Miocardite



 

Processo inflamatório que acomete o miocárdio podendo ser agudo ou crônico. Do ponto de vista clínico, considera-se como aguda a miocardite com até seis meses de evolução; e como crônica a que se estende por mais de seis meses. É a causa mais freqüente de miocardiopatia dilatada na infância.

Os agente infecciosos mais comuns são:

1)           Vírus (adenovirus; coxsackievirus

2)            Bactérias (estreptococo, estafilococo, salmonela, meningococo);

3)           Protozoários (doença de Chagas; toxoplasmose);

4)           Fungos e outros.

Outras causas de miocardite não infecciosas são:

1)            reação imunológica ou de hipersensibilidade: febre reumática.

2)            Agentes farmacológicos: adriamicina.

3)            Toxinas: difteria.

 

Quadro clínico

Insuficiência cardíaca congestiva (ICC): taquidispneia; pulso rápido e fino; hipofonese de bulhas; sudorese e palidez cutânea mucosa; extremidades frias; estertoração pulmonar.

 

Observação: é comum criança menor ou lactente com febre e IVAS e/ou febre de causa ainda não definida apresentar-se com ritmo cardíaco de galope pela freqüência cardíaca aumentada, sem caracterizar presença de disfunção miocárdica.

Exames complementares

Ø    1) Eletrocardiograma: taquicardia sinusal; alteração difusa da repolarização ventricular; extrasistolia ventricular e/ou taquicardia ventricular nos casos mais graves; alargamento de QRS e até BAVT em alguns casos mais específicos.

2) RX tórax: cardiomegalia e sinais de congestão venocapilar pulmonar.

3) Ecocardiograma: dilatação e hipocinesia do ventrículo esquerdo, com comprometimento da função sistólica.

4) Pesquisa de vírus: tentativa de isolar o vírus no sangue, quando da suspeita de etiologia viral.

5) Cintilografia miocárdica com Gálio67: nos casos positivos (presença de processo inflamatório em atividade) apresenta aumento da captação do radio fármaco na projeção do coração.

6) Biópsia endomiocárdica: dá o diagnóstico anatomo patológico, diferenciando os casos agudos dos crônicos e orientando a terapêutica imunossupressora ou não.   

 

Tratamento

Medidas gerais: repouso; decúbito elevado; oxigenioterapia; restrição hídrica.

Medicamentos de acordo com o pediatra

Suporte ventilatório nos casos mais graves.

Combate ao agente etiológico específico: antivirais?

Prevenção de complicações: anticoagulação. 

Casos refratários: otimizar transplante cardíaco.

Evolução

1.    Casos mais severos, onde a agressão viral ao miocárdio é mais intensa, podem evoluir rapidamente para óbito (felizmente, numa minoria dos casos).

2.    Boa parte dos casos evolui para cura espontânea (alguns chegam a ficar sem diagnóstico do quadro cardiológico).

3.    Uma parte deles desenvolve a miocardite ativa.

 

 

Autor: Dr. José Fernando Cavalini

Fonte: Baseado no texto do autor no livro:

Manual de Urgências e Emergências em Pediatria.

Hospital Infantil Sabará – Ed. Sarvier




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