Vacinas na infância



As vacinas são as armas mais eficientes na prevenção de uma série de doenças, não só na infância, mas em todas as idades. No Brasil temos disponíveis um grande número de vacinas que podem prevenir as doenças mais comuns e as mais graves na infância.

Existe um calendário oficial do governo e um calendário recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, onde existem algumas vacinas a mais.

Tuberculose

A doença
É um importante problema de saúde pública em países em desenvolvimento. Estima-se que, no Brasil, 35 a 45 milhões de pessoas estejam infectadas pelo bacilo da tuberculose.
A transmissão se dá por tosse, espirros e gotículas produzidas por indivíduos com a forma pulmonar, que eliminam bacilos para o ambiente.
A prevenção se faz por meio do tratamento precoce dos doentes, controle dos comunicantes, educação populacional e vacinação.

A vacina: A vacina contra tuberculose é a BCG, produzida a partir de um tipo de bactéria atenuada, semelhante à da tuberculose. Estudos demonstram que a aplicação de BCG em crianças não impede o aparecimento da doença, mas protege contra as formas graves da doença, como a meningite e a tuberculose miliar ou generalizada.
A vacina é de uso intradérmico e deve ser aplicada no primeiro mês de vida, no braço direito e a reação ocorre nas semanas seguintes, devendo somente ter cuidados locais como a limpeza com água e sabão.

Poliomielite

A doença:
Também chamada paralisia infantil, a poliomielite é causada por um vírus e sua transmissão dá-se pela ingestão de água e alimentos contaminados, já que seu agente é eliminado nas fezes.
A doença pode apresentar-se como um resfriado e raramente pode apresentar meningite e em 1% dos casos pode ocorrer paralisia de um grupo muscular.
A poliomielite está erradicada no Brasil desde 1989 e nas Américas desde 1991, em razão de uma extensa campanha de vacinação e do controle da doença estabelecido pela OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde). No entanto, é importante manter a vacinação, pois ainda há locais de grande incidência da doença no mundo e apenas um caso de poliomielite vindo de outro país poderia trazer a doença de volta, caso não haja proteção pela vacina.

A vacina:
Existem dois tipos de vacina contra a poliomielite: a de uso oral (OPV ou Sabin) que são as famosas gotinhas, e a de uso injetável (IPV ou Salk).
OPV ou Sabin
É elaborada com vírus vivo atenuado e administrada por via oral, por meio de duas gotas de uma solução. Tem sido amplamente utilizada nas campanhas de erradicação no Brasil e no mundo, sendo bastante eficaz. 
Muito raramente, a vacina Sabin pode causar a doença, em razão do vírus atenuado que existe em sua fórmula, depois que o mesmo sofre mutações. Sua utilização ainda é recomendada em muitos países em razão das facilidades de transporte, conservação e administração, além de produzir imunidade não só em quem foi vacinado, mas também em seus comunicantes.
IPV ou Salk
É elaborada com vírus mortos ou inativos, não oferecendo nenhum risco de causar a doença. É administrada por via intramuscular e tem efeitos adversos muito leves como dor e vermelhidão no local da injeção. A vacina não deve ser utilizada em pacientes alérgicos a algum de seus componentes.

Vacina Tríplice bacteriana (tétano; difteria e coqueluche ou pertussis)

Existem dois tipos de vacina tríplice, que diferem no componente da coqueluche ou B. pertussis:
1) Vacina Tríplice de Células Inteiras
É fabricada com a bactéria B. pertussis inteira. Tem boa eficácia, mas apresenta efeitos adversos mais freqüentes e mais intensos.
2) Vacina Tríplice Acelular
É produzida com partes da bactéria B. pertussis, mantendo a capacidade de produzir imunidade e diminuindo a freqüência e a intensidade dos efeitos adversos. Pode ser aplicada em associação (Salk, Hib hepatite B.)

Deve ser administrada com 2; 4; 6 meses e com reforços com 15 meses e 5 anos). Os efeitos adversos mais comuns são dor, inchaço e vermelhidão no local da injeção, febre e irritabilidade, mais graves e raros são convulsão, choro persistente por mais de três horas, febre alta.
Tétano
Ocorre quando a bactéria penetra no organismo por meio de ferimentos e cortes, liberando toxinas. Causa enrijecimento muscular, que evolui para dificuldade para abrir a boca e engolir. Morte pode ocorrer em até 10% dos casos.
Coqueluche
Também é conhecida como tosse comprida. Sua transmissão se dá de pessoa para pessoa, por meio de gotículas liberadas por tosse ou espirros de portadores da bactéria. 
Seus principais sintomas são acessos de tosse muito intensos, tornando difícil a alimentação e até a respiração. Pode evoluir para pneumonia, convulsões, lesão neurológica e até a morte.
Difteria
Também é chamada de crupe. Sua transmissão se dá de pessoa para pessoa, por via respiratória. A doença leva à formação de uma membrana espessa na parte posterior da garganta, evoluindo para dificuldade respiratória. Toxinas liberadas pela bactéria podem levar a paralisia, insuficiência cardíaca e até a morte.

