Implante coclear traz qualidade de vida para crianças que não ouvem



Se a cirurgia for feita entre 6 meses e 1 ano, pacientes atingem mesmo desempenho auditivo e de linguagem que colegas ouvintes

São Paulo, novembro de 2010 – No dia 10 de novembro, Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez, o Brasil tem motivos para comemorar. É um dos países da América Latina que mais realiza cirurgias de implantes cocleares, dispositivo que permite a volta da audição. Por outro lado, ainda peca no diagnostico precoce da surdez, que acomete uma em cada mil crianças.

“Após avaliação criteriosa e detecção de surdez profunda, crianças a partir dos seis meses já podem se submeter ao procedimento oferecido pelo SUS e coberto pelos planos de saúde privados .”, afirma o otorrinolaringologista Arthur Castilho, que realiza esse tipo de procedimento no Hospital Infantil Sabará e no grupo de implante coclear da Unicamp.

Quanto mais tempo se espera pelo diagnóstico e tratamento, segundo o médico, piores são os resultados do implante. “Crianças com mais de sete anos que nasceram surdas não costumam apresentar resultados satisfatórios. “Isso acontece porque o cérebro perde a capacidade de assimilar a informação auditiva, sua neuroplasticidade é reduzida a partir dessa faixa etária”, esclarece.

De acordo com o especialista, os pais, em geral, só notam algo errado a partir dos 2 anos, quando a criança já deveria estar falando. O teste da orelhinha, obrigatório agora nas maternidades, ajuda a triar possíveis perdas auditivas, mas deve ser complementado por outros exames, caso aponte falhas na audição.

Nem sempre é possível identificar as causas da surdez, mas, além do fator genético, no Brasil, há outras questões envolvidas, como a sífilis durante a gestação, a meningite neonatal e a rubéola, doenças que podem ter como conseqüência a perda auditiva.

O procedimento cirúrgico é pouco invasivo e não se estende por mais que uma hora e meia. Durante a cirurgia, é introduzida a parte interna do aparelho por meio de uma pequena incisão na parte posterior da orelha. O paciente costuma ter alta no mesmo dia. Já a parte externa do dispositivo é acoplada à interna, 30 dias depois da cirurgia; seu aspecto físico lembra um aparelho auditivo comum.

A recuperação da audição e início da fala varia de acordo com o caso e do tempo de privação sonora e envolve também o trabalho de uma fonoaudióloga. Mas, de acordo com o otorrinolaringologista, crianças diagnosticadas ao nascer com perda de audição, que realizam a colocação do implante coclear entre 6 meses e 1 ano, têm desempenho auditivo e de linguagem igual às ouvintes.

Uma das primeiras pesquisas sobre o tema, realizada nos Estados Unidos, que avaliou a qualidade de vida dos pacientes pediátricos que receberam o implante apontou resultado otimista. Após entrevistar um grupo de 84 crianças que passaram pelo procedimento, pesquisadores do Programa de Implantes Cocleares de Dallas, chegaram à conclusão, por meio de questionário, que elas apresentavam mesmo grau de satisfação e qualidade de vida das crianças que ouviam. Afinal ouvir não é importante somente para o desenvolvimento da fala ou do aprendizado, mas para adequada interação da criança com a sociedade e o meio ambiente.

Implante coclear

  1. Qual a idade: Após avaliação criteriosa e detecção de surdez profunda, crianças a partir dos seis meses.Crianças com mais de sete anos que nasceram surdas não costumam apresentar resultados satisfatórios. Quem pode paga pelo tratamento: já podem se submeter ao procedimento oferecido pelo SUS e coberto pelos planos de saúde privados.
  2. Como é feito: O procedimento cirúrgico é pouco invasivo e não se estende por mais que uma hora e meia. O paciente costuma ter alta no mesmo dia.
  3. O seguimento: A parte externa do dispositivo é acoplada à interna, 30 dias depois da cirurgia; seu aspecto físico lembra um aparelho auditivo comum.
  4. Recuperação da audição: A recuperação da audição e início da fala varia de acordo com o caso e do tempo de privação sonora e envolve também o trabalho de uma fonoaudióloga.



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