se sente integrada, menos excluída, rompendo o estigma de que a asma é incapacitante", afirma.

Antes da atividade física, faz-se uso da medicação preventiva. Deve-se também acompanhar o paciente, se possível, com medição da capacidade pulmonar e dos fluxos respiratórios (espirometria ou prova de função pulmonar). "O ideal é que antes de optar pelo esporte, haja uma consulta médica", alerta.

Sobre a Fundação Hospital Infantil Sabará

Tradicionalmente conhecido por sua eficiência e bons resultados, o Hospital Infantil Sabará nasceu no início dos anos 60, quando um grupo de médicos pediatras resolveu criar um serviço diferenciado. A partir daí o complexo hospitalar se firmou como centro de referência na área, sendo o primeiro hospital a inaugurar uma UTI pediátrica em 1974. Desde setembro de 2010, o hospital atende na Avenida Angélica, nº 1.987, no bairro de Higienópolis (SP), em um novo prédio de 17 andares que tem um conceito moderno e inovador.