Haemophilus influenzae TIPO B

A doença:
O Haemophilus influenzae tipo B, ou Hib, é uma bactéria que fica alojada na garganta ou no nariz de crianças. Quando alcança a corrente sanguínea, pode causar doenças como otite, epiglotite, pneumonia e meningite, em crianças menores de cinco anos. A meningite por Hib pode ter conseqüências graves, como lesão cerebral permanente, que ocorre em até 25% dos casos, e está associada a um alto índice de mortalidade. O contágio é feito por gotículas de saliva durante acessos de tosse ou espirros de portadores da bactéria. Houve uma grande queda na incidência da doença depois que a vacinação foi adotada.

A vacina:
A vacina é feita com uma parte da bactéria morta.
Todas as crianças de até cinco anos de idade devem ser vacinadas. O esquema vacinal e o número de doses variam de acordo com a idade de início da aplicação.
A vacina contra Hib pode estar associada às vacinas tríplice, contra a poliomielite e contra a hepatite B, e tem a mesma eficácia que quando aplicada separadamente. Seus efeitos adversos são leves, principalmente dor, vermelhidão e inchaço no local da aplicação e febre baixa.

Vacina tríplice Viral (sarampo; caxumba e rubéola) ou SRC

Essa combinação é extremamente segura e eficaz, gerando excelente resposta do organismo em 95% das pessoas vacinadas. Devem ser aplicadas duas doses, a primeira aos 12 meses de vida e a segunda entre os 4 e 6 anos de idade.
Os efeitos adversos mais comuns são dor local, edema e inchaço. Podem ocorrer também febre e vermelhidão na pele, 5 a 10 dias após a vacinação, podem surgir também dores nas articulações, Recomenda-se que a gravidez seja evitada por pelo menos 30 dias após a aplicação da vacina

CAXUMBA

A caxumba é uma doença viral transmitida de pessoa para pessoa por via respiratória. Os sintomas são geralmente leves, como febre, dores musculares e coriza, podendo ser confundidos com resfriado ou gripe e o mais característico ocorre quando há aumento e dor das glândulas salivares,. Embora raros, podem ocorrer inflamação do pâncreas, testículos e ovários, e meningite.

RUBÉOLA

A rubéola é uma doença viral transmitida de pessoa para pessoa por gotículas de saliva eliminadas por tosse ou espirros. Caracteriza-se por febre e erupções avermelhadas na pele, que permanecem por 2 a 3 dias. Geralmente apresenta-se de forma leve em crianças ou adultos. As principais complicações se relacionam a mulheres que contraem a doença nas fases iniciais da gravidez.

SARAMPO

O sarampo é uma doença viral transmitida de pessoa para pessoa por via respiratória. Seus sintomas iniciais são febre, coriza, tosse, olhos vermelhos, lacrimejamento e, depois de 2 a 4 dias, ocorrem erupções na pele, que geralmente se iniciam na cabeça e vão se estendendo para pescoço, tronco, braços e pernas. As complicação da doença, como otite, pneumonia e encefalite são raras. Essas complicações são maiores em crianças abaixo de cinco anos e adultos maiores de 20 anos.

HEPATITE B

A doença:
A transmissão da doença pode acontecer por transfusão de sangue, transplante de órgãos, relação sexual sem proteção, contato íntimo com portadores crônicos, de mãe para filho durante a gravidez ou na hora do parto. 
A evolução da doença é variável, podendo manifestar-se por meio de um quadro agudo de hepatite, com náusea, vômito, mal estar, olhos amarelados (icterícia) e urina escura, evoluindo para cura. Pode também não apresentar nenhuma manifestação clínica e evoluir de maneira silenciosa para hepatopatia crônica, cirrose hepática e câncer de fígado. A evolução para um quadro crônico é mais freqüente quanto mais cedo ocorre a infecção. Assim, crianças infectadas têm maior chance de ter doença crônica que adultos.

A vacina
Apesar de existirem grupos de maior risco de aquisição da doença, como profissionais da área de saúde, usuários de drogas injetáveis, indivíduos submetidos a múltiplas transfusões de sangue e homossexuais masculinos, a doença só apresentou diminuição de incidência quando a vacinação passou a ser adotada de maneira universal.
A vacina é muito segura e eficaz, apresentando uma proteção de mais de 95%. Pode ser aplicada desde o primeiro dia de vida, sendo recomendada nas primeiras 12 horas após o nascimento para evitar a transmissão do vírus de mãe para filho.
A vacina deve ser feita em três doses: as duas primeiras com um mês de intervalo e a terceira, seis meses após a primeira.
Tem raros efeitos adversos, podendo ocorrer dor local, inchaço e, mais raramente, febre após a aplicação.

