Direitos da Criança e do Adolescente Hospitalizados



 

Os Direitos da Criança e do Adolescente Hospitalizados[1] foram publicados em 17 de outubro de 1995 através do Ministério da Justiça  e do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, aprovando, na íntegra, o texto oriundo da Sociedade Brasileira de Pediatria. Apesar de já terem completado 6 anos de vigência, ainda são desconhecidos por grande parcela da sociedade, instituições e profissionais de saúde. O desconhecimento e/ou a não incorporação de tais direitos à prática hospitalar tem levado crianças, adolescentes e suas famílias a situações de sofrimento desnecessárias. Considerando que violação de direitos representa uma forma de violência[2], desejamos, com essa iniciativa, divulgar esses direitos, conquistar defensores à causa e, principalmente, oferecer dignidade às crianças e aos adolescentes hospitalizados.

Direitos da Criança e do Adolescente Hospitalizados

(Resolução CONANDA nº 41 de 17 de outubro de 1995)

1.    Direito a proteção, a vida e a saúde com absoluta prioridade e sem qualquer forma de discriminação.

2.    Direito a ser hospitalizado quando for necessário ao seu tratamento, sem distinção de classe social,  condição econômica, raça ou crença religiosa.

3.    Direito de não ser ou permanecer hospitalizado desnecessariamente por qualquer razão alheia ao melhor tratamento da sua enfermidade.

4.    Direito a ser acompanhado por sua mãe, pai ou responsável, durante todo o período de sua hospitalização, bem como receber visitas.

5.    Direito de não ser separada de sua mãe ao nascer.

6.    Direito de receber aleitamento materno sem restrições.

7.    Direito de não sentir dor, quando existam meios para evitá-la.

8.    Direito de ter conhecimento adequado de sua enfermidade, dos cuidados terapêuticos e diagnósticos a serem utilizados, do prognóstico, respeitando sua fase cognitiva, além de receber amparo psicológico quando se fizer necessário.

9.    Direito de desfrutar de alguma forma de recreação, programas de educação para a saúde, acompanhamento do currículo escolar durante sua permanência hospitalar.

10. Direito a que seus pais ou responsáveis participem ativamente do seu diagnóstico, tratamento e prognóstico, recebendo informações sobre os procedimentos a que será submetida.

11. Direito a receber apoio espiritual/religioso, conforme a prática de sua família.

12. Direito de não ser objeto de ensaio clínico, provas diagnósticas e terapêuticas, sem o consentimento informado de seus pais ou responsáveis e o seu próprio, quando tiver discernimento para tal.

13. Direito a receber todos os recursos terapêuticos disponíveis para a sua cura, reabilitação e/ou prevenção secundária e terciária.

14. Direito à proteção contra qualquer forma de discriminação, negligência ou maus tratos.

15. Direito ao respeito à sua integridade física, psíquica e moral.

16. Direito à preservação de sua imagem, identidade, autonomia de valores, dos espaços e objetos pessoais.

17. Direito a não ser utilizado pelos meios de comunicação de massa, sem expressa vontade de seus pais ou responsáveis ou a sua própria vontade, resguardando-se a ética.

18. Direito à confidência dos seus dados clínicos, bem como direito de tomar conhecimento dos mesmos, arquivados na instituição pelo prazo estipulado em lei.

19. Direito a ter seus direitos constitucionais e os contidos no Estatuto da Criança e do Adolescente respeitados pelos hospitais integralmente.

20. Direito a ter uma morte digna, junto a seus familiares, quando esgotados todos os recursos terapêuticos disponíveis.

 

Elaboração:

Rosa Lúcia Rocha Ribeiro – Departamento de Enfermagem Materno-Infantil da Universidade Federal de Mato Grosso.

E-mail: rosaig@terra.com.br

Logotipo criado para o “I Fórum de Debates de Mato Grosso sobre os Direitos da Criança e do Adolescente Hospitalizados”, realizado em dezembro de 2000 em Cuiabá. Arte: Carlos Puck (cpuck@terra.com.br)



[1] CONANDA. Resolução nº 41 de 17 de outubro de 1995. Dispõe sobre os Direitos da Criança e do Adolescente Hospitalizados. Diário Oficial da União. Brasília, Seção I, p. 16319-16320, 17/10/95.

[2] RIBEIRO, R.L.R. A violência à criança hospitalizada: a dimensão ética da intervenção terapêutica. 1998. 136p. Dissertação (Mestrado em Assistência de Enfermagem) – Curso de Mestrado Interinstitucional Universidade Federal de Mato Grosso/Universidade Federal de Santa Catarina, Cuiabá/Florianópolis.

 




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