Governança Clínica

A Governança Clínica é o sistema de atribuições, responsabilidades e fluxos hierárquicos usados para garantir a melhoria contínua dos serviços prestados. A Governança Clínica rege os médicos e profissionais de saúde de um hospital.

O Sabará Hospital Infantil está estruturado para garantir os melhores resultados para os pacientes. Nossos resultados assistenciais decorrem da atuação integrada de times multiprofissionais qualificados, preparados para atuar conforme um modelo centrado no paciente e sua família.

A adequação dessas estruturas e seus processos é monitorada por uma rede de comando, controle e apoio, estabelecida de acordo com a característica de cada unidade ou serviço, e pela análise crítica regular de um conjunto de indicadores.

Estas atividades estão alinhadas e solidamente alicerçadas pelas políticas estabelecidas pela Gestão de Qualidade Assistencial, e pelo trabalho do Núcleo de Informação em Saúde (NIS), que valida toda informação epidemiológica do Sabará.

 

Formação e Qualificação

A seleção dos profissionais obedece a critérios estabelecidos no Regimento do Corpo Clínico, sendo que a formação e grau de qualificação dos profissionais de saúde é analisada para o estabelecimento de níveis de privilégios (âmbito e limites de atuação) concedidos pela Diretoria Clínica, em alinhamento com a Diretoria Médica. Assim, por exemplo, a realização de certos tipos de cirurgias complexas ou a prescrição de determinadas classes de medicamentos, como quimioterápicos antineoplásicos, estão restritas aos profissionais que têm estas habilitações formalmente verificadas durante o processo de credenciamento.

De acordo com o grupo profissional e o tipo de atuação, são definidos treinamentos obrigatórios com provas e nota mínima de aproveitamento, cursos periódicos e outros parâmetros que são levados em consideração nas avaliações de desempenho anuais. Assim, por exemplo, o curso de urgências e emergências em pediatria com simulação realística, prepara para o suporte avançado de vida em pediatria, e é obrigatório para várias categorias profissionais, conforme sua área de atuação. No mesmo sentido, todo profissional de Enfermagem recém-contratado é submetido a um período probatório, durante o qual suas habilidades técnicas são formalmente verificadas e validadas por um enfermeiro sênior.

A atuação assistencial ocorre em unidades especificamente estruturadas de acordo com a situação clínica dos pacientes, cada uma delas com processos bem estabelecidos e controlados. O controle se dá em diversos níveis, numa estrutura matricial, tanto por gestores das Unidades como pelos líderes dos Serviços Assistenciais, fortalecida por Comitês Estratégicos interdisciplinares, que mensalmente fazem a análise crítica de indicadores, e estabelecem planos de ação visando a melhoria contínua. Além disto são realizadas auditorias internas regulares com periodicidade mensal conduzidas pelo setor de Qualidade Assistencial, bem como a auditoria externa conduzida pela Joint Commission International (JCI).

Dada a especificidade e importância das ações para prevenção e controle das infecções, o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar busca identificar e reduzir os riscos de adquirir e transmitir infecções entre paciente, cuidadores, voluntários e visitantes em todas as áreas do Hospital, gerando indicadores que são discutidos em reuniões específicas, bem como nos comitês assistenciais.

Tanto os gestores das Unidades, como os líderes de Serviços são hierarquicamente subordinados à Diretoria Médica. Enquanto os primeiros devem garantir a execução dos processos característicos de uma dada unidade, os segundos garantem o padrão assistencial de uma determinada atividade assistencial, ambos fundamentados nas melhores práticas, gestão de riscos e segurança dos pacientes.

 

Unidades e seus gestores

 

Serviços Assistenciais e seus gestores

 

Comitês Estratégicos Assistenciais

Contamos com oito comitês estratégicos assistenciais, dos quais participam profissionais da liderança (gerente/supervisor) e da assistência direta de cada setor, além do Diretor Técnico, representantes da qualidade assistencial, do SCIH e áreas relacionadas. Nas reuniões são apresentados os indicadores de qualidade/segurança e de produção, de cuja análise resultam planos de ação para melhoria contínua. Também são discutidos os eventos adversos ocorridos no período.

 A organização dos profissionais em cada unidade visa garantir a aplicação de planos terapêuticos individualizados e a continuidade dos cuidados, com o emprego das melhores práticas, protocolos específicos e o gerenciamento contínuo de riscos, minimizando a variação de processos e garantindo a segurança dos pacientes, familiares e equipe assistencial. Esse planejamento é documentado para todos os pacientes com previsão de internação superior a 24 horas nas Unidades de Internação e Unidades de Terapia Intensiva, por meio do Plano de Cuidados e Metas do Paciente Sabará, onde são inseridos os problemas ativos e o resultado esperado. Também são desenvolvidos planos educacionais durante o período da internação para garantir que pacientes e familiares estejam bem orientados para os cuidados pós alta, e que estes estejam alinhados ao plano terapêutico.

 

Protocolos Institucionais

 Os protocolos institucionais visam padronizar a abordagem das condições clínicas mais frequentes, segundo as melhores práticas definidas pela comunidade científica, em todas as unidades do hospital por onde o paciente transita. Dessa forma, garantem um padrão assistencial, focado no resultado para o paciente, visando sua recuperação e menor permanência, além de minimizar a chance de ocorrência de complicações.

Atualmente existem cinco protocolos assistenciais institucionais aplicados. São eles:

  • Asma;
  • Bronquiolite;
  • Pneumonia;
  • Diarreia;
  • Infecção urinária.

 

Os pacientes são incluídos em um desses protocolos a partir da suspeita diagnóstica no Pronto-Socorro e são acompanhados durante sua internação. Os resultados são monitorados mensalmente e ações de educação e mudança de processos, caso necessárias, são tomadas para garantir a melhoria dos indicadores.

