Obesidade Infantil

Obesidade na família: como lidar?

Ainda hoje, e, como sempre, podemos dizer que tudo começa em casa. Os pais são os primeiros modelos dos filhos em todos os setores da vida, e o relacionamento que se desenvolverá entre eles será o protótipo para suas futuras escolhas no futuro.

Portanto, pais atentos que procuram demonstrar o seu amor pelos filhos, provêem seu bem estar, desenvolvimento psíquico, físico e intelectual, que são abertos ao diálogo e propiciam espaço para discussões. Isto ajuda a enriquecer a relação familiar, o qual estimula o crescimento global da criança e de todos os outros membros da família.

Deste modo, em geral, a convivência é mais prazerosa e o clima afetivo tende a prevalecer. Com isso, os filhos se sentem mais confiantes para desenvolver seus recursos internos e superar as dificuldades inerentes à vida.

A companhia física e psíquica, amor e apoio dos pais são determinantes para que as crianças consigam desenvolver em si mesmas, habilidades como autoconfiança, segurança, amor próprio, determinação, entre outras.

Sentir-se capaz de enfrentar desafios e de formar vínculos afetivos são alguns reflexos da parceria familiar.

Meu filho está obeso. A culpa é minha?

É evidente - hoje, após inúmeras pesquisas científicas - que a obesidade é uma doença de origem multifatorial. A combinação entre genética, sedentarismo e hábitos alimentares inadequados, entre outros que ainda que estão por serem revelados, são alguns dos fatores que contribuem para seu desenvolvimento e manutenção. Entretanto, um dos aspectos mais importantes ligados à obesidade, mas pouco difundido nos meios de comunicação, é o aspecto emocional que está relacionado a ela.

O termo "Aspecto Emocional" condensa o que significa, na verdade, um vasto leque de emoções.

Na obesidade, emoções como culpa, sofrimento, vergonha, impotência, triunfo, repúdio, negação, descaso, onipotência, entre outras, muitas vezes não são compreendidas, bem como inalcançáveis, pela família e pela pessoa que sofre com a doença.

Hoje, ainda permanece a ideia de que um bebê ou uma criança 'gordinha' é sinônimo de beleza e de bons cuidados. Contudo, é necessário levar em conta que fortes valores familiares estão incluídos a este conceito que já transcende décadas.

Uma vez que os pais são responsáveis pelos filhos, antes da gestação, é interessante que se possa ter mais clareza acerca das emoções. SENTIR CULPA é diferente de COMPENSAR A CULPA. Este é um bom exemplo para pensarmos porque vamos de um polo a outro, de oito a oitenta, e muitas vezes, sem nos darmos conta de nada...

Qual o caminho a ser percorrido - e que não deve estar sendo (neste caso específico) - para que a emoção possa ser sentida, percebida, melhor utilizada e usufruída?

Muitos pais se sentem culpados pela obesidade das crianças por contribuem para a doença, ainda mais quando compensam a sua ausência com doces, guloseimas ou aceitam todas as imposições feitas por elas para que seus desejos sejam satisfeitos. No entanto, se no lugar de CULPA pudéssemos pensar em CONSCIENTIZAÇÃO, talvez conseguíssemos alguma mudança. Além disso, o ideal é que os pais tentem desenvolver recursos mais saudáveis ou mesmo, outras estratégias para lidar com a situação de preencher instintivamente a angústia ou outra emoção, com comida.

Possivelmente, ao perceberem de que existe um universo emocional e que são capazes de manejá-lo, os pais percebam que eles não precisam oferecer petiscos para 'adoçar' a amargura - que supostamente sentem - quando acham que falham em exercer suas funções.

O que fazer com a obesidade do meu filho?

A gênese da obesidade tem inúmeras causas e é necessário investigar quais as mais prováveis.

Uma vez que também é um sintoma e indica que algo não está indo bem, seja física ou psiquicamente, é importante levar o filho ao médico para cuidar desta situação e lhe fazer uma 'companhia mental' para que a criança perceba que não está sozinha e nem sendo julgada ou condenada pelos seus atos. Não é nada incomum que crianças obesas, apesar de serem "seduzidas" pelos adultos mais próximos e ainda mais pela mídia, fiquem vistas como fracas, porque "se quisessem mesmo emagrecer seria só comer menos"...

Como se fosse fácil assim. Desta forma, percebe-se que o "estado de obesidade" pode suscitar muitos sentimentos nas pessoas.

Cabe a cada um de nós adotarmos a postura que estiver mais de acordo com o desenvolvimento emocional e com o entendimento deste problema, de tão difícil acesso e reversão.


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