Técnica mais segura em cirurgia de adenoide

É comum ouvir que em crianças pequenas a adenoide “volta” e que, com frequência, a cirurgia tem de ser refeita alguns anos depois da primeira. De fato, estudos já mostraram recidiva de sintomas obstrutivos em até 8% dos pacientes após as cirurgias de adenoite. Baseados nisso, muitos pediatras recomendam aguardar idades como 4 ou 5 anos para submeter a criança à cirurgia.

Contido, a verdade é que a adenoide não volta, ela fica. O otorrinolaringologista do Sabará Hospital Infantil e Dr. em Otorrinolaringologia pela USP Raimar Weber explica que a chance de a criança precisar de uma nova operação depende da maneira como a cirurgia for feita. Partes da adenoide se escondem em recessos (reentrâncias) e, se não adequadamente removidas, podem voltar a crescer se tiverem estímulos suficientes como alergias e infecções em indivíduos pré-dispostos geneticamente. A técnica mais antiga para remoção da adenóide, ainda realizada por muitos médicos, é feita com uma cureta, a qual “raspa” o tecido adenoidiano.

A curetagem é o método mais associado à recidiva               da adenoide pela dificuldade que esse equipamento apresenta  em remover vegetações que se projetam         para o interior dos arcos coanais e das presentes              nos recessos retrotubários.

 

 

 

Cirurgia em crianças pequenas

Nos últimos 3 anos, a demanda por cirurgias de adenóide no Sabará em crianças com menos de 4 anos representou mais da metade das cirurgias realizadas (conforme gráfico abaixo).

Para o Dr.Raimar, não há idade mínima para a sua realização. Havendo indicação precisa, a realização da cirurgia logo que sua necessidade é inevitável preserva sofrimentos desnecessários à criança – como recorrência de otites, ronco, apnéia e noites mal dormidas, que podem levar à irritação e até a um déficit no crescimento.

A iniciativa mais importante por parte dos médicos para uma cirurgia segura e com a retirada completa do tecido da adenóide é não fazer o procedimento às cegas e, sim, utilizar a vídeo-endoscopia. Uma vez que o cirurgião vê o que está fazendo, consegue fazer um trabalho mais minucioso, evitando deixar resquícios de tecido de adenóide que poderiam trazer de volta os problemas, além de ter maior visualização e possibilidade de controle de eventuais sangramentos. Reforçando essa importância, desde 2013, a Agência Nacional de Saúde inclui o vídeo para essa cirurgia no rol de itens cujos os planos de saúde têm a obrigação de cobrir.

 

Eficácia e segurança na cirurgia da adenóide

Existem diferentes equipamentos que podem ser utilizados para se retirar a adenoide. A curetagem tradicional vem cada vez mais caindo em desuso, por sua remoção não controlada do tecido. A utilização do vídeo permitiu a utilização de equipamentos mais precisos na remoção da adenóide, dentre eles o microdebridador (uma lâmina que remove o tecido cortando e aspirando-o) e a ablação controlada (uma ponteira de energia de radiofrequência que dissolve o tecido e o aspira). Ambas as técnicas são utilizadas em cirurgia pelos médicos do Centro de Excelência do Respirador Bucal.

As vantagens da utilização da ablação controlada

O equipamento utiliza energia de radiofrequência, que dissolve o tecido e o transforma num gás. Essa técnica está associada a pouquíssimo sangramento, tanto intraoperatório quanto pós-operatório. Assim, durante a cirurgia, o médico enxerga melhor o que está fazendo e, assim, consegue retirar o máximo de tecido adenoidiano com o mínimo de lesão aos tecidos vizinhos normais, reduzindo as chances de o problema voltar.

 

Autor: Mariana Setubal

Atualizado em: 08/8/2017