Especialista Alerta Para o Perigo da Automedicação

São Paulo, Julho de 2009 - Quem nunca foi à farmácia para resolver uma dor de cabeça indesejada ou se consultou com um parente para se livrar de um resfriado? Poucos dão atenção, mas a automedicação é grave e leva à morte em determinados casos. Estatísticas apontam que os analgésicos e os anti-inflamatórios são os campeões em casos de reação alérgica (44%), seguidos pelos antibióticos (23%).

"O uso de um medicamento inadequado não envolve somente reações alérgicas, mas a substância pode interagir com outras medicações e gerar efeitos inesperados. Uma droga potencializa, anula ou altera a absorção de um segundo medicamento", destaca a alergologista Fátima Rodrigues Fernandes, gerente médica do Pronto Socorro do Hospital Infantil Sabará e diretora-secretária da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia, de São Paulo.

E mais: cerca de 2/3 dos adolescentes entrevistados tinham televisão no quarto, 30% possuíam computador, 90% tinham celulares e 79% não se separavam do MP3. Cerca de 80% desses jovens assistiam à TV após as 21h00. Aqueles que tinham o aparelho no quarto a incidência aumenta para 86,4%. E o pior de toda a descoberta: a maioria desses adolescentes fãs de eletrônicos eram grandes consumidores de cafeína por meio dos refrigerantes.

A automedicação ainda pode ocasionar resistência a medicamentos. E quando houver necessidade de administrá-los, eles não terão o efeito desejado. "Isso aconteceu com a gripe do tipo A, muitas pessoas tomaram antibióticos indicados para a infecção, sem saber ao certo se era um caso de gripe suína", lembra a especialista.

Imprevisíveis, as reações alérgicas se manifestam por meio de urticária, angioedema (lábios e olhos inchados), erupções na pele com coceira e descamação, asma, rinite, edema de glote e até repercussão sistêmica, podendo ocorrer queda da pressão arterial, o que caracteriza o choque anafilático.

Para a pediatra Heloisa Ionemoto, do Hospital Infantil Sabará, os adolescentes deveriam dormir cerca de 9 a 10 horas, sendo em média 8 horas suficiente. "Privação dessas horas de sono pode causar  alterações de humor, na capacidade de concentração, na realização das tarefas do dia a dia, pois o adolescente está sempre cansado, irritado, com sono no dia seguinte", ressalta.

Saiba o que pode acontecer com o uso indiscriminado dos medicamentos abaixo:

Analgésicos e anti-inflamatórios: podem agravar problemas gástricos, são contra-indicados para quem já teve úlcera. Além disso, têm ação anticoagulante  e podem provocar hemorragias. Os antiinflamatórios ainda prejudicam pacientes que têm problema cardíaco ou renal e agravam a hipertensão. No caso das crianças, eles são recomendados com cautela, pois estas reações podem ser ainda mais graves.

Antibióticos: quando não são indicados podem mascarar uma doença mais grave ou causar outros transtornos, como vômitos e diarréia. Sem contar que quando forem necessários em outro momento não surtirão o mesmo efeito, já que ocorre o fenômeno de tolerância ou aumento da resistência bacteriana. Um exemplo é o uso inadequado de antibiótico para uma doença viral como a mononucleose, comum em crianças, o que pode ocasionar o aparecimento de manchas vermelhas na pele, confundindo o diagnóstico com alergia ao remédio.

Fitoterápicos: o uso incorreto pode provocar alterações na pressão arterial, problemas no sistema nervoso central, fígado e rins, que geram internações hospitalares e levam à morte. Os fitoterápicos são medicamentos alopáticos, possuindo compostos químicos que interagem com outros medicamentos. Deve-se ter cuidado também ao associar medicamentos com plantas medicinais, o que pode promover a diminuição dos efeitos ou provocar reações indesejadas. Um exemplo é o uso de Ginco (Ginkgo biloba) juntamente com anticoagulantes, como warfarina ou ácido acetilsalisílico, podendo promover hemorragias.

CUIDADOS A SEREM TOMADOS:

- Buscar informações com os profissionais de saúde;

- Evitar a automedicação, sem indicação médica;

- Informar o seu médico sobre qualquer reação desagradável que aconteça enquanto estiver usando algum medicamento ou fitoterápico;

- Observar cuidados especiais com gestantes, mulheres amamentando, crianças e idosos; Seguir as orientações da bula e rotulagem;

- Observar a data de validade e nunca tomar medicamentos vencidos;

- Seguir corretamente os cuidados de armazenamento;

- Desconfiar de produtos que prometem curas milagrosas.

Tradicionalmente conhecido por sua eficiência e bons resultados, o Hospital Infantil Sabará nasceu no início dos anos 60, quando um grupo de médicos pediatras resolveu criar um serviço diferenciado. A partir daí o complexo hospitalar se firmou como centro de referência na área, sendo o primeiro hospital a inaugurar uma UTI pediátrica em 1974. No início de 2010, o hospital passar a atender na avenida Angélica, 1.987, em um novo prédio de 17 andares que tem um conceito moderno e inovador.