Infecções cutâneas bacterianas



 

As infecções cutâneas de origem bacteriana se apresentam em duas grandes formas: como infecção primária da pele ou como manifestação de infecção em outro órgão.

As alterações não são necessariamente supurativas, podendo se apresentar como vasculites ou respostas de hipersensibilidade. Aqui trataremos das infecções com origem primária da pele.

As infecções cutâneas bacterianas primárias mais comuns em crianças incluem: impetigo, foliculites, furunculoses, carbúnculos, feridas infectadas, abscessos, celulites, erisipelas, e síndrome da pele escaldada estafilocócica.

Algumas destas sendo causa de internação hospitalar. Se diagnosticadas pronta e apropriadamente, são curáveis na maioria dos casos. Durante o exame físico, deve-se determinar se a infecção é superficial ou profunda; circunscrita ou disseminada.

A utilização de antibioticoterapia oral deve ser cogitada se a criança apresenta infecção moderada, para evitar o risco de complicações e internação.

 

Impetigo:

 

infecção superficial da pele causada por bactérias do tipo estafilococo, estreptococo ou ambas.

Ocorre principalmente em crianças, acometendo pele exposta, principalmente face e extremidades. A doença se caracteriza pela presença de vesículas ou bolhas, sobre base inflamatória, que se rompem facilmente, liberando fluido seroso que resseca dando origem a crostas.

Duas formas de impetigo são reconhecidas:

1)          A forma bolhosa, que corresponde ao espectro mais brando da doença causada pela toxina epidermolítica produzida por cepas de S. Aureus, acometendo principalmente face, tronco e extremidades;

2)          A forma vesiculopustular, predominando em pele traumatizada das extremidades, devido a estreptococos

Quando o quadro clínico é inicial, com poucas lesões, o tratamento exclusivamente tópico pode ser suficiente. Orientação sobre higiene com água e sabonete e remoção cuidadosa das crostas deve ser feita. O uso de antibióticos tópicos duas vezes ao dia após a higiene é geralmente suficiente. Casos mais extensos, com múltiplas lesões, muitas crostas e acometimento do estado geral, requerem abordagem sistêmica e eventual hospitalização.

 

Furúnculos e carbúnculos:

Furúnculos são abscessos perifoliculares (ao redor do pelo) de origem estafilocócica.

Ocorrem com mais freqüência em adolescentes e adultos jovens, nas áreas de pele recobertas por pêlos e com tendência a fricção e maceração.

 São lesões que ocorrem como extensão e aprofundamento de foliculite pré-existente.

 O tratamento depende da localização e gravidade das lesões. Muitas vezes a drenagem dos abscessos é necessária. Higiene local e antibioticoterapia sistêmica são suficientes para resolução do quadro.

 

Celulite e erisipela:

É  infecção aguda que acomete porção profunda do tecido subcutâneo, geralmente ocorrendo após um trauma ou ferida da pele.

A erisipela é forma mais superficial da celulite, com bordas mais demarcadas Os agentes mais freqüentes são o S. Aureus ou o Streptococous B-hemolítico. Em crianças menores de dois anos, Hemophilus influenzae deve ser lembrado, causando acometimento sistêmico extenso, freqüentemente acompanhado de quadro respiratório.

O quadro clínico corresponde ao aparecimento de lesão cutânea que se caracteriza por eritema, calor, dor e edema em área mal definida. Nas erisipelas, ocorre frequentemente acometimento linfático e, diferentemente das celulites, a área afetada não é bem demarcada. Acometimento de face, órbita e região peri orbitária indicam internação devido às taxas de complicações.

O tratamento depende da identificação dos agentes envolvidos. Quando isto não for possível, deve-se usar uma penicilina resistente a penicilinase.

 

Fasceíte Necrotizante: infecção rapidamente progressiva da pele e subcutâneo, que ocorre em indivíduos debilitados em pós-operatórios ou em conseqüência a trauma. Se não tratada prontamente, pode levar a óbito. O agente mais freqüente é o estreptococo, mas S. Aureus, Hemophilus, Proteus e outros podem estar envolvidos.

O quadro clínico se inicia com o aparecimento de uma área eritêmato-edematosa que rapidamente evolui para áreas de necrose, ulceração e gangrena. Ao mesmo tempo, o quadro clínico geral se deteriora.

Diagnostico rápido seguido de debridamento cirúrgico e antibioticoterapia. Apesar de todos os cuidados, a mortalidade é alta. A utilização de imuneglobulina intravenosa pode ser útil nestes casos, mas o debridamento cirúrgico deve ser sempre considerado para eliminação do tecido necrótico.

 

Síndrome da Pele Escaldada Estafilocócica: doença causada por toxina epidermolítica, liberada por certas cepas de estafilococos, que quebra a desmogleína 1, presente nos desmossomos. Geralmente acomete crianças menores de cinco anos. O diagnóstico pode ser confirmado pelo isolamento de S. Aureus coagulase positivo. A toxina epidermolítica se dissemina a partir de um foco de infecção primária, geralmente nariz ou região peri-orbitária.

O quadro deve ser diferenciado da necrólise epidérmica tóxica, desencadeada por drogas, e cuja clivagem ocorre na derme superficial. Na síndrome da pele escaldada, o exame da pele revela clivagem intra-epidérmica na camada granulosa.

Quadro clínico: caracteriza-se pelo aparecimento de eritema macular e edema, em áreas intertriginosas e periorificiais, que se espalha por todo corpo, poupando áreas pilosas, geralmente precedido por quadro de vias aéreas superiores ou conjuntivite. O estado geral pode estar comprometido, com irritabilidade e febre. A pele começa a exsudar e esfoliar, criando crostas melicéricas e fissuras radiais ao redor da boca e olhos, dando à doença seu aspecto característico. Ao longo de dois ou três dias, a camada superficial da epiderme se torna enrugada e pode se desprender com facilidade à fricção leve (sinal de Nikolsky). Nos próximos dias, se não houver intercorrência infecciosa, toda pele descama, sem deixar cicatriz ou seqüela.

Antibioticoterapia sistêmica deve ser instituída levando-se em conta a necessidade de erradicar o foco de estafilococos, que em geral, são resistentes a penicilina e eritromicina. Ao mesmo tempo, antibioticoterapia tópica deve ser usada se houver evidência de infecção secundária nas lesões úmidas.

 

 

Autor: Dra. Márcia Regina Monteiro

Fonte: Baseado no texto do autor no:

Manual de Urgências e Emergências em Pediatria.

Hospital Infantil Sabará – Ed. Sarvier




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