Diarréia Aguda



 

Doença caracterizada pela perda excessiva de água e eletrólitos através das fezes, resultando em aumento do volume e freqüência das evacuações e diminuição da consistência das fezes, com duração menor que 14 dias.

A diarréia aguda é uma das principais causas de mortalidade nos países em desenvolvimento, especialmente em crianças menores de seis meses. A diarréia mata por desidratação e causa morbidade por desnutrição.

Por ser uma doença autolimitada e de tratamento relativamente simples, a correta identificação, aporte hídrico necessário e manutenção da dieta são medidas que evitam a morte e a desnutrição.

São consideradas situações de risco: crianças menores que 5 anos, principalmente os lactentes, desnutrição, as populações moradoras na periferia dos centros urbanos, áreas sem saneamento básico e moradias insalubres.

As diarréias são em geral infecciosas podendo ser classificadas em:

Viral: Rotavirus, Adenovirus, Astrovirus, Calicivirus, Norwalk vírus.

Bacteriana: E. coli,principalmente enteropatogênica clássica (EPEC), Salmonella sp, Shiguella sp, Yersinia sp, Clostridium difficile, Aeromonas, Vibrio cholerae, Campylobacter  jejuni.

Protozoários: Giardia lambia, Entamoeba histolytica, Criptosporidium.

    Pode ser leve, com discreta repercussão sistêmica até formas graves de desidratação. Cursam com febre, vômitos, tenesmo, flatulência, dor abdominal, distensão abdominal, tosse,coriza, anorexia, ocorrência de eliminações durante o sono, dejeções pós alimentares, fezes explosivas e disúria. As complicações mais freqüentes são:

- desidratação é a complicação mais grave e freqüente, mas também podem ocorrer:

Desnutrição, Distúrbio hidroeletrolítico, Acidose metabólica, Choque, Insuficiência renal aguda.

A parte mais importante do diagnóstico é baseada na anamnese e no exame físico. A maioria das crianças com diarréia aguda não necessitam da realização de exames, mas em casos especiais com evolução grave, comprometimento do estado geral, imunodeprimidos ou em surtos em berçários e creches podem ser realizados.

O tratamento visa evitar a desidratação e a desnutrição.

1)           Terapia de Reidratarão Oral (TRO) ou Sorinho caseiro

A TRO é o tratamento de escolha das desidratações e geralmente determinam a resolução do problema em curto espaço de tempo. Pode se usar soluções comerciais encontradas nas farmácias ou fazer o soro caseiro

Basta ferver água e esperar até que volte à temperatura ambiente. Em seguida, adicione uma colher de café de SAL e uma colher de sopa de AÇÚCAR. Mexa bem e tudo está pronto. Use duas medidas rasas de açúcar (medida maior da colher-padrão) e uma medida rasa de sal (medida menor da colher-padrão) em um copo de água limpa (ou 1 litro de água c/ 3,5g de sal e 40g de açúcar).

Nas crianças sem desidratação a TRO está indicada para sua prevenção, sendo oferecida sempre após as perdas, nas seguintes quantidades:

Crianças menores 24 meses: 50 a 100 ml

Crianças maiores 24 meses: 100 a 200 ml

Adolescentes (maiores 10 anos): à vontade.

2)           Hidratação Parenteral

A hidratação endovenosa está indicada em casos em que a TRO falhou, de choque, desidratação grave, vômitos incoercíveis mesmo após gastroclise, perdas fecais acima de ou alteração do estado neurológico (coma) que não mantenha os reflexos de proteção das vias aéreas.

3)           Alimentação

O aleitamento materno deve ser mantido durante a TRO, porém as crianças em aleitamento artificial devem receber a dieta após a reidratação.

A nutrição baseia-se em oferecer suporte calórico, em maior proporção que o habitual, utilizando alimentos de fácil digestão e absorção, aumentando número de refeições diárias para compensar as perdas. Não há qualquer restrição alimentar as gorduras.

Autor:

Dra. Patricia Salles

Dra. Anna Julia Sapienza

Fonte: Baseado no texto das autoras no livro:

Manual de Urgências e Emergências em Pediatria.

Hospital Infantil Sabará – Ed. Sarvier




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