Rinossinusites



A rinossinusite (RS) é caracterizada pela inflamação da mucosa do nariz e seios paranasais, constituindo-se em uma das afecções mais prevalentes das vias aéreas superiores. Pode apresentar diversas etiologias, mas neste texto nos concentraremos na rinossinusite bacteriana.

A anatomia dos seios paranasais das crianças apresenta diferenças em relação aos adultos, já que a aeração dos seios acontece após o nascimento e apresenta alto grau de variabilidade. Inicialmente a criança desenvolve os seios etmoidais e maxilares (ao redor dos anos) e posteriormente os seios frontais e esfenoidais (ao redor dos anos). Com isso, o quadro clínico das rinossinusites na criança, bem como o seu diagnóstico, varia de acordo com a faixa etária.

Os sintomas são menos específicos que em adultos:

  • IVAS viral que não melhora a partir do quinto dia, ou cujos sintomas persistem além do décimo dia.
  • Rinorréia hialina ou purulenta (sintoma mais freqüente em todas as formas de rinossinusite, 70 a 100%).
  • Tosse (50 a 95%), seca ou produtiva, que pode piorar à noite, mas se manifesta durante o dia.
  • Obstrução nasal e respiração bucal, especialmente na RS Crônica (70 a 100%).
  • Febre, halitose e inapetência podem ser sintomas únicos da criança.
  • Cefaléia e pressão facial são sintomas incomuns, principalmente em crianças pequenas.

Exames subsidiários

  • Radiografia simples. Tem pouco valor, principalmente em crianças menores e quando realizada em decúbito.
  • Nasofibroscopia. Grande auxílio no diagnóstico da RS Aguda, mas de pouca disponibilidade em serviços pediátricos. Também é útil para diagnóstico de fatores predisponentes como hipertrofia adenoideana.
  • Tomografia computadorizada. Exame gold-standard, está indicado em casos com má-evolução, RS Crônica ou suspeita de complicações.
  • Tratamento:
    -Hidratação
    -Lavagem nasal com solução salina
    -Descongestionantes
  • Alívio sintomático. Podem favorecer o espessamento das secreções diminuindo o transporte mucociliar.

Corticóides

  • Diminuem a dor e desobstruem os óstios de drenagem favorecendo a drenagem de secreções. Utilizar com cuidado devido aos efeitos sistêmicos Antimicrobianos
    RS Crônica

A Rinossinusite crônica é uma entidade rara na faixa pediátrica. Quando presente costuma estar associada a outras doenças de base que devem ser pesquisadas:

  • Alergia
  • Imunodeficiências
  • Refluxo laringofaríngeo
  • Fibrose cística
  • Discinesia ciliar primária
  • Hiperplasia adenoideana
  • Freqüência em creches
  • Tabagismo entre os pais

O tratamento cirúrgico da RS Crônica está reservado aos casos em que haja permanência do quadro mesmo após um mínimo de três meses de tratamento adequado (inclusive dos fatores predisponentes). Em crianças com hipertrofia adenoideana, a adenoidectomia isolada deve ser o primeiro procedimento a ser realizado.

RS Complicada

A faixa pediátrica apresenta um alto risco para complicações infecciosas das rinossinusites. Estes quadros muitas vezes apresentam sintomas frustros e um alto grau de suspeição é mandatório para o correto diagnóstico. Pacientes com sinusites que não estejam evoluindo de forma favorável, ou que apresentem qualquer sinal de complicação (edema ou hiperemia orbitários, perda de acuidade visual, alteração na motricidade ocular, cefaléia intensa, meningismo, etc.) devem ser submetidos a tomografia computadorizada contrastada de urgência.

As complicações podem ser:

  • Locais

            Celulite de face

  • Orbitárias

            Celulite pré-septal, abscesso subperiostal, celulite orbitária, abscesso orbitário, trombose de seio cavernoso

  • Sistema nervoso central

            Abscesso extra ou intradural, abscesso cerebral, meningite

  • Ósseas

            Mucoceles, tumor fofo de Pott.
O tratamento de modo geral consiste de internação, introdução de antibioticoterapia e corticoterapia intravenosa e avaliação otorrinolaringológica para provável abordagem cirúrgica.

Autor: Dra. Andrea Penha Rocha
Dr. Fabrizio Ricci Romano
Fonte: Baseado no texto do autor no:
Manual de Urgências e Emergências em Pediatria.
Hospital Infantil Sabará – Ed. Sarvier

 




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