Sabará entra no clube de hospitais de transplante

No dia 27 de agosto de 2017 Gustavo recebeu seu tão esperado rim. Desde que nasceu, o pequeno tinha uma insuficiência renal, causada por um defeito congênito no sistema urinário. Na maternidade, já começou a ser acompanhado pela equipe da Dra. Maria Cristina Andrade, nefrologista do Sabará Hospital Infantil. Gustavo chegou ao Sabará ainda bebê, passando por diversas cirurgias. No início de 2017, foi necessário o tratamento dialítico, tendo sido optado pela diálise peritoneal, tipo de procedimento que, após capacitação dos pais e avós, por equipe especializada nesta terapia no Sabará Hospital Infantil, pode ser realizada em domicílio, sem necessidade de locomoção para unidade de diálise.

Neste período (abril/2017) Gustavo foi incluído no programa de transplante renal. Após apenas 4 meses de seu cadastro, foi chamado para se submeter ao transplante.

Quando recebeu a ligação, informando que o órgão estava disponível, Janaina ficou muito emocionada. “Contei para o Gustavo que o papai do céu tinha enviado um presente para ele, um rinzinho”, lembra.

Apesar do curto espaço de tempo, foi para a mãe um período de muita ansiedade: “Foi uma espera angustiante, uma ansiedade sem tamanho. O que a gente mais queria é que aparecesse esse órgão para dar uma qualidade de vida melhor para ele”.

 

O transplante

“O transplante é a melhor terapêutica de substituição renal. Melhora a qualidade de vida e aumenta a sobrevida dessas crianças”, lembra a Dra. Maria Cristina, que reforça a importância de incentivar a doação de órgãos. Uma família desconhecida, num momento de extrema dor por ter perdido um filho, autorizou a doação de seus órgãos, dando uma nova vida ao Gustavo.

A equipe de Nefrologia Pediátrica do Sabará Hospital Infantil é referência nacional em processos dialíticos (terapia de substituição da função renal) agudos, sendo um dos poucos centros do país a realizar diálise através do método PRISMA, inclusive em recém-nascidos. O grupo de transplante renal é comandado pelo Dr. José Osmar Medina Pestana, maior referência do país em transplantes renais, e a cirurgia foi realizada pela equipe do Dr. Bruno Leslie, ex-fellow do Hospital for Sick Children em Toronto, no Canadá.

O transplante renal foi muito bem sucedido, tendo o enxerto renal iniciado seu funcionamento já no intra-operatório.

Uma semana após a cirurgia, Gustavo teve alta hospitalar, iniciando uma nova fase em sua vida. O pequeno está em tratamento pós-transplante no nosso Centro de Excelência.

Gustavo enfrenta com muito sucesso essa fase pós-transplante, suportando bem a imunossupressão, terapêutica para evitar rejeição do órgão. Ele não precisa mais submeter-se a procedimentos de diálise todas as noites como acontecia antigamente, nem submeter-se a uma dieta restritiva, que comprometia bastante sua qualidade de vida. “O transplante vai permitir, a longo prazo, que ele se desenvolva mais em relação a altura e peso”, conta a mãe. Uma nova perspectiva de desenvolvimento e qualidade de vida se abriu.

 

Hospital de classe mundial

Para realizar transplantes, o hospital precisa de um credenciamento pelo SNT (Sistema Nacional de Transplantes), do Ministério da Saúde. O Sabará Hospital Infantil possui essa autorização. As equipes do Centro Cirúrgico, da UTI e de Nefrologia Pediátrica são capacitadas para realizar transplantes renais, tendo sido este o primeiro transplante do Sabará, e com tão grande sucesso.

“O Centro de Excelência do Sabará possui um ambulatório de pré-transplante renal  aberto a pacientes com doença renal crônica, habilitado a receber pacientes encaminhados por médicos de todo o país. Neste ambulatório é realizado o preparo dos pequenos pacientes e dos familiares para a realização do transplante renal”, diz a Dra. Maria Cristina.

“Apenas os hospitais de atendimento quaternários fazem transplantes, ou seja, os mais completos, que atendem complexidade maior”, explica o Dr. Nelson. Enquanto o pequeno Gustavo recebia um novo sopro de vida, o Sabará Hospital Infantil subiu mais um degrau em sua excelência técnica e reconhecimento na comunidade médica.

 

Autor: Mariana Setubal

Atualizado em: 28/11/2017