 

Dados de 2016

Meta: 50% Princípio: Menor-melhor Tendência: Redução

 

 

Dados de 2016

Meta: < 50% Princípio: Menor-melhor Tendência: Redução

 

Os gráficos acima são indicadores importantes no Pronto-Socorro. No caso do Raio X de tórax, o exame é indicado apenas em uma parte dos pacientes com bronquiolite (aqueles mais graves). Já o corticoide nunca está indicado no caso de bronquiolite isolada. Temos a preocupação constante em não expor nossos pacientes a exames ou medicações desnecessários. Por isso, os protocolos institucionais são fundamentais para padronizar condutas.

 

Pronto-Socorro

O atendimento no Pronto-Socorro é caracterizado por uma curta permanência, geralmente algumas horas. No início do processo, o paciente é avaliado e recebe uma classificação de risco preliminar, que define um nível de prioridade para o atendimento. À medida em que transcorre o fluxo de cuidado, com a participação de diversos processos assistenciais, se aprofunda o conhecimento da sua condição clínica e o seu risco específico, definindo o emprego dos recursos de investigação e tratamento necessários.

A maioria dos pacientes atendidos tem condição de alta e recebem um resumo contendo hipótese diagnóstica, tratamento executado, exames realizados, receita médica e orientações para continuidade do cuidado. Assim também se assegura informação clara para o médico assistente do paciente.

Nessa unidade, a estrutura de controle e suporte é constituída por chefes e coordenadores de plantão e pelo gerente médico, que definem o dimensionamento, a escala e a condução da equipe de médicos plantonistas. Além disso, lideranças dos diversos serviços assistenciais controlam e apoiam a execução das atividades assistenciais específicas de cada área. Cada liderança analisa indicadores específicos de suas atividades e participa da definição de um conjunto abrangente de indicadores que é discutido mensalmente de modo integrado pelo comitê multiprofissional do Pronto-Socorro. Por exemplo: um dos indicadores mais importantes é a assertividade da classificação de risco feita pelo enfermeiro no pré-atendimento (triagem). Isso significa que buscamos minimizar ao máximo os erros ao classificar um paciente como sendo de menor ou maior urgência.

 

Unidade de Internação e UTI

Eventualmente o paciente necessitará permanecer internado numa das unidades de internação (UI) ou na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Nas UI e na UTI, a permanência é maior, habitualmente alguns dias, embora em alguns casos possa chegar a um mês ou mais. Dada esta característica, assume importância primordial a transmissão fidedigna das informações clínicas entre os diversos turnos de profissionais a cada dia, e ao longo dos dias de permanência. Por isso, o Sabará padronizou e monitora o uso de um instrumento de passagem de plantões da enfermagem. Na UTI, esse instrumento é feito em conjunto com o plano de cuidados elaborado durante a visita diária multiprofissional, de forma a garantir a continuidade do cuidado.

Além disso, cada uma das UI contam com médicos hospitalistas e enfermeiras fixas no período da manhã. Em cada andar, o mesmo pediatra acompanha todos os pacientes internados. Dessa forma, funcionam como um eixo ao qual estão vinculados os demais integrantes das equipes assistenciais (plantonistas médicos, enfermeiros, técnicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, farmacêuticos, psicólogos, CLS – Child Life Specialist), bem como gerenciam a participação de especialistas das equipes de retaguarda e a adequação dos Serviços de Apoio Diagnóstico e Terapêutico (SADT). Além de assegurar uma integração harmoniosa, estabelecem e coordenam o cumprimento do plano terapêutico e o gerenciamento de riscos, garantindo a continuidade do cuidado.

De modo semelhante, na UTI esse eixo da liderança assistencial é constituído pelos médicos diaristas. Devido ao perfil de gravidade dos pacientes e à dinâmica de atendimento, estão presentes nos períodos da manhã e da tarde.

Outro importante elemento de integração e gerenciamento do cuidado é a visita multiprofissional que ocorre regularmente nessas unidades, e que conta com a participação dos familiares dos pacientes.

Dessa forma, a estrutura de controle e suporte é constituída por hospitalistas, diaristas e pelo gerente de UI/UTI, bem como pelas lideranças dos diversos serviços assistenciais, que analisam indicadores específicos de suas atividades, e integram os comitês multiprofissionais correspondentes (UI e UTI).

 

Centro Cirúrgico e Hospital Dia

Unidade destinada à realização de procedimentos sob anestesia, o centro cirúrgico é composto essencialmente por um conjunto de salas cirúrgicas com equipamentos específicos, central de esterilização de materiais e a área de recuperação anestésica.

O Hospital Dia é uma unidade assistencial de caráter intermediário entre a internação e o atendimento ambulatorial e está bastante relacionada ao Centro Cirúrgico. Nele, são realizados procedimentos clínicos, cirúrgicos, diagnósticos e terapêuticos que demandem uma permanência menor que 12 horas (habitualmente apenas algumas horas).

Nessas unidades, a rede de controle e apoio aos cirurgiões e demais especialistas que as utilizam é comandada pelo serviço de Enfermagem e pelo serviço de Anestesia, que aplicam e controlam protocolos internacionais de assistência e gerenciamento de riscos. Além disto, recebem o suporte de outras áreas, entre as quais a Engenharia Clínica, que mantém um estrito controle sobre os equipamentos e suas condições seguras de uso. Da mesma forma que em outras unidades, esses profissionais analisam indicadores específicos de suas atividades e participam da definição de um conjunto abrangente de indicadores que é discutido mensalmente de modo integrado pelo comitê multiprofissional correspondente.

Autor: Equipe Sabará

Atualizado em: 08/8/2017