Grace Bichara: Mensagens na Madrugada

A cardiologista pediátrica que encontrou na maternidade a motivação para cuidar de crianças

"Seria mais saudável se não me envolvesse, mas não sei trabalhar de outra forma." Grace Bichara, 37 anos, do Hospital Infantil Sabará

"Seria mais saudável se não me envolvesse, mas não sei trabalhar de outra forma."
Grace Bichara, 37 anos, do Hospital Infantil Sabará (Foto: Lucas Lima)

Nicole veio ao mundo em abril de 2012. Em novembro, enfrentava sua primeira cirurgia, a correção de uma válvula entupida diagnosticada em sua gestação. Ficou quarenta dias internada, em sete deles com o tórax aberto. Com muita luta, conseguiu melhorar e recebeu alta. Um mês depois, passou mal e foi submetida às pressas a uma segunda intervenção. “O risco era maior, mas não tínhamos escolha”, afirma sua mãe, Flávia Gonçalves Chacon. “Só aguentei graças a ela”, desabafa, apontando para a cardiologista Grace Bichara. No fim das operações, a médica intima os familiares a irem para casa descansar. Ela é quem passa a noite na UTI. “A recuperação é longa e precisamos dessas mulheres inteiras”, explica Grace, que se preocupa em mandar torpedos tranquilizadores durante a madrugada.

Mãe de Felipe, de 20 anos, ela encontrou na maternidade precoce (engravidou aos 17) a motivação para cuidar de crianças. Com o diploma da Universidade Federal de Santa Maria na mão, estudava para o exame de residência do Hospital das Clínicas após o menino dormir. Especializou-se em cardiologia pediátrica e cateterismo. “Eu me sinto um pouco mãe de cada paciente”, diz. “Seria mais saudável se eu não me envolvesse, mas não sei trabalhar de outra forma.” Grace é ainda voluntária: trata de moradores de rua. Nos sete réveillons que já passou em plantão, ganhou a companhia de Felipe, hoje aluno de direito, e do marido, arquiteto. “A família é o que nos segura.”

Fonte: Veja São Paulo


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