Coma não Traumático em Pediatria



Alterações do nível de consciência em crianças gravemente enfermas são frequentes na terapia intensiva pediátrica. Essas alterações, também conhecidas como síndromes da disfunção cerebral global (SDCG), manifestam-se como disfunções agudas exemplificadas pelo coma ou delírio.

Podem ser secundárias a uma lesão cerebral direta ou a complicações de doenças sistêmicas graves, como parada cardiorrespiratória, hipoxemia, sepse, intoxicações ou distúrbios metabólicos.

A avaliação do coma pediátrico torna-se complexa pelos seguintes fatores:

  • múltiplas causas potenciais;
  • ausência de história apropriada;
  • curto espaço de tempo entre o início do quadro e o dano neurológico definitivo;
  • deficiência de conhecimento básico de neurologia entre generalistas.

Além da definição de coma propriamente dita, é importante ressaltar que a descrição de consciência e de seus estágios intermediários é fundamental para o entendimento adequado das disfunções cerebrais.

Para tornar mais fácil a compreensão, os termos serão colocados em ordem progressiva, iniciados a partir da consciência normal com o desenvolvimento para estágios mais profundos de perda da consciência.

Consciência representa um estado de perfeito conhecimento de si próprio e do ambiente. Existem dois componentes distintos da consciência que devem ser analisados e que auxiliarão na diferenciação anatômica de alguns tipos de lesões.

  • Nível de consciência: representa o grau de alerta comportamental ou o nível em que um indivíduo consegue interagir com o meio ambiente;
  • Conteúdo de consciência: reflete a profundidade e o conteúdo do grau de alerta. É a soma das funções cognitivas e afetivas do ser humano, como linguagem, praxia (movimentação voluntária de grupos musculares de diferentes partes do corpo, como: membros inferiores superiores e tronco), memória, crítica, gnosias (capacidade de perceber e reconhecer as coisas). O conteúdo da consciência diferencia o ser humano de outros animais.

COMA é o estado em que o indivíduo não demonstra conhecimento de si próprio e do ambiente, caracterizado pela ausência ou extrema diminuição do nível de alerta comportamental ou nível de consciência. A pessoa não responde aos estímulos internos e externos, fica com os olhos fechados, e este estado decorre da lesão ou disfunção do sistema reticular ativador ascendente - responsável pelo despertar - (SRAA), da lesão ou disfunção cortical cerebral ou de ambas.


Quadro 1 – Definições dos níveis de consciência (adaptado de Pearson -Shaver, 2006)





Epidemiologia

O traumatismo cranioencefálico é a principal causa de coma em crianças com cerca de 140 casos para cada 100.000 habitantes. A incidência de coma não traumático em pacientes com menos de 16 anos de idade é de 30,8 casos para cada 100.000. A ocorrência é maior no primeiro ano de vida, com 160 casos por 100.000 crianças/ano.

Etiologia

O coma não traumático pode apresentar-se de três formas etiológicas distintas:


  • Como progressão de uma doença neurológica conhecida;
  • Como complicação esperada ou evolução imprevisível de doença sistêmica;
  • Como doença ou evento súbito e inesperado.




Avaliação da Criança Comatosa

A avaliação do paciente em coma não traumático, inicia-se na análise clínica, que inclui a anamnese (histórico dos antecedentes: doenças anteriores, condições de vida, hereditariedade, etc) e o exame com enfoque na parte neurológica.

No exame neurológico é realizada a tentativa de localização da lesão e classificação do coma. A seguir, será utilizada uma abordagem prática para avaliar:

  • O nível de consciência;
  • A análise das pupilas;
  • O padrão respiratório;
  • A movimentação ocular externa;
  • O padrão de resposta motora;

Por Dr. João Fernando Lourenço de Almeida

Fonte: Baseado no texto do autor no livro: Manual de Urgências e Emergências em Pediatria - Hospital Infantil Sabará – Ed. Sarvier

Sobre a Fundação Hospital Infantil Sabará

Tradicionalmente conhecido por sua eficiência e bons resultados, o Hospital Infantil Sabará nasceu no início dos anos 60, quando um grupo de médicos pediatras resolveu criar um serviço diferenciado. A partir daí o complexo hospitalar se firmou como centro de referência na área, sendo o primeiro hospital a inaugurar uma UTI pediátrica em 1974. Desde setembro de 2010, o hospital atende na Avenida Angélica, nº 1.987, no bairro de Higienópolis (SP), em um novo prédio de 17 andares que tem um conceito moderno e inovador. A partir de 2011, virou Fundação. Acesse o site do hospital (www.sabara.com.br).



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