Terapia Assistida por Animais

A paixão pelos cães e pela fonoaudiologia fez a pesquisadora Glícia Ribeiro de Oliveira se aprofundar na investigação sobre a efetividade e benefícios das Intervenções Assistidas por Animais (IAA) na rotina de seus pacientes. O primeiro estudo da fonoaudióloga nesse sentido foi desenvolvido com idosos. Na pesquisam Glícia apresentou um caso clínico de uma paciente diagnosticada com Alzheimer com a memória recente bastante afetada que, após uma série de encontros com a cão terapeuta Nara, da raça poodle, apresentou melhoras consideráveis na  comunicação com os profissionais e companheiros da clínica e na interação com a fonoaudióloga.

Atualmente, no intuito de conhecer os extremos dos benefícios advindos da presença de um cão em seus atendimentos, a profissional decidiu fazer seu Doutorado com crianças hospitalizadas de 7 a 11 anos. Dessa vez, a cadela escolhida foi a Nina, também poodle, que participa das atividades realizadas no Sabará Hospital Infantil. Nara também está à disposição da pesquisa, afinal ela é uma das pioneiras em pesquisas científicas do tema.

A pesquisa está em andamento, agora em fase de intervenções sem o cachorro, para efeito comparativo.

A pesquisa

Para que o estudo fique além da parte descritiva dos benefícios, a pesquisadora aderiu ao método quantitativo ao mensurar o nível de cortisol (o hormônio do estresse) nos pacientes antes e depois de uma atividade de leitura com a presença da Nina.

Pacientes com idade entre 7 e 11 anos participam da pesquisa com aprovação do médico conforme seu diagnóstico e tratamento, desde que os critérios sejam atendidos e os responsáveis assinem um termo de consentimento.

Na prática

Glícia faz a primeira coleta da saliva da criança (que servirá para medir o nível de cortisol) e um enfermeiro mede os sinais vitais (pressão arterial, frequência cardíaca, respiratória e oximetria), antes da entrada da Nina no quarto do paciente.

Em seguida, a fonoaudióloga convida a cão terapeuta para entrar no quarto e, após alguns carinhos das crianças e seus acompanhantes, iniciam a atividade. A pesquisadora oferece ao paciente cartas com velcro que possuem imagens iguais às que vão encontrar no decorrer da leitura de um livro e incentiva os pequenos a aderi-las ao vestido de Nina. Ao término da atividade, Glícia coleta novamente a saliva e o enfermeiro faz a aferição dos sinais vitais. Esses pacientes fazem parte do Grupo Pesquisa.

Na fase atual da pesquisa, a fonoaudióloga segue o mesmo procedimento de coleta de saliva e aferição dos sinais vitais das crianças, antes e depois da atividade de leitura. O livro também é o mesmo, porém com a diferença de que Nina não participa e as crianças aderem as cartas em um quadro de feltro. Assim, esses pacientes fazem parte do Grupo Controle.

Toda a pesquisa contou com o apoio dos setores de Fonoaudiologia, Enfermagem, Hotelaria, Instituto PENSI e a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH).

 

Escolha dos animais

Nara e Nina passaram por critérios de seleção em relação ao seu comportamento, saúde e socialização. Além dos cuidados veterinários habituais (vacinas, vermifugação, exame parasitológico e atualização do atestado de saúde), os cuidados relacionados à higiene (banho, tosa quando necessário e escovação de dentes) são recorrentes. Durante todo o processo, são acompanhadas de um adestrador com experiência em comportamento animal.

 

Autor: Mariana Setubal

Atualizado em: 08/8/2017