Abaixo temos um parecer da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) sobre as vacinas que não fazem parte do calendário ofical, mas ao recomendadas pela SBP:

Vacina contra Hepatite A e varicela:

- Desde 1997, a SBP recomenda que os pediatras orientem essas duas vacinas, para crianças maiores de um ano de idade. Embora sejam doenças de menor gravidade do que o sarampo e a hepatite B, é essencial lembrar que ambas podem causar complicações graves, mesmo em pessoas imunocompetentes. Adolescentes sem imunidade à varicela e à hepatite A são considerados como pessoas de risco para apresentar complicações dessas doenças. O antecedente positivo para varicela parece ser bastante confiável, porém, em caso de dúvida se a criança teve ou não a doença, é mais seguro vacinar. Quanto à hepatite A, como a maioria dos casos que ocorrem na infância cursam na forma assintomática, raramente teremos a informação sobre o antecedente da doença. Em crianças e adolescentes que vivem em áreas com boas condições de saneamento básico, recomenda-se a vacinação contra hepatite A, sem realizar a sorologia prévia. Em adultos, como existe maior chance e já terem sido expostos ao vírus da hepatite A, pode-se solicitar a reação sorológica para evitar os custos de vacinar indivíduos já imunes, embora a vacinação de pessoas que já tiveram a doença não acarrete nenhum perigo.

Vacina contra febre amarela:

- A vacina contra febre amarela é recomendada apenas para pessoas que residem ou viajam para áreas de risco. É essencial lembrar que a doença apresenta altas taxas de letalidade e que a vacina deve ser administrada, no mínimo, 10 dias antes de o indivíduo viajar para as áreas de risco. Atualmente, muitas crianças e adolescentes são adeptos do ecoturismo e viajam para áreas de risco sem que estejam devidamente protegidos contra a febre amarela. Os pediatras devem estar atentos para orientar a população sobre os riscos dessa grave doença, que pode ser prevenida pela administração de uma vacina efetiva (> 95% proteção) e segura.

Novas vacinas conjugadas contra pneumococo e meningococo:

- As novas vacinas conjugadas contra pneumococo e meningococo são extremamente seguras e efetivas, estimulam a memória imunológica e diminuem a colonização das vias aéreas. Como as crianças menores de dois anos pertencem ao grupo de alto risco para adquirir infecções por esses agentes, consideramos bastante oportuna a recomendação para que os lactentes sejam vacinados contra essas bactérias. Deve-se, entretanto, ressaltar os seguintes aspectos: 
- a proteção conferida pelas vacinas conjugadas é sorogrupo/sorotipo específica, portanto, os responsáveis pela criança devem estar cientes de que não haverá proteção contra infecções causadas por bactérias de sorogrupos não incluídos na vacina. As vacinas conjugadas contra meningococo C são recomendadas pela SBP apenas para crianças que residem em locais onde a prevalência da infecção por esse sorogrupo é alta. Deve ficar claro para os familiares que a vacina conjugada contra meningococ C não protege contra o meningococo B, que ainda é o sorogrupo mais prevalente em alguns estados; 
- Com relação à conjugada contra pnemococo 7-valente, é essencial orientar aos pais que seu maior impacto será contra as formas graves da doença, pois as infecções respiratórias mais comuns, como otites, sinusites e pneumonias podem ser causadas por grande número de sorotipos do pneumococo não incluídos na vacina, além de outros agentes virais ou bacterianos. 
As novas vacinas conjugadas contra pneumococo e meningococo estão disponíveis na rede pública (CRIES) para grupos de altos risco (www.funasa.gov.br)e em serviços particulares.

Existe informações disponíveis na rede mundial de computadores (internet), mas por se tratar de informação técnica e sobre saúde, tenha cuidado para saber de onde estão vindo estas informações, dando sempre preferência à órgãos oficiais, sítios de sociedades da especialidade ou de faculdades ou universidades.
Aqui estão algumas sugestões de sítios onde se pode obter mais informações;

Leia mais sobre vacinas em:

Recomendações para vacina da gripe
Vacinas sem agulhas
Terceira dose da vacina SCR
Vacina contra varicela
Como acalmar crianças durante e depois da vacinação
Pais devem ficar atentos à vacinação de adolescentes



Veja mais textos e informações úteis em nosso Blog sobre a saúde infantil - http://saudeinfantil.blog.br/

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