Impacto da informação pré-anestésica sobre a ansiedade dos pais e das crianças

A Dra. Debora Cumino, coordenadora do serviço de anestesiologia do Sabará Hospital Infantil defendeu em 2013 uma tese de Mestrado sobre a importância de oferecer informações sobre a anestesia aos pacientes e seus familiares a fim de reduzir a ansiedade antes da cirurgia.

Estima-se que 40% a 75% das crianças submetidas a cirurgias experimentam medo e ansiedade significativa no período pré-operatório. E esses níveis elevados de ansiedade estão associados a impactos negativos no intra-operatório, assim como alterações comportamentais pós-operatórias. Se a criança chora no pré-operatório, por exemplo, pode encher as vias aéreas de secreção e isso aumenta o risco de complicações respiratórias durante a indução anestésica. Além disso, pode ter uma incidência maior de agitação ao despertar, dor e até distúrbio de comportamento tardio.

A literatura médica relata que 60% das crianças submetidas à cirurgia podem apresentar sintomas comportamentais negativos até 15 dias após a cirurgia e 20% mantêm comportamentos negativos por até seis meses.

 

Informações pré-anestésicas

O folheto desenvolvido pela Dra. Cumino, usado no Hospital Infantil Sabará, é constituído de 17 itens em forma de perguntas e respostas, contendo informações que abrangem aspectos sobre a prática da anestesiologia, tais como:

  • Técnicas de anestesia utilizadas em crianças;
  • Riscos;
  • Uso e suspensão de medicações;
  • Exames laboratoriais;
  • Jejum e estômago cheio;
  • Indução anestésica e presença dos pais;
  • Sala de recuperação pós-anestésica;
  • Realimentação após a anestesia;
  • Como colaborar para uma anestesia tranquila.

A ansiedade no período pré-operatório geralmente não atinge só as crianças, mas também seus pais. E isso causa o aumento da ansiedade em seus filhos. Por isso, informar e acalmar os pais, pode ter grande impacto nos pacientes.

 

A pesquisa

A pesquisa foi conduzida no Sabará Hospital Infantil e na Santa Casa de São Paulo, com 72 crianças entre 4 e 8 anos.

O objetivo era verificar se a qualidade da informação oferecida aos responsáveis na sala de espera do centro cirúrgico tem impacto sobre a ansiedade da criança na sala de operação. Também foram analisadas a ansiedade dos responsáveis na sala de espera e a satisfação deles com as informações fornecidas.

Foram avaliadas crianças e seus responsáveis, divididos em dois grupos:

  • Grupo Informativo: no qual o responsável recebeu, além da informação verbal convencional, um folheto contendo informações sobre o procedimento anestésico na sala de espera do centro cirúrgico.
  • Grupo Controle: no qual o responsável recebeu apenas informação verbal convencional na sala de espera do centro cirúrgico.

A ansiedade das crianças foi medida em dois momentos: na sala de espera do centro cirúrgico e na sala de operação imediatamente antes da indução anestésica. No responsável, a ansiedade foi mensurada na sala de espera do centro cirúrgico antes de ser encaminhado com o paciente para a sala de operação.

 

Resultados

Não houve diferença significativa de ansiedade entre os dois grupos analisados. Independentemente da qualidade de informação (verbal ou escrita), oferecida aos responsáveis na sala de espera do centro cirúrgico, o nível e a prevalência de ansiedade das crianças foi baixo no momento da sala de espera e aumentou de forma significativa no momento em que entram na sala operatória.

Em relação à pesquisa de satisfação com as informações fornecidas, 97,2% se sentiram satisfeitos. No Grupo Informativo, 88,9% dos responsáveis leram o folheto na íntegra e avaliaram que o material aumentou efetivamente o conhecimento sobre o procedimento anestésico.

 

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Autor: Mariana Setubal

Atualizado em: 02/8/2017